18 de jul de 2012

Os Essenciais Não São Mais Essenciais

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;

O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.
Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.
Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." 
Gálatas 1:6-9


O pensamento aristotélico diz que "essência" é "o indispensável de uma coisa", o fundo do ser, sendo, portanto, oposto ao "acidente" e é "elementos constitutivos de um ser por oposição às modificações superficiais". Os Escolásticos consideram a essência como: "todos os elementos que,  quando dados, põem como dada a coisa, sem que se possa suprimir nenhum deles." Portanto, o que é essencial, não pode ser substituído. O pensamento aristotélico define, portanto, que tudo que não for essencial, é superficial, sendo este sempre secundário em relação ao primeiro.
A partir deste pensamento, a essência, é constituída de elementos únicos e intransferíveis, sendo esses a razão do existir de algo. Por exemplo: a alma. A alma é elemento constitutivo do ser humano, quando esta lhe falta, falta-lhe também a existência (Veja Gênesis 35:18).
O essencial deixa de ser essencial nas atitudes humanas, na decisão do homem em substituí-lo pelo que ele considera ser essencial. É a partir deste pensamento que parte minha abordagem. O essencial não pode ser descaracterizado, não pode ser substituído, não pode ser redefinido.
Quando Paulo acusa os gálatas de passar para "outro evangelho", ele está assegurando que o genuíno evangelho não pode ser reescrito, substituído, reconceituado. Quem se comportar diferente do que diz o Evangelho, na verdade está traindo sua mensagem e sendo portador de uma outra. 
Paulo faz sentenças importantíssimas neste texto:
Primeiro: Qualquer tentativa de redefinir a mensagem do evangelho, de se comportar diferentemente do ele diz, é "transtorná-lo". Transtornar é nada mais, nada menos que "alterar a ordem", "fazer mudar", "trazer perturbação".
Segundo: Uma vez lançado os fundamentos do Evangelho, ninguém pode mudá-lo, nem mesmo "um anjo do céu"!
O pensamento paulino coaduna com o pensamento aristotélico. O essencial é insubstituível. Para embasar o argumento de que o Evangelho é essencial e que, sua mensagem não pode ser alterada, Paulo parte da premissa de que o Evangelho é resultado de uma "revelação de Jesus Cristo" (Gálatas 1: 12b), não sendo fruto do que aprendeu "com homem algum" (Gálatas 1: 12a).
Certo filósofo disse que se quisermos descobrir a importância de algo, basta conhecer ou saber de onde ele vem. Paulo diz que o Evangelho pelo qual ele era capaz de dar sua vida, provinha de Jesus Cristo. Isto era suficiente para assegurar de que o Evangelho é a essência da mensagem de Deus ao homem.
Mas estão querendo transformar o essencial, causando o que Paulo chamou de tentativa em "transtornar do Evangelho de Cristo".  
Em parceria a esta tentativa, está o relativismo aberto. As novas tendências teológicas, o pensamento teológico pós moderno, alguns trajados de liberalismo e outros de ortodoxia moderna, estão transformando a essência em afirmativas ultrapassadas e equivocadas, partindo da revelação de Jesus Cristo para um outro Evangelho.
Essa mudança no pensamento teológico cristão pós moderno é a resposta para as crises vividas na evangelização, discipulado e nas lideranças pastorais. Substituir o essencial é passar daquele "que nos chamou à graça de Cristo para um outro Evangelho".

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