20 de jun de 2013

Protesto? Que protesto?

Foto: Estadão.com.br
Ok, protesto está na moda. Vamos protestar, agora é status, principalmente se disser que não é uma questão de 20 centavos! Não esquecer de colocar esta frase, ela está famosa no mundo inteiro, é capaz de virar grife vestida por celebridades. É isso aí, vamos levantar o estandarte do protesto, fechar as vias, impedir que, quem precisa do mísero emprego que lhe paga um sofrido salário mínimo chegue a tempo e receba reclamações, suspensão e até demissão. Vamos aproveitar que Salvador está um caos, com ruas esburacadas, chuvas persistentes, eminência de greve dos rodoviários, deslizes de terra, mortes por soterramento e vamos protestar, vamos fazer com que alguns percam o tão importante vôo ou o tão necessário buzu do transporte inter estadual ou municipal. Acho que ficaria legal também atrapalhar um pouco as ambulâncias e carros particulares conduzindo moribundos aos hospitais sem leito e sem vaga na UTI dessa Salvador tão bem cuidada pelo neto do Coronel que durante anos a manteve sob a treva da ignorância e do voto de cabresto e que agora lança projeto de infraestrutura para a Copa das Confederações um dia antes do primeiro jogo em nossa abandonada capital. Organizadinho ele, não?
É isso aí, São Paulo e Rio protestaram, porque Salvador não? Ah sim, Salvador fez seu primeiro protesto esta semana em solidariedade às duas cidades mais importantes do Brasil. É, porque que motivo teríamos de protestar se não fosse por solidariedade? Estamos bem, nossa cidade está com os bairros da periferia abandonados, mas está tudo bem, nossos engarrafamentos diários é algo sem importância diante do coitado estado de São Paulo que teve as passagens dos coletivos reajustadas em R$ 0,20, oh desculpe, não é uma questão de 20 centavos, esqueci! Não posso esquecer de dizer isso! Hoje é status, tenho até que mandar fazer uma camiseta com essa droga de frase bem grande no peito e ver alguns olhar pra mim com aquela cara de quem diz: aê garoto! Pois é, a mídia idiota dos programas das manhãs e tardes da tv perdem o tempo caríssimo da TV repetindo velhas imagens desses famigerados protestos.
Protesto é bom e tem que ser feito. Mas essa gente que levanta bandeira de protestos contra a corrupção e indiferença dos políticos, é a mesma que votou em Tiririca, Agnaldo Timóteo, Clodovil, Mulher Melão e outra sorte de políticos artistas, que chegaram lá não porque tinham um projeto para sua cidade, estado ou para o Brasil, mas porque foram levados por essa gente que não pensa antes de votar, gente que confunde a celebridade com o político capaz de fazer mudanças!
Essa turba que grita hoje por um país justo, com menor taxa tributária e etc., é a mesma que votará nas próximas eleições nesses mesmos corruptos que estão aí. Me diga porque Paulo Maluf é um dos deputados mais bem eleitos de São Paulo? Me diga porque Fernando Collor de Melo ainda é um dos políticos mais bem votados desta nação?
É simples, porque na hora do voto o que conta é o que é bom para o dedo que tecla o número do candidato. A maioria está nem aí para o que é bom para o povo. Por isso, não me venham com esta droga de protesto que depreda, tira o direito de ir e vir de quem não quer participar e depois, além de votar em corrupto, corrompe-se diariamente aceitando uma bolsa família que deveria ser dada ao miserável de sua cidade, faz qualquer coisa para se beneficiar recebendo proventos indevidos, paga propina ao guarda, atropela e não socorre, dribla a segurança das boates para entrar sem pagar, leva o troco a mais do coletivo ou da bilheteria de eventos, mente na hora da declaração do imposto de renda.
Sabe mais? Muitos desses protestos tem o dedinho sem vergonha de políticos que pagam a esses manifestantesinhos inescrupulosos e fingidos. Sem falar da galerinha da classe média, usuária de todo tipo de droga ilícita, protagonistas de trotes homicidas contra os calouros nas faculdades, que apareceram pra dizer: "eu nem uso ônibus ou metrô, mas sou contra o aumento!" Me façam uma garapa, e com açúcar, por favor!
Esses políticos corruptos, dignos de cadeia, representam bem uma população indiferente à honestidade e à integridade. 

