9 de mar de 2013

Críticos, Só Críticos.

Por Raimundo Campos

Sem querer fazer uma definição longa e extensa da palavra crítica, deixe-me apenas dizer que, crítica é uma avaliação que julga o mérito estético de uma obra de arte, a lógica de um raciocínio, a moralidade de uma conduta, e por aí vai. Na verdade, etimologicamente falando, crítica tem haver com "quebrar", "fragmentar", o que tem relação com a capacidade de alguém quebrar pra ver como é, daí, esta pessoa poder ser autoridade naquilo que quebrou e estudou. O crítico, portanto, é aquele que conhece e que, por isso, pode julgar, avaliar.
No Brasil sempre tivemos críticos pra tudo, para a política, para as artes, etc. Mas de uns anos para cá, estamos contando com umas certas "autoridade" em religião ou movimentos religiosos, teologia, em pensamento protestante, gospel, etc. Basta você acessar a rede, que lá estão eles com seus vídeos, sites, blogs. O grande problema é que a maioria dessa gente se acha acima da razão, donos da verdade e limitam seus supostos conhecimentos aos seus encontros, seminários e conferências. Eles só são críticos, nada mais. Apesar de, em algumas vezes, terem um pensamento sensato e equilibrado, nunca são capazes de formar mentes críticas, formar outros com pensamentos emancipados, capazes de arguir e inquirir. Eles só são críticos. 
Você poderá me dizer: Mas Jesus também foi um crítico! Sim. Mas também foi um grande ensinador e formador de lideranças. Jesus não somente criticou, mas reconheceu as virtudes daqueles que já fora alvo de suas críticas.  Ele criticava a religiosidade reinante, o poder político corrupto, mas também era capaz de elogiar qualquer religioso ou político que demonstrasse piedade e fé. Jesus ensinou seus seguidores a terem uma visão crítica de si mesmos e da vida. Jesus não era apenas um crítico, era formador de outros críticos.
Acontece que vivemos um tempo de ignorância teológica e bíblica sem precedentes! E, ao invés de ensinar, promover o conhecimento, fomentar o estudo da Bíblia, a formação de lideranças eficazes e transformadoras, investir em material humano, os críticos só fazem criticar. 
Lembre-se, não condeno a crítica, ela é necessária, pois é capaz de apontar erros e indicar caminhos, de descortinar idéias e princípios que a maioria não consegue ver. Todavia, ela se torna inútil se você não conseguir dar aos outros a mesma capacidade. O crítico cristão deve ser também um discipulador, um formador de opiniões.
Um outro problema é que, alguns críticos do pensamento protestante se sentem como a elite, outros como detentores do conhecimento, e outros ainda, não aceitam o pensamento que contradiga o seu. Navego constantemente por alguns sites de alguns que arvoram-se como representantes do pensamento protestante no Brasil e percebo a vaidade e a forma "nazista" como confrontam o que acham errado. Armam suas "fogueiras da inquisição" e queimam a reputação de gente que está na mídia, sem nenhum constrangimento!
Esses tais críticos, em nome de uma "apologia", esquecem princípios fundamentais do relacionamento entre irmãos! Não respeitam a família de quem critica e pouco se importam com as consequências de suas campanhas e cruzadas contra pessoas, não contra ideologias e condutas. 
Se acham caçadores de bruxas. Passam a não somente atacar a conduta, mas a pessoa. Ridicularizam e execram, principalmente aqui, na internet, onde a lei quase não existe.
Pois é. Percebo que eles não são só críticos! Você sabe que o brasileiro tem a mania de extrapolar! É incrível como nós brasileiros não sabemos lidar com o novo. Basta, por exemplo, recebermos certa liberdade que logo a transformamos em libertinagem. Deem-nos algemas, que saímos prendendo todos indistintamente, afinal, temos as algemas!
Lembra do movimento G12? Muito bem. A proposta original era formar células, grupos familiares, onde o evangelismo e o discipulado teria o ambiente propício. Mas deu em que? Formação de grandes impérios, criou-se uma feira da vaidade e deu-se lugar a toda sorte de heresia que qualquer religião exotérica ficaria de boca aberta!
É o que acontece com o movimento da crítica protestante no Brasil! Os caras são até inteligentes, alguns tem formação acadêmica invejável, capacidade de argumentação incrível. Mas, só são isso! Não todos, claro, mas a maioria  são um fracasso em demonstrar amor cristão, incapazes de formar discípulos, de darem suas vidas, gastá-las no processo discipular e evangelístico, de formar outros críticos. 
Esses, só são críticos, nada mais!

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