15 de fev de 2012

O Tradicional, o Teológico e o Novo.

Hoje: o Tradicional.

O pensamento tradicional, como já indica o nome, pauta sua crença na tradição, naquilo que lhe foi passado com argumentos supostamente bíblicos e que se firmou ao longo dos anos como verdade fundamental. Aquilo que acredita é, na maioria das vezes, fruto de uma teologia terrorista e fundamentalista, com um discurso impiedoso para com os que trafegam na contramão de seus ensinos.
Obviamente que não falo da ortodoxia e seus valores e princípios, mas de uma tradição cravada no pensamento protestante pentecostal, a partir de uma hermenêutica equivocada e desprovida de profunda exegese.
O pensamento tradicional tem um olhar arrogante e discriminador. Olha para a vida a partir dos ensinos nunca questionados e supervaloriza a experiência em detrimento da ciência e da revelação da Palavra. O tradicional é extremamente resistente às mudanças e as tem como ameaça ao que considera ortodoxo e verdade incontestável. Novos viés do pensamento cristão nunca são permitidos, discutí-los seria, inclusive, afrontar a "verdadeira fé".
Uma coisa a apreciar neste tipo de tradicional, é a capacidade de não abrir mão dos seus princípios. Pena que nem sempre esses princípios tem fundamentação bíblica; a maioria surge a partir de meras tradições, como os fariseus que, na época de Jesus, tinham acrescentado à Torá, cerca de seiscentos princípios meramente humanos (Marcos 7:6-13).
Paulo, escrevendo aos Colossenses alertou-nos acerca do perigo de tornarmo-nos prisioneiros das tradições dos homens (Cl. 2:8), e insistiu para que não nos sobrecarregássemos com elas (Cl. 2:20).
Não devemos ignorar o fato de que a tradição deve ser vista a partir de seus contextos: Tradição cultural, religiosa, familiar, etc. 
Todavia, o que acontece na tradição pentecostal no Brasil, é que ela não nos pertence, veio de fora, e encontrou solo fértil em terras tupiniquins. Isto porque a teologia pentecostal foi sendo construída sob o calor da experiência e esta se tornou fundamental, a ponto de, às vezes, equiparar-se ao das Escrituras.
Há um perigo quando procuramos fundamentação bíblica para nossas experiências. O certo seria fazer passá-las pelo crivo da Escritura!
Embora saibamos que a experiência do Batismo com ou no Espírito Santo, por exemplo, seja real, outras experiências transcendentais passaram a ter mais valor entre nós que a Escritura e passamos a construir preceitos e forçamos sua fundamentação bíblica, fazendo hermenêutica equivocada.
É neste clima de experiências e escassez do ensino bíblico, que o pensamento pentecostal tradicional é forjado, principalmente em regiões de nossa nação onde o incentivo ao estudo sistemático da Escritura é negligenciado.
Na verdade o pentecostalismo brasileiro, associou costumes estrangeiros, principalmente europeus, aos ensinos das Santas Escrituras. Interpretações grotescas, aliadas ao sentimento experiencial, formou uma tradição que imperou em Igrejas como Assembléia de Deus e Deus é Amor, e que hoje são facilmente questionadas e, a maioria, feitas em pó, face à Palavra de Deus.
Existe um tipo de tradição que carrega valores éticos, morais e espirituais que precisam ser preservados e vividos intensamente, não só por pentecostais, mas por todos os protestantes e qualquer ser humano comprometido com valores e princípios. Mas há tradições, resultado de equívocos teológicos e de visão da vida, que resultam em "aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl. 2:23)
Gosto da explicação de Paulo em Colossenses, porque define o tipo de tradição de que estou tratando aqui. Observemos:
Do versículo 13 ao 15, o Apóstolo descreve a maneira sobrenatural como Cristo nos libertou do pecado despojando até os principados e potestades e os expondo publicamente. A partir do versículo 16, ele mostra-nos que por este motivo, não devemos aceitar que nos julguem a partir de preceitos como aqueles relacionados ao comer, beber ou guarda de dias especiais ou sagrados. O Apóstolo dos gentios deixa claro ainda que corremos o risco de sermos dominados pelo bel prazer de quem prega tais preceitos.
Permitir que tais tradições nos domine, diz Paulo, é permitir viver como se estivéssemos no mundo (v. 20) e assevera que tais tradições perecem pelo uso e são fruto de doutrinas dos homens! (v. 22).
Concluindo, só a Escritura pode levar-nos a uma vida abundante. Precisamos abandonar tradições que nos aprisionam do lado de fora da porta que nos conduz aos tesouros incomparáveis da Palavra de Deus. Precisamos reanalisar e questionar nossas tradições, fazê-las passar pelo crivo da Escritura e estar prontos a renunciar aquelas que nos mantiveram longe de uma experiência mais profunda com Deus e do conhecimento de sua Palavra.

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