4 comentários:

Rafaela Barros disse...

Muito me surpreende ler isso vindo de você Pastor, uma pessoa que até então eu considerava muito inteligente. Mesmo respeitando, descordo desse seu texto, não se deve generalizar. E se a população está insatisfeita, tem q sim ir às ruas lutar pelos seus direitos. Estamos cansados de ser roubados. São manifestações pacificas afim de ir apenas nos fazer ouvir. Queremos reforma politica. Vai mesmo muito mais além de 0,20 centavos. Pagamos caro uma passagem na qual não temos estrutura p isso, o transporte PÚBLICO privatizado é todo irregular, ônibus com pneus carecas, sem freios e algumas das vezes motoristas irresponsáveis. Pagamos 2,80 e não temos o direito de ter um espaço pois os ônibus que tem sua lotação, muitas vezes só anda além disso, pessoas que só faltam sair da janela. Pelo amor de Deus, não vamos ser hipócritas e ironizar o povo por isso. São pessoas lutando pelos seus direitos e só. Se não tivesse Manifestações no tempo da Ditadura, talvez eu nem estaria aqui hoje. Vamos estudar mais, e não acreditar em tudo que vemos por aí. Não estamos fazendo protesto em solidariedade a São Paulo ou Rio de Janeiro, estamos fazendo um protesto para que tenhamos um Brasil melhor.

Eliel Barbosa disse...

Meu caro amigo,

Graça e paz em Cristo Jesus.

Compartilho de sua indignação com os políticos e cidadãos (baderneiros, inclusive) que protestam sem assumir sua parte de sacrifício e luta por um país melhor. Diga-se: sendo correto, decente, honesto e ordeiro em suas próprias atitudes no cotidiano. No entanto, discordo da generalização.

Esqueces de que, entre os que estão protestando, há, sim, muitos que, sinceramente, fazem a sua parte e lutam por mobilidade urbana, serviço de saúde com qualidade, segurança não apenas para turistas e cartolas da FIFA, enfim, um país melhor para os brasileiros. Acredito até que são maioria.

O mal é praticado por uma minoria e, pelo resultado de suas maldades, possuem mais visibilidade. Isso traz antipatia.

Acredito que para mudar, não podemos esperar pelos políticos que criticamos, pois, quando votamos neles estamos acreditando que vão fazer o que é correto. Eleitos, são corrompidos pelo sistema e se moldam.

A manifestação popular cumpre um papel educador e gestor. Educador porque permite aos que votam e agem errados, parar um pouco, refletir e... mudar. Gestor, porque informa aos eleitos que nós, eleitores, estamos atentos e cobrando lisura, decência e coerência em seu mandato.

Apesar da presença dos hipócritas e dos incômodos causados aos demais, estou com os que, sinceramente, gritam por uma pátria melhor.

Fique com Deus.

www.elielt.blogspot.com

Pr. Raimundo Campos disse...

Cara Rafaela Barros, concordo plenamente com você. Não se esqueça porém, que toda moeda tem dois lados e eu critico o lado negativo. Você diz: "não vamos ser hipócritas e ironizar o povo por isso." Se fosse hipócrita, repetiria aqui o discurso da concórdia que todos esperam. Entendo você, mas estes manifestos não tem só as cores maravilhosas das boas intenções. Não é do povo que falo aqui, peço que leia com mais atenção o texto. Critico a hipocrisia que você atribui a mim, a hipocrisia dos que erguem a bandeira da justiça, mas nas eleições por vir venderá seu voto, votará por conveniência, que na próxima oportunidade que tiver se envolverá nas corrupções do dia a dia. Dizer que tem que fazer protesto mesmo por causa de reivindicações legítimas, é muito fácil, mas não conseguir enxergar o outro lado da moeda, é ser limitado, é só saber concordar com a maioria. Ver só um lado é não ter a visão exata de uma verdadeira democracia. Você diz ainda: "Vamos estudar mais, e não acreditar em tudo que vemos por aí." Pois é, quem acredita em tudo que ver por aí, é quem não tem a coragem de criticar o que todo mundo está aplaudindo. E mais: é porque estudo, que me sinto em condições de criticar.

Pr. Raimundo Campos disse...

Ah Rafaela, só para lembrar: sou a favor do manifesto, mas a favor também de uma conduta diária que coadune com aquele mostrado nos tais manifestos!