27 de jun de 2012

A Inutilidade dos Nossos Cultos

Uma análise a partir do que acontece hoje na Assembléia de Deus.

O culto é o momento da reunião dos fiéis que oportuniza:
A adoração;
O compartilhar da fé;
A comunhão;
A edificação.
Os fiéis evangélicos sempre viram no culto a oportunidade de expressar sua fé sem a interferência dos céticos e incrédulos. O culto sempre foi a reunião mais esperada da vida de um salvo a alguns anos atrás. Na busca por uma intimidade maior com Deus, os evangélicos de 20 ou 30 anos atrás, eram capazes de fazerem os mais profundos sacrifícios para estar em um culto de sua denominação. Era prazeroso passar uma hora ou mais de joelhos a conversar com Deus, na maioria das vezes em lágrimas. Também era imensamente bom cantar os velhos hinos da Harpa Cristã e ser consolado pela letra dos hinos de número 198, 200, 514 e por aí vai. Aquilo era útil para nós. Vivíamos para isto. Nossas atividades diárias eram norteadas pela hora do culto. Trabalhar em algum lugar que exigisse a não participação em reuniões de oração e de Escola Bíblica Dominical, era como fazer-nos infiéis e deixasse uma lacuna tão grande, que alguns eram forçados a orar para que a situação fosse mudada.
O culto era útil para nós. No caso da Assembléia de Deus que tem uma liturgia muito particular, onde as reuniões de oração, por exemplo, eram antecedidas por uma hora de oração, seguida por cânticos com uma profunda mensagem, composta por homens e mulheres de Deus como: Paulo Leivas Macalão, Frida Vingren. Emílio Conde, entre outros, vindo depois substanciosos conselhos doutrinários que serviam para alimentar a alma e mantê-la alegre durante as semanas de grandes batalhas do cotidiano, o culto se tornou o principal instrumento de ligação entre o crente e o seu Senhor.
Mas tem hoje o culto a mesma utilidade na vida do crente que teve a alguns anos passados?
Os cultos de hoje em alguns casos, se transformaram numa grande oportunidade para se levantar fundos ou para fazer um espetáculo que garanta a exaltação do homem em detrimento da glória de Deus! Que dizer de cultos (em minha denominação tem muito) onde os ministrantes são despreparados, apáticos e sem a graça de Deus?
Cultos que acontecem só para cumprir uma agenda, só para arrecadar dinheiro. Cultos inúteis. Na maioria dos cultos de hoje canta, mas não adora nem louva. Estou saturado de alguns cantores pentecostais que rasgam a garganta com seus hinos de reteté e letras repetitivas como "você vai vencer" (jargãozinho medíocre, herança do positivismo e da desgraça da teologia da prosperidade).
Nossos cultos se tornaram tão inúteis que durante a semana a povo prefere a novela. Os pastores se ausentam nos cultos da semana e só aparecem, às vezes, no culto de doutrina ou no domingo. Quando aparecem, acham de ficar no gabinete atendendo, deixando a mensagem que o culto em sua igreja é tão secundário e inútil que nem ele mesmo participa.
Nossos cultos se tornaram inúteis porque não há ministro do culto, não há um ministro entusiasmado e dinâmico, cuja vida cheia do Espírito Santo, possa contagiar os fiéis e levar o povo a entender o sentido do culto e da adoração. Nossos cultos se tornaram inúteis porque são repetitivos. Quando digo que são repetitivos, me refiro a falta de ação do Espírito Santo. Quando o Espírito Santo age em um culto, coisas novas acontecem. Nossos cultos se tornaram inúteis porque deixou de ter a exposição da Palavra de Deus. A maioria dos pregadores de nossos cultos não preparam suas mensagens, muitos confiam demais em sua "habilidade" com a homilética e transformam os cultos em palestras vazias e afirmações mais que suspeitas e sem fundamentação bíblica.
Nossos cultos se tornaram inúteis porque o barulho pentecostal que tínhamos a alguns anos atrás era em decorrência do agir de Deus e da presença do seu Espírito. Hoje o barulho é do serviço de som da igreja. Sonoplastas despreparados e ignorantes, tocadores preocupados em mostrar que sabem manusear seu instrumento. Abusam do volume e fazem do culto um lugar insuportável de ficar.
Nossos cultos se tornaram inúteis porque são feitos para atender as expectativas dos chamados "departamentos" da igreja: Departamento de Jovens, de Senhoras, Senhores, etc. Alguns acham que se não fizer um culto onde esses departamentos tenham a participação ativa, desde a direção da liturgia até à pregação, os componentes daquele departamento se desinteressarão por permanecer na denominação. Não tem pensamento mais ignorante e equivocado que este! Ignoram que os mecanismos para manter qualquer crente fiel a Deus e sua denominação vão além do de uma participação em um culto!
O cultos dirigidos por departamentos são em sua maioria monótonos e tiram dos demais fiéis a oportunidade de fazer parte ativa no culto. Os componentes daquele departamento são como atores em um palco de teatro e os demais cultuantes passam a  ser expectadores numa platéia que só faz aplaudir e vibrar vez por outra. Logo, nossos cultos se tornaram inúteis por que vem ao longo dos anos departamentando a adoração e fazendo com que, quem não faz parte de um grupo ou departamento, não tem oportunidade de cultuar. 
Fui pregar num desses cultos de departamento outro dia e ouvi algo que me deixou aborrecido e inconformado: o dirigente do culto falou ao final da participação de seu departamento: "Você que é jovem e não pôde cultuar conosco hoje, venha fazer parte do nosso grupo, para que você possa estar aqui adorando também". Pelo amor de Deus! Essa idéia mesquinha dita por aquele dirigente precisa acabar!
O momento do culto é para todos, independente de fazer parte ou não de um departamento. Aliás, chega de departamento, precisa-se pensar nas pessoas como fiéis participantes de um mesmo rebanho. Precisamos de um culto onde todos são adoradores, onde todos se sentem na sala do trono, diante do Cordeiro, aos pés da cruz, exposto à Palavra de Deus!

Continua...

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