11 de fev de 2013

O Anúncio Que Surpreendeu


Até agora, a mídia televisa divide sua atenção com a maior festa do planeta, o carnaval, e o anúncio mais comentado em todas as mídias: aquele que fez o próprio Papa Bento XVI. O chamado santo padre pelos católicos e o líder religioso mais respeitado do mundo, parece ter tido uma crise de consciência no alto dos seus 86 anos e renunciou nesta manhã o papado. Um trecho de seu discurso me chamou a atenção e considero algumas lições que devemos levar em conta:

"...Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado."

Primeiro: o Papa observa o contexto em que se encontra inserido: "...no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé..." Ele faz uma avaliação do exercício de seu ministério neste contexto e encontra incompatibilidade. Observa que seu vigor físico, que por sua vez interfere no espiritual, pode comprometer sua missão como aquele que, conforme sua crença, é o Sucessor de São Pedro e, consequentemente, o impossibilitará de atender às demandas de  um mundo "sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé..." 

Segundo: O "santo padre" reconhece sua incapacidade diante de suas fraquezas físicas as quais causam  suas limitações diplomáticas. Parece que o padre alemão não quer causar os mesmos transtornos que o seu antecessor e assim quebra um protocolo somente quebrado em 1415 pelo Papa Gregório. 
Com isto, ele evitará que o mundo, especialmente os católicos, chorem a morte de seu líder e facilitará o processo diplomático do Vaticano. A mais de 500 anos essa atitude é inédita e, embora eu acredite que deva ter algo a mais por trás desta renúncia, o Papa Bento XVI deu, de certa forma, uma prova de humildade e de senso crítico.
Enfim, eu quero ter a mesma atitude quando minhas limitações físicas interferirem em meu ministério. Espero também que muitos dos nossos pastores que se impõem ao pastorado, fazendo sofrer o rebanho, desgastando sua própria imagem e causando transtornos e dores à família, tomem o exemplo do líder católico.

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