29 de ago de 2011

A Geração da Coragem Virtual

Depois do advento da internet, da evolução dos navegadores e buscadores do mundo "www", depois do direito a perfis fakes...todo mundo, qualquer um, pode ter coragem. Aí, não só o perfil é fake, a coragem também. Difama-se, persegue, inventa, calunia...Alguns usam até argumentos moralistas, citam textos bíblicos, imaginem! Falam de uma vida bem distante daquela que vivem. Ameaçam e usam frases como: "eu te conheço, te vejo todos os dias", ou ""você vai ser envergonhado publicamente", ou ainda, "fui chamado para depor contra você", etc., ridículas até nos filmes de suspense mais fajutos e sem bilheteria da história do cinema, são usadas pelos corajosos virtuais e covardes reais.
Gente que vive em função do outro, obcecada pela derrota de quem odeia, são os maníacos, aqueles que no dia-a-dia estão em nosso meio, travestidos de cidadãos de bem, mas que escondem uma história triste de derrotas, frustrações. Que foram violentados pelas circunstâncias da vida e resolveram se vingar escolhendo uma "vítima". Geralmente esta vítima representa tudo aquilo que o corajoso virtual pretendia ser e não conseguiu. Suas mentes são tão doentias que seus argumentos são um festival de contradições e, responder a loucos, é tornar-se louco também.
Alguns destes tem uma necessidade tão grande de se afirmarem como "homem" que repetem isto em seus "spans" centenas de vezes. São desprovidos de argumentação inteligente, por isso recorrem à difamação, mentiras e ameaças.
A coragem virtual é a arma dos frustrados, dos covardes. Eles não produzem e odeiam ver alguém produzindo. Como não produzem, encontram na "crítica" (os tais não conhecem o sentido da crítica) a forma de atingir o outro e desabafar, derramar o mal dentro de si.
São doentes escondidos nas linhas virtuais da net, logando, clicando, arapongas da era http.
O pior é que alguns destes se dizem evangélicos, ou seguidores do que o pessoal do Genizah chama de "Gizuz" e leitores da "briba".

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo."
Fp. 2:3

27 de ago de 2011

Não Vá a Estas Igrejas

Não vá a igrejas exclusivistas, aquelas que pregam que cura, milagre e salvação só nelas;
Não vá a igrejas que apresentam soluções fáceis para os conflitos do cotidiano;
Não vá a igrejas que vendem as dádivas de Deus, aquelas do "sacrifique seu tudo"!
Não vá a igrejas que lhe aceita como você é e está, o Evangelho verdadeiro propõe vida nova e mudança de atitude;
Não vá a igrejas que tem donos e onde tudo gira em torno dos tais. O dono da Igreja é Cristo!
Não vá a igrejas que não lhe oportuniza o pensar e questionar, antes lhe mantém sob o véu da ignorância;
Não vá a igrejas sensacionalistas, que propagam seus feitos. Os feitos miraculosos no meio do povo de Deus não é um mérito da igreja, mas do Senhor dela;
Não vá a igrejas que pregam a rigorosidade dos hábitos e costumes como prova de santidade. A santidade é o estado de vida afastada do pecado e começa pela transformação dos nossos hábitos pecaminosos e pelo esforço em agradar a Deus, é o formar do caráter de Cristo em nós e não a prática e guarda de costumes de homens;
Não vá a igrejas que não teem um foco, uma direção, que não conhece seu prepósito na terra;
Não vá a igrejas que não se importam com você, mas com o seu dízimo;
Não vá a igrejas que dividem sua fidelidade a Deus com outro ser, como por exemplo um profeta ou seu fundador;
Não vá a igrejas que não fundamentam sua fé só na Palavra de Deus, mas em outras fontes também;
Não vá a Igrejas que diminuem a autoridade de Cristo e menosprezam sua divindade;
Não vá a igrejas que alimentam ódio e intolerância contra as demais;
Não vá a igrejas que não tenham um programa de assistência aos fiéis que lhe alcance;
Não vá a igrejas que menosprezam o cuidado à família;
Não vá a igrejas que superfaturam, mas não investem nem no Reino de Deus e nem nas necessidades sociais;
Não vá a igrejas que não discutem com a sociedade seus conflitos e dilemas, além de não lhe oferecer respostas e soluções embasadas na Palavra de Deus;
Não vá a igrejas que não formam o caráter dos fiéis pela Palavra de Deus;
Não vá a igrejas que apresentam uma série de programas que mais parecem as vantagens de um clube social e esquecem suas necessidades mais profundas;
Não vá a igrejas sem um Sacerdote legitimamente chamado e vocacionado para cuidar de você.
Não, não vá a essas igrejas. Vá a aquelas que andam na contra-mão das tais.
VISITE UM IGREJA EVANGÉLICA MAIS PRÓXIMA DA BÍBLIA!!!

