23 de mar de 2010

ALEXANDRE NARDONI: ABRIU A TEMPORADA DE ACUSAÇÕES.

Na verdade, tudo que foi dito nos jornais sobre Alexandre e sua esposa, não passa de especulações. Ninguém sabe o que realmente aconteceu na noite fatídica da morte da menina Isabella. Peritos que compareceram ao local do crime acharam indícios da culpa de Alexandre, já um perito de confiança da família Nardoni, diz ter outros indícios que apontam para a inocência do pai da menina. A família Nardoni veste a camisa que clama por Justiça, a justiça, claro, que inocenta Alexandre. Mas a família da mãe de Isabella clama por uma justiça que puna o culpado, ainda que seja o próprio pai da pequena vítima.
A história revoltou o Brasil. Os psicólogos de plantão para estes casos, logo apareceram com suas deduções óbvias e diga-se de passagem: ridículas! Alguns canais de televisão, pouco interessados na verdade, mas na audiência, dirigem as matérias referentes ao assunto tendenciosamente. Para isto, eles usarão entrevistas que coadunem com sua intenção, intenção esta que manipulará a opinião pública. E, lembre-se, esta manobra não acontece só com o caso Isabella! Nas ruas, o cidadão brasileiro, que na sua maioria ainda não aprendeu a ter opinião própria, não desenvolveu seu senso crítico, que molda seu comportamento a partir das mensagens das telenovelas, começa a acusar Alexandre, grita por sua condenação, ainda que o réu não tenha sido condenado por um tribunal. O artigo 11 da Declaração do Direitos Humanos é bem claro: " Se alguém é acusado, sempre tem o direito de se defender. Não se pode dizer que alguém é culpado, antes que isso seja provado. Não se tem direito a condená-lo ou apená-lo por algo que não tenha feito". Então, como dizem os advogados: "todos são inocentes até que se prove o contrário"
Se você me pergunta: Então você acha Alexandre Nardoni inocente? Responderei: Não tenho direito de condená-lo ou inocentá-lo, isto não cabe a mim, ainda que o bizarro caso seja revoltante. Aí você dirá: Você responde assim porque não foi sua filha! Sim, eu respondo, você tem razão, se fosse minha filha talvez eu o condenasse publicamente, mas só que não foi, então tenho mais equilíbrio emocional para fazer um juízo prudente e justo.
Lembre-se: o Juiz ou o juri não o punirá ou o absolverá baseado em sentimentos de vingança, mas de justiça baseada em nosso código penal e em nossa Constituição que ainda refletirá o espírito da Carta dos Direitos Humanos.
Quando tudo isto terminar, e, a Justiça achar indício da culpa de Alexandre e o condená-lo, então eu e você poderemos gritar: "Bem feito, pague pelos seus erros!" Se porventura, a Justiça o inocentar, que diremos? Que a justiça errou? Pode até ser, mas quem estava lá na noite em que Isabella foi covardemente assassinada? Ou, que escapuliu da mão de alguém que ameçava jogá-la, mas não tinha a intenção? Espere. Qual versão afinal de contas é verdadeira? Como dizem aqueles personagens de um certo programa infantil da telinha: "Oh, e agora quem poderá nos socorrer?" Com certeza não será o herói da série mexicana!
Todavia, há um Deus nos céus, Juiz de toda a terra que está preparando um tribunal onde todos haveremos de comparecer. Um Deus que não toma o culpado por inocente, nem o inocente por culpado. Que clama: " Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão." Isaías 51:5. O Salmo 9:8 diz: "Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão."
Não há dúvidas que se Alexandre Nardoni for inocentado sendo culpado, o Deus que eu sirvo e adoro fará cumprir a sua Palavra.
Portanto, sejamos prudentes e atentemos para a recomendação de Tiago: "Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar". Tg. 1:19

4 de mar de 2010

RECEBI UMA CHAMADA, E AGORA?

"Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel".
Atos 9:15

A chamada de Paulo sempre foi bem definida: "...levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel." Em Atos 13:47 e 22:21, Paulo demonstra ter convicção de qual era seu chamado, ele sabia que seu destino ministerial seria os gentios, portanto, todo seu projeto missionário foi desenvolvido tendo como foco os gentios. Todavia, Paulo precisava, como a maioria das pessoas que recebem uma chamada, saber como começar, por onde começar, quais primeiros contatos deveria estabelecer para dar início ao seu projeto.
Sempre digo que o grande problema em Missões não é chamada, pois Deus, ao longo dos anos, tem chamado homens e mulheres dedicados e lhes mostrado seu plano. O grande problema dos que são vocacionados é como começar? Com quem contar? Que estratégia usar para alcançar os primeiros objetivos?
O próprio Paulo deixa-nos exemplo das atitudes corretas a serem tomadas por um vocacionado em Gl. 1:13 a 19:
"Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor".

