7 de abr de 2012

A Missão de Ensinar - Parte II

Terceiro: O ativismo do presente século. O ativismo é uma atitude moral que prioriza as ações, as atividades, em decorrência das necessidades do dia-a-dia, em detrimento dos princípios teóricos e que tem influência direta naqueles de ordem moral, ética e religiosa. O ativismo bate de frente com as palavras de Jesus em Mateus 6: 31-34. 
O ativismo do século XXI representa a busca exacerbada pelas coisas que, nos ensinos de Cristo, deveriam vir em consequência de uma vida dependente dele. Não estou dizendo que não devemos cumprir com nossa obrigação de prover os meios pelos quais vem nossa sobrevivência e nosso status quo, mas  a necessidade de que tais coisas não devem assumir em nossa vida o lugar que está reservado para Deus e seu Reino.
O fato é que o ativismo nos coloca nos clausuros das reuniões, cursos, atividades esportivas, lazer, provas, concursos, viagens, ensaios, etc, e nos mantém distantes de uma vida de relacionamento com Cristo e sua Palavra. 
Por causa disto, alguns líderes estão se acostumando com sua capacidade de preparar sermões, aprendida nos cursos de homilética, e não gastam mais tempo com o estudo exaustivo das escrituras, fazendo com que a tarefa de preparar sermões se torne numa atividade técnica da homilia.
Por causa do ativismo, alguns recorrem a mensagens prontas disponíveis em sites, livros, áudios, vídeos e dão à igreja um alimento desprovido de vitaminas espirituais importantes para um crescimento sadio do rebanho. 
Esta atitude irresponsável vem fazendo de alguns líderes mercenários e não pastores. Líderes e liderados, pastores e rebanho vem se fazendo escravos de um sistema ativista que não permite a ambos o investimento de tempo no estudo e na pesquisa da Palavra de Deus.
A missão de ensinar no presente tempo se torna mais árdua, porque se faz necessário um reformular das atitudes, uma volta aos princípios relacionados com a necessidade do ensino e do aprendizado das Escrituras.

Quarto: A reformulação da liturgia hodierna. A liturgia evangélica,  principalmente a pentecostal, vem sofrendo nos últimos vinte anos, mudanças que chegam a interferir nas questões espirituais. As novidades do "gospel", surgidas principalmente nos movimentos neo pentecostais e aclamadas em shows e apresentações, tem transformado o culto em teatro, as manifestações de glorificação a Deus em meras explosões de alegria e prazer, e deixando cada vez mais distante a Palavra de Deus. 
Não sou contra a mudanças salutares no culto ou aquelas que nos contextualize, mas sou contra aquelas que ferem princípios invioláveis da adoração a Deus, aquelas que nos mantém ocupados mas não envolvidos com o principal objetivo do culto que é adorar a Ele. 
O cultuante não é um expectador, é um adorador. Não me interesso numa reunião que me obriga a ficar duas horas ou mais dando "ibope" a "artistas", fazendo número para espetáculos e apresentações. Não. Me interesso em culto, em adoração e meditação da Palavra de Deus. 
As novas tendências da "adoração", ensinadas até em Seminários e Congressos de "adoradores", com jargões importados dos movimentos evangélicos americanos, com roupagem moderna e linguagem de uma teologia triunfalista e antibíblica, estão tomando o lugar daquele que deve ser o centro das atenções: Deus. Por causa disto, sua Palavra não tem lugar nesses novos "cultos"!
Tenho que fazer novamente a pergunta: Quem ensinará? Quem está disposto a cumprir a árdua tarefa de fazer a multidão voltar aos princípios elementares da Palavra de Deus, princípios que andam na contra mão desta liturgia que, aos poucos, se enraízam e tomam o lugar das Escrituras?

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