2 de jun de 2012

O Show não tem que parar?

O espetáculo começou. O local já está cheio. Fico abismado como tem tanta gente que se diz professar Jesus. As estatísticas apontam um índice jamais imaginado por nossos pais, aqueles que deram suas vidas por tudo isso que se vê hoje, por todo este movimento que chamamos de "gospel"! Eles estão aqui com faixas na testa escrito JESUS. Mas eles não gritam seu Nome! Nenhuma manifestação de oração é feita antes de começar a festa. Nenhum texto da Bíblia é lido. Euforicamente eles gritam o nome do "artista" que está em alta no momento. Tem outros artistas convidados e umas bandas sem expressão, mas todos sabem que o show é do artista mais esperado. A maioria ficará lá até ele sair do palco, muitos vão "se matar" pra conseguir uma foto, um autógrafo, um aperto de mão, quem sabe um abraço, um sorriso daquele ou daquela que é a sensação do momento. 
Todos gritam e empurram, passam por cima de quem estiver na frente, pouco importa o outro, que se dane o vacilão, o otário. O importante é conseguir um lugar privilegiado e cantar com o astro gospel a música da parada, a mesma cuja letra fala de uma adoração que eles nunca fazem, de um amor nunca vivido, de uma piedade teórica e utópica. 
Os olhos se fecham e se sente no peito a pancada do som, do rítimo, e um sentimento de alegria e êxtase, toma o lugar do que deveria ser a paz de Cristo. Um delírio pelo homem, pela fantasia do momento, pela voz, pela canção. O show começou, mas foi só o show, será só a música e a certeza de uma noite legal e prazerosa, mas que manterá a maioria distante da proposta de Cristo, de adorar "só ao Senhor teu Deus".
Queremos o sonho e a ilusão, queremos a fantasia e a doce sensação de que somos gospel e nada mais, de que estamos enturmados e fazemos parte da multidão que comparece diante de um altar estranho.
Sim, a maioria continuará vazia e terá apenas um relacionamento superficial com o que chamam de "Deus". 
Pobre multidão! Caminham cada vez mais para longe daquilo que tanto querem se aproximar...
O show tem que parar, disse Jon Foreman em uma de suas canções, "...em vez disso, deixe que seja uma inundação de justiça", prossegue Foreman. 
Na verdade, o que pensa Deus de nossos shows e espetáculos? De nossas luzes e delírios? O que pensa Deus dos altos cachês cobrados pelos artistas? O que pensa Deus dos pastores que lançam mão dos santos dízimos e ofertas para sustentar esta indústria implacável, enquanto a obra missionária é esquecida e a ação social nem se menciona? Está Deus ali? Está Deus nos shows que alimentam a glória ao homem e promovem a pessoa humana em detrimento de sua glória?
Deixe Foreman falar:


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