4 de set de 2012

Seja Cínico, Como Jesus...

Bem, antes que você me execre, vamos às definições: cínico, obviamente, vem de cinismo: movimento filosófico fundado por Antístenes de Atenas (444-365 a.C.) que ensinava que, uma vida de felicidade e simples, deveria ter um certo desapego pelos bens materiais e questionar sempre o convencional. A palavra vem do grego "kunikós": aquilo que concerne ao cachorro. Logo, a idéia era que, assim como o cachorro vive desprendido, sem pudores sociais, assim deveria ser a vida de quem realmente quisesse ser feliz.
Na verdade o cinismo pregava o desprezo pelas convenções morais e sociais. O cínico era um crítico do modo de vida da sociedade que gostava de maquiar suas angústias e frustrações e viver hipocritamente. 
Com o passar do tem, a palavra deixou de significar desprezo pelas convenções (atitude que reprova), para significar transgressão dessas convenções.
Segundo o professor Diogo Xavier, em seu artigo "Etimologia-cínico-origem da palavra", a palavra cínico passou a "adjetivar o sujeito sarcástico, que não se preocupa com os sentimentos dos outros". O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella diz que, Jesus conhecia bem a filosofia que, na Grécia fora difundida por Diógenes e, em seus dias, homens como João Batista, era visto pela sociedade como um seguidor do cinismo. 
Sob o ponto de vista da origem da palavra cínico, podemos dizer que Jesus fora o maior deles em sua época. Denunciou a hipocrisia da religiosidade dos seus dias (Mt. 15:7s; 22:18; 23:29, etc.). Ensinou sobre o desapego aos bens materiais (Lc. 12:33), foi indiferente ao comportamento social convencionado. Por exemplo: curou e fez o bem no sábado (Mt. 12:1-12). Os fariseus negavam-se a ajudar o próximo num dia de sábado sob o pretexto de que, no sábado, não se deve fazer nenhuma obra! Jesus se relacionava com os páreas da sociedade (Mc. 2:16, 17), deixava os cheirosos e bem vestidos nas reuniões solenes e era capaz de ficar entre os "inválidos" próximo ao tanque de Betesda! (Jo. 5:1s).
Mas é bom lembrar que o cinismo de Jesus não originava-se em Diógenes ou Antístenes, mas do coração de um Pai amoroso que quer que sejamos autênticos e que não vivamos de acordo com convenções que ferem princípios de sua Santa Palavra (Mc. 7:9-13).
Seja cínico, portanto...  

2 comentários:

Danyllo Araujo disse...

gostei muito da sua explanação sobre a relação entre Jesus e a corrente filosofica do cinismo mas discordo quando o senhor diz que o cinismo de Jesus não é o mesmo dos pre-socraticos O episodio do dialogo entre Jesus e Nicodemos é semelhante ao de Diogenes e Alexandre Em ambos os casos um sabio humilde ensina um homem socialmente importante à negar metafisicas que justificam ideias de superioridade e opressão social O que existe de fato é uma corrente de pensamento humanista antimetafisica que ao longo da historia confronta-se com a metafisica quer religiosa quer filosofica

Pr. Raimundo Campos disse...

Caro Danyllo Araújo, paz. Entendo seu discurso, mas ele está totalmente equivocado. Você diz: "discordo quando o senhor diz que o cinismo de Jesus não é o mesmo dos pre-socraticos..." Não foi isso que escrevi. Leia atentamente. Eu disse: "Mas é bom lembrar que o cinismo de Jesus não originava-se em Diógenes ou Antístenes, mas do coração de um Pai amoroso que quer que sejamos autênticos e que não vivamos de acordo com convenções que ferem princípios de sua Santa Palavra (Mc. 7:9-13).
Logo, perceba, que eu não falei que "não é o mesmo", mas que, "não origina-se". Por isso, também falei o seguinte: "O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella diz que, Jesus conhecia bem a filosofia que, na Grécia fora difundida por Diógenes e, em seus dias, homens como João Batista, era visto pela sociedade como um seguidor do cinismo." Isto posto, fiz sim uma relação entre a filosofia de Jesus com a dos filósofos citados por você. Me desculpe, mas me parece que você não leu atentamente meu artigo ou teve dificuldade de interpretá-lo.
Quando eu disse que não "origina-se", quis dizer que sendo Jesus, o verbo que estava com Deus e era Deus, antes que tudo fosse formado (João 1: 1-3), toda corrente filosófica ´não passa de discursos discorridos de seres humanos falhos criados por Deus. Logo, Jesus precede a todas as coisas, inclusive à ciência e à filosofia!
Outro fato interessante é que não podemos reduzir o diálogo de Jesus com Nicodemos a uma conversa filosófica entre Diógenes e Alexandre, pois o mesmo Jesus disse a Nicodemos: " Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?" (João 3:12). Jesus falava de coisas que não se encontram em correntes ou diálogos filosóficos. Ele falava para Nicodemos de coisas que trascendiam à compreensão humana! Grande abraço meu amigo.