29 de dez de 2012

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia"


Pensando em " Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti, me reportei à igreja evangélica e cheguei à seguinte conclusão, que me permita a nobre senhora poetisa:


"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia"

A gente se acostuma a chegar tarde no templo. E porque chega tarde, não dá tempo para orar. E porque não dá tempo para orar, logo se acostuma a não orar no cotidiano. E porque não ora no cotidiano, perde a relação com Deus. E por perder a relação com Deus, já não ouve sua voz. E por não ouvir sua voz, passa a tomar decisões próprias. E por tomar decisões próprias, fica à mercê das desventuras. E por ficar à mercê das desventuras, passa a culpar a Deus pelas desgraças. E por culpar a Deus das desgraças, se afasta dele...
A gente se acostuma a ser o que a comunidade evangélica a qual pertecemos diz que devemos ser. E por se acostumar a ser o que eles querem que sejamos, não procuramos saber de Deus, pela sua Palavra, o que Ele quer que sejamos. E por não ser o que Ele quer que sejamos, acostumamo-nos com a hipocrisia. E por nos acostumarmos com a hipocrisia, passamos a ser hipócritas também com o irmão de fé. E por sermos hipócritas com ele, a fraternidade se afasta de nós. E por ficarmos longe de qualquer sentimento fraterno, ficamos egoístas. E por sermos egoístas, nosso irmão sofre em sua dor, em sua solidão e morre.
A gente se acostuma a dar glória a Deus. E por se acostumar a dar glória Deus, fazemos isso pelas razões mais fúteis, sem percebermos que às vezes o fazemos por coisas que o próprio Deus reprova. E por darmos glória a Deus por coisas que Ele reprova, aprovamos o pecado. E por aprovarmos o pecado, nos tornamos inimigos de Deus.
A gente se acostuma com o perdão, o perdão leviano. E por se acostumar com o perdão leviano, não bíblico, a gente perdoa, mas não trata, não disciplina. E por não tratar e disciplinar, a gente termina aprovando o pecado...
A gente se acostuma com a submissão, submissão cega. E por sermos cegamente submissos, deixamos que outros nos humilhem desnecessariamente e desprezamos nosso próprio valor. E por desprezarmos nosso próprio valor e capacidade de argüir, deixamos que o ímpio reine com nossa complacência. E por deixarmos que o ímpio (travestido de ungido) reine, deixamos também a obra de Deus sofrer danos. E por a obra de Deus sofrer danos, perdem-se as vidas conquistadas com lágrimas e trabalho. E por perdermos as vidas, perdemos a Igreja. E por perdermos a Igreja, deteriora-se a sociedade. E por deteriorar-se a sociedade, os homens se afastam de Deus.
A gente se acostuma com o mundo virtual no dia-a-dia. E por nos acostumarmos com o mundo virtual, onde não há cara, não há laços, não há toque, calor humano, não há história vivida, passamos ser virtuais com os irmãos. Nos acostumamos com os "nick's", com os perfis "fakes", a ponto sermos fakes com os irmãos em Cristo. Nada de toque, nada de sorriso sincero, nada de visita para um chá, para uma tarde de risadas e contos engraçados. E com isso não oramos pelo outro, não o visitamos no hospital, não inteiramos sua passagem de ônibus para procurar o emprego.
A gente se acostuma a mascar chiclete durante a liturgia. A gente se acostuma a sentar nos últimos bancos do templo, por que dali podemos sair sem ninguém nos notar. E por sair sem ninguém nos notar, ficamos sem ser conhecidos e sem conhecer mais ninguém. E por não conhecer ninguém, corremos o risco de não ter quem nos ajude no dia da aflição. E por não ter quem nos ajude no dia da aflição, morremos sozinhos, porque a gente se acostuma, mas não devia.


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