4 de abr de 2012

A Missão de Ensinar - Parte I

Cerca de 700 anos antes de Cristo, o profeta Isaías ouviu o ressoar da voz do Deus de Israel na visão do templo que revolucionou sua vida. A voz dizia: "A quem enviarei?..." A grande pergunta hoje é: "Quem ensinará?" Quem aceitará o desafio de trazer o povo de volta à Palavra? Quem quererá ser impopular? Sim, o ministério do ensino tem uma proximidade muito grande com a impopularidade.
Quem se aventura nas veredas da pesquisa e do ensino sistemático e exaustivo das Escrituras, tem grande possibilidade de não receber tantos convites quanto recebe um Conferencista comprometido com a teologia triunfalista. 
A igreja evangélica brasileira vive um estado de ignorância bíblica, o analfabetismo bíblico e teológico favorece as pregações infundadas e afirmativas heréticas aclamadas em livros e vídeos que surgem como novidade para um povo que deixou de lado o costume pela meditação nas Escrituras. Alguns se quer confrontam tais aberrações teológicas com a Bíblia. Se faz necessário uma pergunta básica: Porque o povo tem se afastado tanto das Escrituras?
Primeiro: Porque o povo gosta de novidades (At. 17:21). A novidade atrai, como o nome já diz, a novidade traz o novo, o "inédito", a novidade chama a atenção; até ela ser contraditada, se houver necessidade, ela já formou seguidores e já conseguiu quem a defenda com paixão.
A novidade que contradiz a Palavra de Deus acha terra fértil onde a ignorância bíblica é senhora e a preguiça e indisposição pelo estudo das Escrituras dominam, onde princípios são desprezados e o relativismo reina. As novas tendências espirituais e "bíblicas" espalham-se como erva daninha em nossos púlpitos sob o olhar omisso de líderes que argumentam que, "se o povo gosta..." ou ainda, "se não for assim, a igreja esvazia!".
A pregação de Jesus, apesar de ser ousada e ter trazido uma proposta vista sob a ótica da novidade, no fundo ratificava os princípios da Lei. A mensagem de Jesus era estribada em princípios estabelecidos por Deus e exarados nas tábuas da lei mosaica. Daí, Paulo dizer que "Cristo cumpriu a lei".
A novidade de Jesus não contradizia a Lei, antes a ratificava. Foi vista como novidade porque os sacerdotes e os da seita dos fariseus e saduceus haviam transformado a lei em uma série de regras e tradições em detrimento aos princípios éticos e morais estabelecidos na Lei (Mc. 7:9).
Mas o que se vê hoje é: inovações teológicas que discrepanciam-se das Escrituras achando lugar em nossos púlpitos e seminários, sendo vendidas em vídeos e livros e sendo digeridas sem escrúpulo por quem ficou sem o conhecimento da verdade!

Segundo: A liderança evangélica está crescendo assustadoramente, mas sem critérios. Esse crescimento, esse surgimento de novos líderes, forjados nas circunstâncias das disputas e insatisfações, tem criado uma geração de obreiros sem chamada e sem conhecimento da Palavra de Deus. Poucas instituições estão preocupadas com a formação de seus líderes.
A palavra do momento é crescimento e não conhecimento. Isto tem causado um grande problema! os planos de evangelismo são criados visando CRESCIMENTO e não salvação. Quando o crescimento irresponsável passa a ser o foco de uma liderança, a qualidade fica comprometida.
Esse descaso com a formação de líderes chamados por Deus e comprometidos com a Palavra de Deus, tem feito surgir líderes despreparados, que formam outros líderes despreparados, que não terão nada que ensinar ao rebanho, formando assim o ambiente necessário para o surgimento de heresias e a formação de uma mentalidade cristã distante do conhecimento de Deus.
Nossos púlpitos estão vazios da Palavra, nossa liturgia é ocupada com coreografias e cânticos intermináveis, enquanto no canto escuro dos últimos instantes de nossas reuniões um texto mal explanado é dito e somos despedidos com a falsa idéia de que Deus falou. Não tenho dúvida de que nós os líderes somos os maiores culpados.

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