22 de ago de 2011

Voz e Interpretação Espetaculares!



Minha oração é para que a Igreja de Cristo seja criteriosa quanto ao tipo de música que cantamos em nossos cultos e para a maneira como apresentamos tais músicas ao Senhor!

20 de ago de 2011

Missionários José Luis e Yomary (República Dominicana): Socialização Transcultural

Postagem no Blog da Semadesal

Missionários José Luis e Yomary
e seu filho, Missionário Miguel.
A socialização no campo missionário é fator determinante para a aceitação do Evangelho por parte do grupo social, alvo dos esforços evangelísticos do missionário. Este tipo socialização é chamado de secundária, conhecida como o processo que introduz um indivíduo já socializado em novos setores do mundo como, por exemplo, atividades em países para os quais visita ou emigra. Quando um missionário usa com sabedoria esta habilidade do ser humano, que inclui a de se adaptar em outros grupos sociais, ele termina despertando naquela sociedade uma expectativa em relação ao seu desempenho nas atividades daquele grupo e assim assume papéis que ao longo do tempo lhes são confiados pela sociedade.
Nossos missionários transculturais, além de terem a chamada para a nação na qual estão inseridos, também são treinados em agências parceiras como: WEC (Missão Amém), Kairós, Jocum, AME, entre outras, o que os habilita para o que aqui estamos chamando de Socialização Transcultural.
Este é o caso do casal de missionários na República Dominicana, José Luis e Yomary, que ao longo de seus ministérios interagem com a sociedade onde são obreiros, dando a esta a oportunidade de participar de atividades educacionais, sociais e evangelísticas. A estratégia tem aproximado a comunidade da igreja e por conseguinte da Palavra de Deus, compartilhada no tempo certo e com a devida sabedoria.
Os missionários José Luis e Yomary oferecem cursos, encontros, formam grupos familiares e os atendem em suas diversas necessidades, oferecendo às famílias apoio e ajudando-as a superar crises e a continuarem inseridas nos diversos grupos sociais.
Abaixo, fotos de momentos de socialização dos nossos missionários na República Dominicana:

Palestra para os pais dos alunos

Pais de alunos do curso oferecido pelos missionários.

Miss. José Luis em visita ao Haiti

Alunos do Curso oferecido pelos missionários às crianças de sua comunidade.

Miss. Yomary interage com as crianças.

Miss. José Luis: interação com a sociedade.

Criatividade no ensino.

Miss. Yomary: Diálogo com a garotada.

Miss. Yomary durante discipulado.

Casal entrega material a aluna do curso oferecido por eles.
Por Pastor Raimundo Campos
Secretário de Comunicação Semadesal

19 de ago de 2011

HOMILÉTICA PARA PROFESSORES DA E.B.D.

O USO DA HOMILÉTICA NO PREPARO DA LIÇÃO DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


Obviamente que a homilética é tão indispensável para o pregador quanto para o educador, por isso entendo que todo Professor da Escola Dominical deve ter noções desta ciência tão importante no preparo e exposição da lição na classe da EBD.
A exposição abaixo é apenas uma noção de homilética e alguns conceitos divergem de autor para autor, mas tais divergências não comprometem os princípios fundamentais da arte de preparar e expor sermões.

I - CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES

  1. SERMÕES HOMILIASTAS TEMÁTICO OU TÓPICO: Neste tipo de sermão , o título principal, não se baseia na análise de um versículo ou passagem, mas na análise do assunto. Suas divisões provém do assunto independentemente do texto.

  1. SERMÃO TEXTUAL: É aquele em que as divisões principais são derivadas de um texto constituído de uma breve porção da Bíblia.

Na lição da E.B.D. onde o ensino explora o texto, o Professor deve:

ü Fazer um estudo completo do texto;

ü Descobrir nele a idéia dominante;

ü Estabelecer as divisões principais.

