3 de mar de 2012

Mudanças na Mentalidade Missionária da Igreja

Louvo a Deus pelas profundas transformações, a partir da década de 80, ocorridas no protestantismo brasileiro, em relação a obra missionária. As primeiras reuniões internacionais, as primeiras discussões interdenominacionais, os primeiros acordos mundiais em favor de missões por líderes evangélicos, possibilitou o abrir de uma nova visão e o começo do elaborar de estratégias inovadoras que resultaram no envio e investimento em favor de missões.
Agências foram criadas, Secretarias montadas e obreiros se dispuseram à tarefa de fomentação, sustento e envio de mensageiros, tanto transculturais, quanto locais. Novas portas se abriram na chamada Janela 10/40, tão conhecida a partir de 1989, novos caminhos foram traçados, pesquisas foram financiadas, a fim de que conhecêssemos povos não alcançados e até a Igreja Perseguida, esta última, muito desconhecida ainda hoje, de muitos evangélicos nacionais.
Uma pesquisa publicada no Blog do Pr. Luiz Leandro, do Centro de Estudos do Cristianismo Global da Universidade Gordon-Conwell, aponta que o Brasil cresceu em média de 70% em relação ao ano 2000, no envio de missionários. A pesquisa considera que tal crescimento se deve ao fato de o Brasil ter adquirido "um senso maior de responsabilidade pelo mundo exterior, pela estabilidade econômica, por suas conexões de idioma com a África e por um desejo de oferecer uma evangelização que, diferentemente da praticada pelos EUA, não carrega o fardo de invasões", isto é, o Brasil é conhecido como um país amigo de todos os outros, com boas relações internacionais.
Todavia, ainda nos encontramos no processo dessas mudanças, os alvos não foram atingidos em sua totalidade ainda. Quero destacar aqui dois problemas neste contexto.
Primeiro, como bem indica a pesquisa americana, o Brasil tem boas "conexões de idioma com a África", e, acrescento, não só de idioma, mas de cultura e costumes; conexões étnicas profundas. E, por causa disto, um esforço notável tem se percebido para alcançar países como Guiné Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique e até São Tomé e Príncipe. Guiné Bissau e Angola são o países que mais recebem missionários brasileiros. Angola, por exemplo, está sendo reconstruída por brasileiros. Milhares de brasileiros estão lá, como dezenas de empresas nossas também.
Mas o norte africano, onde se concentra a maior população muçulmana da África, não recebe a mesma atenção! Países como Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia e Somália, este último com 100% da população sob o domínio do islamismo, deve se tornar, urgente, alvo dos esforços missionários brasileiro.
Que dizer da Ásia, em especial o Tibet, sob domínio da China comunista, que nesta semana chegou a exercer controle ao acesso a internet e o uso de celulares. Segundo o site do Estadão, "o anúncio significa que as comunicações via celular e internet, serão monitoradas e censuradas com ainda mais rigor."
E o Irã? Este é famoso pela suspeita de fabricação de bombas nucleares, o que ameaça a segurança internacional e pela intolerância para com outras ideologias, principalmente religiosa. É lá que o Pastor Yousef  Nadarkhani foi condenado a morte por enforcamento, por causa de sua fé em Cristo!
A Igreja brasileira precisa despertar urgentemente para esta realidade! Nossos esforços missionários precisam ter como alvo os povos não alcançados.
Como Secretário de Comunicação da Semadesal (Secretaria de Missões da Assembléia de Deus em salvador), percebo que a igreja atende à visão dos candidatos aos campos missionários e está desprovida de uma visão dada por Deus!
Não podemos mais nos dar ao luxo de viver sem visão de Deus e a serviço de "chamadas" que não atendem o propósito de Deus para estes dias! A igreja precisa buscar urgentemente uma direção do Espírito Santo, precisa gastar tempo na presença de Deus, a fim de ouvir sua voz e receber sua revelação em relação ao mundo perdido.
O segundo problema diz respeito ao interior da nação. Pesquisas apontam, por exemplo, que somente 1% da população no nordeste baiano, é de fé evangélica! O que significa para nós que há uma multidão a ser alcançada nesta região. O pior, não temos órgãos que forneçam pesquisas precisas em relação ao sertão brasileiro, não há programas de estudo e treinamento para obreiros para este contexto, o número de vocacionados para trabalhar no sertão brasileiro, com destaque para Bahia, Piauí e Pernambuco é muito pouco.
Precisamos lembrar que a pesquisa americana citada acima deve levar em consideração a desproporção dos esforços missionários de nossa nação. Enfatizamos demais determinadas necessidades e fechamos os olhos para outras tão importantes quanto estas, gerando assim, uma negligência para lugares onde o Evangelho quase ou nunca, alcança.
A Coordenadora de Missões da Assembléia de Deus em São Cristóvão, Setor 11 da Adesal, diz que "missões é uma questão também, de educação", isto é, a igreja precisa ser educada em relação a missões, devidamente informada. A educação missionária parte do pressuposto de que, a igreja deve investir em ensino, pesquisa, treinamento, campanhas de despertamento, informação precisa e atual, além de uma conscientização da revelação do Espírito Santo para a carência das nações nestes dias!
Concluo dizendo que, apesar de alguns avanços, a mentalidade missionária da Igreja brasileira, especialmente em minha querida cidade de Salvador, ainda está em processo de mudanças, mudanças que vem a passos muito lentos, desprovida de visão bíblica. Entendo que a igreja não pode atender ao grito secular que está em voga, mesmo quando o assunto é missões, ela precisa viver sob a constante orientação de Deus e informada acerca do que está acontecendo no mundo.

Pr. Raimundo Campos
Secretário de Comunicação da Semadesal

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