17 de mai de 2012

Para Pensar e Mudar

A pior coisa da vida é quando não conseguimos ser aquilo que fomos criados para ser ou quando não fazemos aquilo que fomos criados para fazer. Pior ainda é quando vivemos uma vida para a qual não fomos criados. O resultado é uma frustração que desencadeia uma série de derrotas que poderão se tornar irrevogáveis. Tenho visto nosso cristianismo moderno e nossa adoração "extravagante" e "apaixonada", se transformar numa série de promessas antibíblicas e redundar numa filosofia barata e charlatanista.
Vejo as pessoas entrando e saindo dos cultos sem perspectivas e desiludidas, chorando suas dores e sem vivenciar nenhum consolo. Uma vida plena e cheia do Espírito Santo se tornou utopia. A verdadeira vida abundante parece mais um conto do imaginário cristão e a vida eterna se tornou numa fábula de um mundo longínquo. 
A pregação não mais toca as almas e não é mais capaz de ir até a divisão da alma e do espírito e não mais revela os segredos do coração dos ouvintes. Ao invés disso, transformou-se num repetir de velhos bordões e de gritos emocionalistas que não dizem mais nada.
Estamos vendo surgir uma geração longe do amor sacrificial e da verdadeira bondade, distante dos princípios mais elementares da Escritura Sagrada. Uma geração que grita, mas não louva, chora mas não se compadece, dança mas não adora. Uma geração que não mais influencia, antes adota padrões do presente século para agradar um público ávido por novidades. 
A ferida está se tornando incurável e o óleo que sara, já não se acha mais em "Gileade". Crentes indiferentes e de caráter duvidoso assumem postos antes ocupados por santos e fiéis. A nossa música  é de filosofia humanista e a inspiração se tornou em, apenas, uma capacidade poética. 
Os nossos ministros da adoração se tornaram "artistas" e nossos líderes espirituais, astros dignos de aclamação. Alegam ter uma "nova unção" (?) e viver sob uma autoridade "apostólica", pregando o "ano apostólico", ano de Elias", ano da restituição". São personagem principal, protagonistas, enquanto Cristo, um deus a seu serviço, um "impotente", escravo de sua "palavra", portanto, obrigado a atender aos caprichos desses "bispos" e "apóstolos"!
Enquanto isto, campeia o analfabetismo espiritual e a ignorância bíblica é a marca desta geração egoísta e sem amor a Cristo e sua palavra. O Evangelho pregado em nossos púlpitos não cumpre mais a tarefa de evangelizar, mas de entreter. O que mais importa é que todos se sintam bem. 
Fico imaginando Cristo em seu duro discurso vendo a multidão aos poucos se ausentar e abandonando-o. Qual foi a sua reação? Mudou ele a estratégia para ver de volta seus seguidores? Foi atrás deles persuadindo-os a voltar com a promessa de que mudaria sua homilia? NÃO. Antes, voltou-se para seus discípulos e perguntou-lhes se não queriam ir também. Pedro, naquele momento, percebeu que, apesar de serem duras aquelas palavras, eram verdades profundas e "palavras de vida eterna"! (Jo. 6:64-69).
No auge de seu ministério, com uma multidão à sua procura, disputando uma vaga nos barcos que faziam a travessia do mar da Galiléia, a fim de vê-lo, Ele, o Mestre do Amor, não teve receios em dizer: "Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes."(Jo. 6: 26)
Embora soubesse que dificilmente seria compreendido, Jesus pregou a mensagem que aquela geração precisava ouvir. Usou uma linguagem difícil e deixou uma mensagem de difícil aceitação. Se apresentou como o pão da vida, superior ao maná descido do céu na época de Moisés. Se mostrou como aquele que sacia a fome espiritual da humanidade. Aquilo era muita "presunção", deve ter pensado os judeus. Mas era esta a mensagem de Jesus da qual ele não abriria mão. Em seu discurso, denunciou a incredulidade de seus ouvintes (Jo. 6: 64). Tinha, como bom líder, a percepção de quem o seguia com o coração (Jo. 6: 64).
Algumas autoridades espirituais neste país, publicam artigos, promovem encontros, fóruns e debates para discutir a atual situação da igreja. No entanto, alguns desses líderes fazem parte de organizações religiosas que não estão interessadas em mudanças, outros são muito bons de discurso, mas quando voltam às suas denominações continuam como peças de uma engrenagem que favorece a atual situação.
Um grito precisa ser dado. Não, mais que um grito, uma atitude precisa ser tomada. 
Enquanto escrevo, me culpo, me cobro, me indago. Quando esta inércia dará lugar a um fogo consumidor que instintivamente nos empurrará às mudanças significativas, reflexo do meu protesto e da minha inconformação com o estado de coisas que aí está?
Enquanto isto, enquanto a mudança não vem, podemos pelo menos escrever, podemos pelo menos falar, aproveitar nossas oportunidades para fazer a diferença, para pregar o que se precisa pregar, viver de forma a agradar a Cristo e andar na contra-mão deste sistema. Podemos fazer a nossa parte, alertar, ensinar, e anunciar os oráculos do Senhor. Dizer á multidão que não devem vir a Cristo para "comer" e se "saciar", mas para recebê-lo como o "pão da vida" e aquele cujas palavras são de vida eterna. Para aceitarem o desafio de viver acima da mediocridade e terem coragem suficiente para aceitar um estilo de vida comprometido com o Reino de Deus e seus princípios.

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