  1. SERMÃO EXPOSITIVO: É aquele em que o Professor expõe um assunto baseado num texto, num episódio ou na vida de um personagem bíblico.
Ex. uma exposição da vida do Apóstolo Paulo.

OBSERVAÇÕES: Neste caso, embora o professor tivesse que ler apenas uma porção bíblica, teria que antecipadamente ler o Livro de Atos, as Cartas Paulinas, livros e enciclopédias que abordem a vida deste personagem.

II - O PROFESSOR E O ASSUNTO DA LIÇÃO

  1. Princípios Fundamentais na exposição da Lição:
  2. A necessidade da classe como um todo: Para isto deve analisar a faixa etária, a diversidade religiosa, etc.;
  3. Necessidades Individuais: Neste aspecto, o Professor deve lembrar que cada aluno, além de ter necessidades pessoais e particulares, ele também tem o seu jeito próprio e pessoal de ser, pensar e agir.

III - FORMA DE APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

  1. Leitura da Lição: Não se constitui na forma correta para o Professor da E.B.D., a não ser que ele esteja numa assembléia, num parlamento, fórum, solenidades públicas ou privadas.
  2. Recitação da Lição:

2.1. Vantagens:

Ø Dá ao ensino uma apresentação tecnicamente perfeita;

Ø A memória do Professor desenvolve com domínio e coordenação.

2.2. Desvantagens:

Ø Mesmo bem declamado, torna-se robotizado;

Ø A mensagem fica mecanizada e o Professor estático;

Ø Os pensamentos e idéias preestabelecidas afastam aqueles que surgem no momento da explanação;

Ø Perigo da memória falhar, levando o ensino ao fracasso.

  1. Planejado e esboçado: Neste caso, o Professor leva em conta todas as regras de Planejamento e da Elaboração de um Esboço.

IV - AS PARTES DO ESBOÇO DA LIÇÃO

  1. Título:

No caso das Lições Bíblicas, o Título dá nome ao conteúdo do Trimestre. Por isso, o Professor tem que, a cada lição que preparar, não esquecer que está sujeito a um título que está sendo tratado naquele trimestre.

  1. Tema: Da raiz grega “théma” que significa: ponho, coloco, guardo, deposito, trazendo assim a idéia de algo que está dentro ou no meio de alguma coisa.
  2. Texto: Texto deriva-se do latim “texere” que significa tecer e, figuradamente quer dizer: reunir, construir, compor. O texto é o elemento que dá condições de reunir, construir as idéias, os discursos, logo, é o texto que fundamenta uma preleção. Sem um texto, a explanação da lição torna-se sem alicerce.
  3. Introdução: É a parte inicial do corpo da lição, é a plataforma de acesso ao ponto central da argumentação. O propósito da introdução é chamar a atenção do aluno a fim de que desperte seu interesse pelo assunto.
  4. 4.1. Partes da Introdução:

ü Exórdio: prelúdio, as primeiras palavras;

ü Central: a plataforma, onde se estabelece a intenção;

ü Intróito (entrada): a parte final da introdução, que dá entrada no corpo do sermão.

V - CORPO DO SERMÃO OU DA EXPLANAÇÃO DA LIÇÃO

É o conjunto de fatos, de idéias, de provas ou de argumentos arrolados pelo Professor. Deve ser bem apresentado e mesclado com o sabor da graça de Deus (Cl. 4:6; Lc. 9:50).

Exemplo do Mestre dos mestres: L. 4:22; Jo. 7:46b

VI - O OBJETIVO DO ENSINO NA E.B.D.

O Sermão, como o ensino na E.B.D. tem dois objetivos principais:

Ø Persuadir: convencer o aluno a seguir ou acreditar naquilo que está sendo ensinado.

Ø Dissuadir: fazê-lo voltar atrás numa atitude ou estilo de vida errada.

VII - A APLICAÇÃO DO ENSINO

É um dos elementos mais importantes da explanação da lição. Pode ser chamado de convite ou apelo. É quando o Professor obtém o resultado positivo ou negativo daquilo que ensinou.

Todo Professor deve ter em mente que se seu ensino não for contextualizado, aplicado na vida do aluno, todo esforço em elaborar e esboçar cuidadosamente a lição será vão.

