29 de ago de 2013

A Utilização Pecaminosa de Missões


Por Raimundo Campos


Os eventos de conscientização missionária são feitos em número assustador em todo o Brasil. Se tem uma nação que investe em conferências, simpósios, fóruns, seminários, congressos, etc., é o Brasil. Existe uma série deles de norte a sul desta nação. Uma boa parte tem como foco: missões.
Milhões são investidos em passagens aéreas, hospedagens e cachês para Conferencistas nacionais e internacionais. Outros milhões são gastos em megas estruturas, em grandes hotéis e empresas que assessoram super eventos. 
Na maioria das vezes, esses encontros não definem metas palpáveis de investimentos em missões. Eles terminam e a consciência missionária da Igreja brasileira continua a mesma. Novas frentes de trabalhos não são abertas, não há investimentos concretos em candidatos à obra missionária e o Brasil continua na triste estatística de que o cristão evangélico brasileiro contribui anualmente com R$ 1, 34 em missões. O que está acontecendo?
Pr. Thomas e sua esposa Laura Fodor
É claro que existem trabalhos sérios, até de pequeno porte, mas que produzem infinitamente mais que os grandes eventos prometem investir. Caso, por exemplo, do Pr. Thomas Fodor, Reitor do Seminário Teológico Pentecostal do Nordeste que se utiliza da renda do Seminário para treinar, enviar e sustentar obreiros em várias partes do mundo. A arrecadação de recursos é feita através, também, do Parceiros em Missões, uma ONG que está presente também entre tribos indígenas no Brasil . O Pastor Thomas acredita que, apesar das dificuldades da região nordeste do Brasil, a igreja desta região pode fazer muito por missões, por isso investe em conscientização entre os pastores nordestinos, divulgando projetos que já são respeitados por muitas igrejas, principalmente as Assembléias de Deus. O Pastor Thomas esteve conosco no ano passado em nosso 2º Treinamento Para Líderes de Missões da Semadesal (Secretaria de Missões da Adesal - Assembléia de Deus em Salvador). Com bastante humor, comentou que a Assembléia de Deus em Salvador poderia fazer muito mais por missões haja vista seu número de membros!
Pr. Nivaldo Góis
Vale apena citar também o Instituto Paqto, presidido pelo Pr. Nivaldo Góis em Maringá, Paraná. O instituto tem como finalidade formar consciência missionária na igreja brasileira através de treinamentos, utilizando-se do que chamam de Assessoria a Igrejas.
Esses servos de Deus fazem trabalhos sérios e estão longe do glamour das grandes plateias e dos megas investimentos em estruturas e estrelas de missões! O trabalho deles consiste em ação, através de treinamento, envio e sustento.
Todavia, existe no Brasil uma utilização pecaminosa de missões. A causa tem sido instrumento nas mãos de aproveitadores que abusam do sentimento de amor que os fiéis nutrem pela Grande Comissão e realizam super eventos, arrecadam milhares de reais e no final, o que dizem que foi investido em missões, foi na verdade um farelo da última fatia do grande bolo onde muitos se fartaram. 
Alguns líderes, demonstrando uma falta de temor imensa, precisam ter em seu quadro de missionários alguns que fazem missões transculturais, para que as entradas financeiras lhes sejam garantidas. Há casos de igrejas que divulgam uma lista enorme de missionários, mas que os mantém com uma renda insuficiente ou nem mesmo os mantém. 
Os eventos são feitos com um apelo emocional desnecessário! Utilizam-se de imagens antigas, fora da realidade atual para comover o público e garantir a arrecadação. Uma igreja que se diz missionária jamais realizaria megas eventos pagando altos cachês a Conferencistas, hospedando-os em hotéis cinco estrelas! Isto é o uso pecaminoso de missões, é abominação aos olhos do Senhor.
O que mais assusta é perceber que os fiéis contribuem e não pedem conta. Sabe porque? Simples, a maioria, inconscientemente, estão na verdade pagando pela benesse de ouvir uma doce pregação! Eles sairão dali e não contribuirão mais com missões, não se envolverão com nenhuma causa missionária, muito menos serão evangelizadores!
Igualmente pecado é a igreja fazer eventos, cultos de missões e não ter em seu plano orçamentário um percentual para investir em missões. Uma igreja que não investe de suas entradas em missões é uma igreja que prega uma coisa, mas pratica outra. Fundos missionários que vem de eventos e cultos não podem representar o investimento de nenhuma instituição séria. Tais arrecadações devem ser apenas um apoio ao projeto missionário da igreja. A igreja deve ter um plano missionário e investir nele.
A Igreja não pode continuar na esfera da conscientização meramente. Ela precisa ter ações concretas. A obra missionária não pode ser instrumento nas mãos dos bandidos da fé, ávidos por dinheiro e seus momentinhos de fama diante de suas platéias atraídas pelos cartazes bem elaborados divulgados na internet e outros. 

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