1. Logo após o chamado, esteve um tempo na Arábia. Não se sabe ao certo o que Paulo lá fazia, mas a maioria dos eruditos concordam que aquele foi um tempo de reavaliação de sua vida. Segundo ele mesmo diz, ele era "extremamente zelozo das tradições de seus pais". Ele admite neste seu breve testemunho que perseguia e assolava a Igreja de Deus. Esta postura em relação aos crentes, não era meramente ódio, era resultado daquilo que cria, um verdadeiro cumprimento do que Jesus tinha dito cerca de 30 anos antes: "Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus" (João 16:2). Paulo acreditava que sua atitude em relação aos "da seita dos nazarenos" era a vontade de Deus. Agora, Paulo é atraído pelo Jesus que ele tanto perseguiu, o viu em glória quando da sua investida aos crentes de Damasco. Em poucos minutos, jogado naquele chão empoeirado, cego, conduzido por seus auxiliares à casa de um certo Simão, Paulo passa a crer e se dispõe a servir o mesmo Jesus. Sua crença, tudo que aprendeu a longo dos anos, precisava ser reprocessado. Um tempo distante, faria bem a ele. Acredita-se que este também tenha sido um tempo de aprendizado, de estudos sobre Jesus e seus ensinos.
Portanto, se você recebeu uma chamada, tenha este tempo com Deus. Um tempo de reavaliação, quando sua vida deverá ser reorganizada. Tenho visto muitos que, depois de ter recebido uma chamada, entram afoitamente nos gabinetes pastorais, exigindo que os enviem porque recebeu uma chamada, querendo a todo custo que todos creiam em seu "sonho" ou em sua "revelação". E se não receber o apoio esperado, sai rotulando a todos de "carnais" e "sem visão", mudam de ministério e terminam se perdendo e comprometendo o chamado em sua vida.
Lembre-se que o próprio Jesus começou seu ministério com quase 30 anos, embora desde os 12 já soubesse de sua missão (Lc. 2:49).
Não comprometa sua chamada com atitudes precipitadas, seja paciente, use o tempo como aliado neste processo, vá pra sua "Arábia", espere em Deus.

2. Reconheça a autoridade espiritual estabelecida por Deus em tua vida.
Acredita-se que Pedro tenha sido um dos discípulos mais procurados por quem queria saber mais sobre Jesus. Era uma autoridade sobre Jesus e seus ensinos, não é em vão que Marcos tenha escrito o Evangelho que leva o seu nome a partir das informações deste humilde pescador e notável Apóstolo. Paulo separou 15 dias em sua agenda (Gl. 1:18) ao lado da figura emblemática de Pedro. Quanto tinha para saber, aprender e crescer!
Paulo soube procurar as pessoas certas, compartilhou seu chamado com homens genuinamente sábios e espirituais, reconheceu a autoridade deles.
Não é porque você recebeu um chamado que você passou a ser único! Respeite e honre os que antes de você foram chamados e que tem autoridade de Deus para te orientar e abençoar. Passe tempo com eles, ouça suas experiências, aprenda com suas derrotas e vitórias, faça-lhes perguntas, ponha em teu coração o que for proveitoso para teu ministério.

3. Sirva à Igreja Local : "E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia. O que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo".

Neste texto Paulo é citado depois de Barnabé pelo nome de Saulo, e fazendo o serviço de um Diácono, levando víveres para os carentes da Judéia. Paulo está servindo à igreja local. E o chamado para pregar aos reis da terra? Paulo sabia que aquele honroso serviço era também uma das lições na escola do discipulado missionário. Serviço deve ser a marca dos vocacionados. Na verdade Paulo estava estabelecendo relacionamento com a Igreja. Como esta o enviaria se ele nunca tivesse criado um relacionamento profundo através do serviço e do amor cristão?
Como você quer servir no campo missionário, se nunca serviu à igreja local? Quem acreditará em alguém que nunca demonstrou amor, serviço, compromisso e envolvimento com as atividades da comunidade local?

4. Esteja preparado para as interrupções temporárias em seu chamado.
Atos 9:26 diz que a tentativa de Paulo em explicar sua conversão e chamada era sempre frustrada, a maioria não cria em sua experiência de conversão. Mesmo tendo sido intermediado por Barnabé, "homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé" (At. 11:24), a presença de Paulo trouxe tanto desconforto que ele teve que voltar para Tarso, sua terra natal, afinal estava sob ameaça de morte. Que deve ter passado na mente de Paulo naquele momento de sua vida? Já pensou nisso? De repente ter que voltar, dar um tempo, parar temporariamente?
É um mito a idéia de que, porque Deus me chamou, tudo tem que dar certinho, não vou fugir nunca, nunca darei meia volta. Pare com isso! Se até Jesus teve que voltar, sair de determinada cidade porque não criam nele!
Interromper temporariamente sua chamada pode ser um agir de Deus, afinal Ele é quem controla tudo! Não se abata diante das interrupções, elas não significam parada definitiva. Espere.

Pr. Raimundo Campos