Uma explanação sem aplicação é mera passagem de conhecimento.

VIII - A CONCLUSÃO DO SERMÃO

É uma síntese de todas as verdades que foram ditas, não só para destacar e fazer lembrar as verdades principais, mas para ajudar os alunos a se beneficiarem com a mensagem. Por essa razão ela deve ser breve. A conclusão pode ser acompanhada de um cântico, recitação de um versículo e ainda uma tarefa para ser feita em classe ou durante a semana.

Pr. Raimundo Campos

Poque Há Disputas e Divisões No Meio Evangélico

No Brasil, o crescimento do número dos evangélicos, principalmente nos grandes centros urbanos, além de ser uma estatística nas pesquisas de evangelismo, missões e discipulado, é também a oportunidade para quem quer viver regaladamente e fazer do ministério, cabide de emprego.
A falta de um ministério voltado para treinamento de lideranças e a facilidade em abrir igrejas, se tornou condições favoráveis para os chamados "lobos vestidos de ovelhas" e cinicamente disfarçados de "pastores", montar "ministérios", dividir igrejas e tratar os negócios da igreja de maneira meramente política.
Igreja grandes, com entradas de dízimos e ofertas volumosas, são administradas por homens gananciosos que pensam em si e nada mais.
Desvio de verbas, improbidade administrativa, crescimento do patrimônio em pouco tempo de alguns desses líderes, são sintomas que apontam para uma corrupção irmã da que é praticada por políticos conhecidos de todos os brasileiros.
Algumas das chamadas "divisões" que ocorrem em nosso meio, são verdadeiros golpes, outras, são fruto da revolta de quem não se conforma com um sistema falido moral e espiritualmente; então, invoca-e o que meu amigo Eliel Teixeira em seu artigo "CEADEB/CONFRAMADEB - Nossas Opções", chama de "terceira via".
Esta terceira via é vista no contexto geral como mais uma divisão, e a causa é a corrupção reinante dos que querem ser senhores da igreja e não servos dela.
Já tive a oportunidade de visitar igrejas da Assembléia de Deus em outros estados, e fatores como: vocação ministerial, conhecimento bíblico e teológico, liderança e falta de visão, se tornaram entraves quando o assunto é consagração de obreiro. Na maioria das vezes, as consagrações e as indicações para lideranças de igrejas, são feitas de forma meramente política, por indicação e não por revelação.
As recomendações do Apóstolo Paulo para a escolha de obreiros passaram a ser apenas a leitura de um texto antes das consagrações, mas seus princípios não são levados em consideração na hora da escolha dos mesmos. Em muitos casos, por que não dizer, na maioria, os afilhados, ou aqueles que são filhos de pastores são consagrados no lugar de quem realmente tem vocação ministerial, embora reconheçamos que muitos filhos de pastores também tem chamada ao ministério!
Estes fatos, apontam para a causa dos grandes problemas morais e espirituais em que vive a nossa igreja hoje. Líderes neófitos cujo caráter ainda não foram moldados pelo Espírito Santo de Deus, homens que não passaram na Escola do Discipulado pessoal do Senhor Jesus, que não aprenderam a servir, cuja índole ainda é perversa, que vivem de aparência, verdadeiros ímpios no meio do rebanho, estão assumindo posições importantes na igreja, estão minando a igreja espirutual, moral e financeiramente falando.
As disputas e as divisões crescem de mãos dadas com esta triste realidade.
Enquanto não posicionarmo-nos contra este sistema anti-bíblico, humano e diabólico, continuaremos a ver o desenhar de um quadro nesfasto da Igreja de Cristo, teremos que acostumarmo-nos a ver o nome de nossa instituição vilipendiado.
O Apóstolo Paulo preveniu seu filho na fé Timóteo, acerca destes homens, causadores dos maiores desastres no meio do povo de Deus:

"Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.

Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,

Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,

Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,

Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.

Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;

Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.

E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.

Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles."

