26 de dez de 2012

Nossos Púlpitos Gritam

Tenho pregado, a convite de amigos meus e de irmãos amados de outras denominações, em vários púlpitos de Salvador e de outras cidades. Em alguns desses púlpitos, tenho compartilhado a mesma mensagem: O Grito de Nossos Púlpitos. A expressão é na verdade para exprimir a necessidade urgente de ouvirmos a Palavra de Deus com o tempo necessário em nossos cultos. Alguns pregadores com o zelo de defender o tempo devido para a pregação da Palavra, terminam diminuindo o valor do louvor e das demais atividades litúrgicas. Não, eu entendo que o louvor e qualquer outra atividade que resulte em adoração a Deus no ato litúrgico, é válido. Todavia, a Palavra de Deus deve ter o seu lugar.
Calvino dizia que as maiores ocupações de um ministro do Evangelho deveria ser o púlpito e o relacionamento amoroso para com suas ovelhas. O púlpito aqui está relacionado, claro, com o momento da ministração da Palavra de Deus! Para homens como Calvino, o púlpito era o altar sagrado da exposição das Escrituras. Nele subiam aqueles que tinham vocação ministerial, sabedoria nas Escrituras, dedicação na preparação do sermão e nas orações. Tinha que ser homem apaixonado pela Palavra de Deus e que gastasse tempo estudando-a e preparando algo para dar ao seu rebanho. Calvino chegou a dizer que, se algum ministro fosse negligente para com a pregação, que fosse tirado do púlpito e perdesse sua credencial de ministro!
Ultimamente, nossos púlpitos tem sido tudo, menos o lugar para exposição das Escrituras. Em tempos de eleição então...vira palanque, plataforma para oportunistas. Não temos levado a Palavra de Deus a sério, apesar de gritarmos aos quatro cantos, ovacionando-a. Na prática, se me permitem a expressão, o temos profanado, com nossas mentes e corações vazios de uma palavra que preencha o coração de quem vem aos nossos cultos. Ouço o grito de nossos púlpitos. Eles estão cheios de homens, mas vazio da Palavra de Deus. Em algumas igrejas, principalmente em minha denominação, o púlpito é o lugar da glória humana, para onde estão dirigidos os holofotes da vaidade e do louvor ao homem. 
Vejo alguns que se dizem ministros, brigarem por um espaço naquele lugar desejado, ambicionado; no lugar onde só deveria subir um homem em cada culto para transmitir com ousadia e graça a Palavra de Deus, expondo-a com sabedoria e temor e com um coração apaixonado pelas almas.
Não defendo a sacralização do púlpito, não meus irmãos, pois o púlpito para mim não é o lugar especial, mais elevado na nave do templo. O púlpito para mim é o momento da exposição da Escritura no culto. É o lugar da revelação da Palavra de Deus através do ministro do Evangelho. 
Todavia, o púlpito, como disse antes, se transformou no lugar do homem aparecer e poder dizer: "eu sou o cara", "olhem pra mim, sou especial, estou num lugar honrado".
Nossos púlpitos gritam porque o estamos confiando a homens neófitos, imaturos e vazios. Homens que, além de não conhecer as Escrituras, como deve todo ministro, não tem interesse em conhecê-la. Alguns sabendo de sua limitação oriunda de sua negligência, "conseguem" dirigir sua congregação, porque vivem a convidar preletores. Outros se conformam em saber que sua congregação alegra-se quando vem alguém de fora ministrar a Palavra de Deus, porque sabem que seu Pastor não tem alimento espiritual para eles. É simplesmente patético!
Nossos púlpitos gritam, porque o confiamos a administradores e dinâmicos obreiros. Aqueles que são capazes de gerar lucros para a administração da instituição, que são capazes de realizar grandes eventos e promover a triste ilusão do número em detrimento do sólido alimento para suas ovelhas. 
Nossos púlpitos gritam porque, ao invés de escolhermos ministros do Evangelho, escolhemos, aqueles com "dom" (parece brincadeira) de construir, de reformar e ampliar.
Nossos púlpitos gritam porque, a geração que orava e estudava a Bíblia está passando e sendo considerada como profetas do calabouço, que devem viver a pão e água, e estamos elevando os que gritam e emocionam, fomentando a cultura de um evangelho contaminado com a Teologia da Prosperidade que, por sua vez, é revestido da filosofia positivista das religiões orientais.
Nossos púlpitos gritam porque temos muitos conferencistas, poucos pregadores. Temos muitos com anel de Capelão, de Juiz de Paz, de Delegado de Direitos Humanos, e poucos, muito poucos mesmo, com uma vida dedicada ao estudo e ensino das Escrituras.
Nossos púlpitos gritam porque estamos transformando o santo ministério em cabide de emprego e vendendo-o a apadrinhados. Lobos famintos, usurpadores da glória de Deus, pestes que engrossam as santas fileiras do ministério pastoral; que envergonham os verdadeiros vocacionados. Matam as ovelhas, dando-lhes um alimento que não a robustece e nem lhe proporciona crescimento.
Precisamos  urgentemente, arrependermo-nos, voltarmos à oração para que o Espírito Santo nos dirija, mostrando-nos os verdadeiros vocacionados. Precisamos de ousadia divina para limpar nossos púlpitos de gente que pode ser tudo, até bom cristão, menos ministros do Evangelho e elevar ao santo ministério obreiros experimentados na Palavra, apaixonados pelas almas e pela Escritura e que tenha habilidade em manejá-la.

2 comentários:

Unknown disse...

Concordo plenamente, uma febre de Conferencistas, que ninguem mais hoje quer trabalhar. Misericordia, Jesus está muito triste com essas coisas, vou parar por aqui, se não...

NEIDE disse...

É lamentável essa realidade!