8 de jul de 2013

Protestos: Um Sinal Para a Igreja

Depois da conhecida era das trevas, época em que atrocidades eram cometidas em nome da fé e da Bíblia, quando o Papa e seus cardeais ditavam as regras e dominavam em todas as áreas da sociedade, inclusive política, mantendo sob cativo mentes e corações, o que se viu no mundo, começando pela Europa, foi uma era de incredulidade e ateísmo sem precedentes na história da humanidade.
As novas filosofias e os discursos anti Deus ganharam espaço e transformou a religiosidade no mundo. Apesar das influências ateias naquela sociedade, a Europa, por sua vez, viveu um tempo de avivamento e durante muitos anos foi considerado o continente celeiro da obra missionária.
No início porém, do século vinte, nas décadas do surgimento da Teologia da Prosperidade, a igreja evangélica européia rendeu-se aos apelos famigerados da teologia que comprometeu a pregação do genuíno Evangelho. 
Na verdade, apesar da teologia da prosperidade não achar terreno fértil naquele lado do mundo, as frustrações vividas por quem depositou sua fé na frágil pregação da tal teologia, começou a gerar uma sociedade incrédula e saturada dos engôdos de uma pregação que não respondia aos anseios mais profundos de uma sociedade materialista e próspera.
Esse espírito de incredulidade e falta de fé foi se tornando uma resposta à uma igreja solapada pela Teologia da Prosperidade. 
Hoje, templos são fechados, muitos transformados em boates e outros que só funcionam uma vez na semana ou no mês. A frieza espiritual se tornou a marca da igreja evangélica européia do presente século.
O que isto tem haver com o Brasil? Tudo. Quando as pessoas começam a se despertar e a se manifestar contra um sistema que os mantém na ignorância, e percebe que se manteve num emaranhado de ilusões e promessas impossíveis de serem cumpridas, estas mesmas pessoas passam a se fechar contra tudo que lhe pareça ser inconstante.
Esta sociedade que se manifesta contra um sistema que explora e oprime e lhe tolhe dos direitos mais sagrados, é a mesma que se desperta contra uma igreja que lhe ilude com um evangelho medíocre pregado por quem não vive o que prega!
Toda esta revolta reflete também na religião. Estamos vivendo um momento do despertar da cidadania. Embora não concorde com a maneira como os tais manifestos dos últimos trinta dias foram conduzidos em todo o país, considero-os legítimos e uma representação da voz de um povo que cansou de ser iludido.
Não tenha dúvida, um sentimento de revolta e uma onda de argumentação contra um sistema religioso farisaico e leviano, também está prestes a ocorrer nesta nação.
A Igreja evangélica brasileira está deixando uma lacuna que culminará no grito de quem cansou de esperar por um milagre que nunca virá ou cansou de ouvir uma mensagem que não alcança a alma e não sacia sua sede.
A igreja deve estar atenta para este momento. Esta sociedade não aguenta mais ser iludida, os nervos estão à flor da pelo, a indignação é o sentimento que bate no peito dos filhos dessa pátria amada, Brasil.
Os templos que superlotam dos reverendos que conduzem seus ministérios em torno do número, dos métodos, das campanhas, dos cultos das maravilhas, dos conhecidos "retetés", devem se preparar para fechar as portas, para ver seus iludidos fiéis darem as costas àquilo que lhes manteve na escuridão e terminou lhes afastando definitivamente de Deus!
Esse despertar da cidadania, é um alerta para a igreja. Para que este povo não perca o foco de Deus, nós líderes, ao contrário do sistema político, devemos ser fiéis para com a genuína mensagem do Evangelho e oferecer ao rebanho e ao perdido aquilo que realmente torna-os satisfeitos: a Palavra de Deus como ela é!

2 comentários:

Eliel Barbosa disse...

Você foi certeiro, no ponto.

Há muito tempo que clamamos uma "reforma", uma alteração na rota. Mas, se fizeram ouvidos moucos com medo de perder privilégios e terem que sair do "descanso".

Um retorno ao evangelho genuíno gera medo, porque a Palavra de Deus confronta a todos, desde o simples cristão ao graduado sacerdote. O caráter de Deus desnuda nossos erros e nos cobra arrependimento.

A solução mais comum encontrada nas estalagens evangélicas (especificamente, assembleana) de hoje é: "Não posso deixar de "ganhar" o meu. Então, deixa como está. entretemos o povo e "vamo que vamos..." para o abismo".

Não é de hoje que falamos sobre isso. Mas, "quem deu crédito a nossa pregação?"

No calabouço, como Jeremias, lamento.

Eliel Barbosa disse...

O povo cristão é bom, decente e de muito boa-fé. Diante do quadro exposto em teu texto, cabe afirmar que nossas igrejas estão repletas de gente que crê com esforço. Vê o que não lê e permanece ali com medo de "contrariar" Deus em razão de uma justa saída.

Nosso problema são alguns velhos e novos líderes que não os ensinam a essência de Deus, a fim de torná-los crentes alicerçados no evangelho genuíno. Daí, eles se divertem com qualquer coisa, seja culto forte, maravilha, reteté e coisas afins.

Desde que nossos líderes se submeteram ao poder das riquezas, do luxo, do conforto e do poder que o evangelho genuíno se tornou "segundo plano". O primeiro é garantir o dinheirinho que entra durante e todo final de mês.

O evangelho genuíno exige renúncia pessoal e, quase sempre, privações econômicas. Tenta pra ver quem quer? Serão poucos. Talvez, nenhum dos "grandes" líderes.

Esse evangelho que não admite um passando fome e outro, nababescamente, desperdiçando, não vale a pena para os líderes modernos. Ele fazem parte do grupo que vive bem. Ver se querem fazer como Paulo, que aprendeu a fazer tendas para não ser pesado para a igreja?

A prosperidade que desvirtua o sentido real da bênção de Deus é bom, pois, tanto faz se o outro recebeu ou não a famigerada bênção. No final, os líderes e os pregadores da prosperidade pessoal com o suor dos outros, com certeza, receberão. E isso é o que importa na mente e coração dos "papas" da vez.

Evangelho genuíno? Esquece. O que está aí é o bom, pois, não confronta os líderes, apenas o liderados, não exige renúncia dos chefes, apenas dos subordinados, e assim, vamos... para a incredulidade regada a muito pão e circo.

Estamos num tempo em que nenhum líder deveria sorrir. "Todos" deveriam chorar.