2 Tm. 3:1-9


12 de ago de 2011

A Natureza do Discipulado

Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.”
Lc. 14:26,27

Na postagem anterior falei sobre o Discipulado como missão da Igreja, isto é, à medida que a igreja anuncia o Evangelho, ela discipula, pois o discipulado é inerente ao evangelismo. Evangelismo sem discipulado, às vezes, pode tornar-se como uma criança que nasceu, mas privada do direito de crescer e viver as experiências singulares da vida adulta.
Hoje, desejo discutir sobre a natureza do discipulado, suas implicações, seu preço. Quando Jesus deu a ordem em Mateus 28:16-20, para discipular, Ele estava falando de algo que já tinha ensinado aos seus discípulos e, portanto, dando-lhes a lição de que, uma vez sendo discipulado, cada discípulo passa a ser um discipulador; esta é uma das máximas do discipulado: discípulo treinado, passa a ser discipulador.
Mas, ser discípulo de Jesus é ser como Jesus, é seguir literalmente seus passos, é estar pronto para pagar o mesmo preço que Ele pagou. Jesus Cristo não é uma "marca" a ser ostentada na camiseta ou no adesivo do automóvel. Ele é Deus e, sendo Deus, se fez homem, tomou a cruz que era nossa, assumiu nosso lugar de pecadores, deu sua vida para salvar a nossa e, seguí-lo, é dedicar-lhe a mesma devoção.

Entendendo a natureza do discipulado

O discipulado implica em amar ao Mestre acima de todas as coisas: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo." (Lc. 14:26).
Aborrecer aqui implica em não atribuir aos parentes mais chegados a mesma devoção que se daria a Cristo, isto é, nem mesmo todo o amor que o discípulo tenha pelas pessoas mais próximas de sua família, pode ser maior que o seu amor pelo Mestre. Aborrecimento não tomado aqui como valor absoluto, pois em outras passagens Cristo ensina-nos a amá-los e honrá-los. Basta um olhar em Gn. 29:30,31 e ver que em algumas versões mais antigas, a expressão "...amou a Raquel e aborreceu a Lia" é a mesma para "...amou também a Raquel mais do que a Lia...". Logo, aborrecer aqui é amar menos, é priorizar o amor a Raquel. Nosso amor para com o Mestre deve estar acima de todas as coisas.

O discipulado tem um custo: "Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que a acabar?
¡Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem, comecem a zombar dele,
¡
dizendo: Este homem começou a edificar, e não pôde acabar.
¡Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?
¡Se não, enquanto o outro ainda está longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo-lhe condições de paz. " Lc. 14:28-32
Sempre que lemos este texto lembramos sobre planejamento, mas na verdade a lição central deste texto está relacionada com o discipulado e ela é o custo, o preço a ser pago para seguir o Mestre. Jesus queria dizer que, assim como é insensato lançar mão de um grande empreendimento sem pagar o custo do planejamento, investir em plantas, avaliar os investimentos, assim também quem quisesse ser seu discípulo deveria estar pronto para assumir os riscos e pagar o preço de seguí-lo. Daí Jesus declarar no versículo 33: "Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo."

A natureza do Mestre determina a natureza do discipulado: "Desde esse tempo começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário ir a Jerusalém e padecer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
lPedro, chamando-o à parte, começou a admoestá-lo, dizendo: Deus tal não permita, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.
lMas ele, voltando-se, disse a Pedro: Sai de diante de mim, Satanás; tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não cuidas das coisas de Deus, mas sim das dos homens.
lEntão disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
lPois o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e o que perder a sua vida por minha causa, achá-la-á.
lQue aproveitará o homem, se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?
lPois o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.
lEm verdade vos digo que alguns dos que estão aqui, de modo algum morrerão, até que vejam o Filho do homem vir no seu reino. " (Mt. 16:21-28)
A declaração de Jesus sobre sua morte na cruz foi tão forte para Pedro, que se deixou ser usado por Satanás, conforme afirmou Jesus. Pedro não aceitava que o Mestre fosse vilipendiado sobre a cruz. Jesus então o choca ainda mais, dizendo-lhe que seus discípulos, se quisessem seguí-lo, deveriam estar prontos para o mesmo. Parafraseando Jesus: "se eu, o Mestre, estou estou disposto a dar a minha vida por vocês, renunciando tudo por vocês, estejam também preparados para perderem tudo por a mim" Seguir Jesus é estar disposto a perder para ganhar! A natureza do Mestre determina a natureza do discipulado!

Não há fidelidade parcial no discipulado: "Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo." (Lc. 14:33)
Renuncia é o cerne da questão em discipulado. Se não formos capazes de renunciar a tudo por a Cristo, não pensemos que então poderemos ser um discípulo abaixo da média, ou um discípulo mais ou menos, não. Se não pudermos renunciar o que nos parece precioso por amor a Cristo, então, não podemos ser seus discípulos, é questão sine qua non.

