20 de set de 2013

Nossa Fé

Um pouco sobre nossa fé: Ficamos de bem com o sistema, com o mundo, com a moda, com os ditames da filosofia gospel; estamos de mãos dadas com os políticos, os justos e injustos, abraçados com o popular, com o fashion. Nossa música é legal, nossa pregação atraente, nossos cultos, fascinantes. Somos donos das frases mais curtidas, afinal, elas falam de Deus, falam da vida, do belo, do amor.
Nossa marca está em todo lugar, ela vende e vende caro. Muitos deixam suas carreiras e migram pra gente. Cantam e gravam nossas canções, divulgam nossos cultos e os curtem na net. Somos tão próximos, amigos, familiares! Estamos até concordando com alguns conceitos que antes eram inegociáveis para nós.
Nossa angústia diante da injustiça e pecado se transformou no riso da conformidade e nossa disposição em arriscar tudo pelo sagrado, pela fé, agora é só um desejo de ficar aqui em nossa zona de conforto. Não, não precisamos mais correr riscos, perder aqui pra ganhar na eternidade! Aliás, o eterno agora é só uma metáfora, um tipo de minhas vantagens terrenais.
Meu gozo agora é pelo imediato, e tudo que não for imediato, é parte de uma teologia de ontem, ultrapassada! Tudo o que antes era o meu maior tesouro, ainda é, mas não mais como era antes, se transformou em uma conquista hipotética, utópica.
Nossos valores, nossas crenças agora só são assuntos litúrgicos, debatidos em nossas Escolas Dominicais e nos bancos de nossos seminários. Só valem no campo das idéias e das reflexões, não mais na vivência. Nossos paradigmas ficaram obsoletos, passamos a rir cinicamente para os modelos mundanos e diabólicos, sim, rimos, afinal, se é engraçado, porque ser tão radical?!
Nossas frases agora são aquelas ditas pelas ciências humanas, nosso conceito da vida, do homem, do universo, não são mais tão bíblicos, se tornaram mais científicos, pois é preciso aproximá-los do que pensam os pensadores desta sociedade combalida.
Nossa fé é só uma canção em nossa adoração mercantilizada. Ela não remove nada, muito menos montanhas. Às vezes só é citada nos discursos interesseiros dos mercadores da Palavra, para depois culpar o incapaz de colocá-la em ação.
A carreira que nos foi proposta (Hb. 12: 1) não é essa, não. A carreira que nos foi proposta aponta para a cruz, para a ignomínia, para a desonra e não para a "dupla honra" tão pregada, tão repetida em nossas canções glamourizadas nas gravadoras que também gravam para as estrelas mundanas.
O que nos foi proposto nos Evangelhos tem haver com: ser ovelhas entre os lobos (Mt. 10:16), chorar pra ser consolado (Mt. 5:4), tem haver com: sofrer o dano pelo próximo, amando-o mesmo que seja odiado por ele.
O Evangelho não é a glória, é a vergonha, é a cruz, é a rejeição, é a dor do desprezo e da afronta, é o convite de Cristo para a renuncia, para a porta apertada para o caminho estreito. É para ser um louco na contramão, um santo na luta contra o pecado e inconformado com tudo que o mundo representa, é ser uma peça que não se encaixa neste quebra-cabeças regido pelo diabo (1 Jo. 5:19). 
Quem abraça o Evangelho não é popular, às vezes é aceito, mas não de todo, pois sua filosofia e ideologias distanciam-se como o norte do sul e o põe do lado oposto daqueles que não conhecem Cristo e sua Palavra.
Nossa fé não é essa, não. Nossa fé não nos põe na mesma direção deste sistema maligno, pois ele mesmo se incumbe de nos atirar para fora da margem e nos excluir. Nossa fé tem haver com ser amigo de Deus e inimigo do mundo (Tg. 4:4). Essa incompreendida amizade com Deus se constituirá em inimizade com o mundo!

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