O discipulado no entanto, não é um processo onde apenas renunciamos, "perdemos", de forma alguma, ele implica também em ganhos e recompensas. Quero encerrar com o texto de Mc. 10:28-30:
“E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos.
E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,
Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.”

6 de ago de 2011

Discipulado: A Missão da Igreja.


"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" Mt. 28:19

O texto do ide imperativo de Jesus em Mc. 16:15 é o mais usado quando o assunto é a evangelização dos povos. A proposta do texto de Marcos aponta para uma pregação do evangelho sem fronteiras, (por todo o mundo); a cada pessoa, (a toda criatura). Mas a leitura superficial e desinteressada pode conduzir-nos a ignorar a essência da evangelização. Larry Richards, em seu livro "Teologia do Ministério Pessoal" diz que “a missão da igreja não é simplesmente conseguir conversões, mas completar o processo da vida cristã fazendo discípulos”. Portanto, o discipulado é parte intrínseca da evangelização. Um trabalho evangelístico que visa apenas conversões, é incompleto e não atende à proposta da grande comissão.
Nas palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus, o discipulado é apontado como meio de alcançar as nações, é a tarefa a ser desempenhada pela igreja. Não é um programa para manter os fiéis, mas a natureza da pregação, o meio de anunciar aos povos o evangelho.
Na maioria das igrejas de hoje, o discipulado ficou reduzido a uma tarefa a ser desempenhada por uma liderança de Discipulado, ou a professores da EBD. Lançamos sobre eles a responsabilidade que é de todo o corpo de Cristo.
Quero abrir a discussão sobre discipulado lembrando as algumas palavras usadas no grego do Novo Testamento, são palavras que definem a natureza do discipulado e nos coloca diante de nossa responsabilidade como discípulos de Jesus.
Akoloutew” (Akolouteo). Traduzida por "seguir", indica a ação de uma pessoa atendendo ao chamado do Mestre (Mt. 9:9). É mais que um atender filosófico ou ideológico, requer uma atitude real e prática de seguir. Exige a reformulação da vida de quem atende ao chamado. O texto de Mt. 9:9 diz que, ao ouvir o chamado do Senhor Jesus, Mateus "levantando-se, o seguiu". Ele entendeu a natureza daquele chamado, ele sabia o que Jesus queria dizer-lhe com a expressão "segue-me". Jesus o desafiara a abandonar a coletoria, a sair literalmente, a mudar o estilo de vida por conta do chamado.
Luiz Gustavo Correa Bueno, em seu artigo "O Discipulado na Missão da Igreja" diz que a mesma palavra é usada em Mt. 8:22 "para denotar a prioridade que os seus seguidores (de Jesus) deveriam ter para com o seu projeto."
Mathetes”, (maqhths) “discípulo”. É aquela pessoa que ouve o chamado do Mestre e se junta a ele. Estar com Jesus é a proposta no discipulado, não apenas tê-lo. Mathetes é a raiz da palavra "mantano" que significa "adaptar-se". A proposta aqui é adaptar-se a uma nova vida. Em João 1:35-39, dois dos discípulos de João Batista decidem seguir Jesus e passam um dia inteiro com o Mestre. A decisão, mostra-nos que ambos estavam dispostos a readaptarem-se suas vidas para seguir Jesus Cristo.
A outra palavra é "mimeomai" e está relacionada com o comportamento modelado em outra pessoa, isto é, os discípulos de Jesus levam pessoas a Cristo pela sua maneira de viver. Portanto, em mimeomai, discipulado é o transmitir Cristo com a própria vida, de tal forma que seu estilo de vida deverá ser copiado por discípulos que ainda estão no processo do crescimento espiritual.
Concluindo, a proposta da Grande Comissão em Mateus 28:19 é levar as nações a conhecer a Cristo através de um processo de ensino (Discipulado), que os leve a tomar a decisão radical de atender literalmente ao chamado do Mestre, juntando e adaptando-se à nova vida proposta pelo Evangelho, tornando-se pessoas tão transformadas pela Palavra de Deus que seus comportamentos passarão a ser copiados, reiniciando assim mais um processo de discipulado, e, enfim, cumprindo a papel da Igreja na terra.