13 de set de 2013

Nossos Pregadores, Nossas Festas e Baboseiras

Não há dúvidas de que o obreiro é digno de seu salário, especialmente se ele dedica sua vida e ministério às ovelhas que Cristo lhe confiou. A tarefa de um pastor não é fácil. Sim, um pastor chamado por Deus, com vocação para o ministério, de tempo integral, deve ser sustentado pela igreja, é bíblico.
Existem também aqueles cujo ministério é de um itinerante, um Evangelista. Ele não tem rebanho, mas tem um ministério, o da Palavra. Seu ministério, sua maneira de ver a bíblia e a capacidade única de expor textos e temas bíblicos, faz com que o tal seja convidado pelas igrejas. É normal. É justo que tal obreiro seja abençoado pelas igrejas e tenha o reconhecimento de seu trabalho, não como forma recompensadora, mas como forma de prover-lhe as necessidades!
Todavia, o que temos visto na maioria de alguns desses pregadores ou pastores é a mercantilização do ministério. Da parte de alguns pastores se vê o capricho de dirigir somente campos que lhe garanta o sustento de seu status, que lhe garanta trocar de automóvel uma vez por ano, morar no melhor bairro, na melhor casa da região, poder fazer suas viagens de férias, etc.
Já alguns Evangelistas, itinerantes e conferencistas, querem fazer do ministério sua oportunidade de enriquecer. Sim, enriquecer! Os altos cachês cobrados por esta turma e as exigências de hospedagem e transporte são dignos de estrelas de TV. Com a desculpa de que precisam de tempo para orar, não aceitam ficar na casa de  ninguém. Alguns até exigem o tipo de carro que deve buscá-los no Aeroporto.
É claro que essa turma de alma perdida com capa de salvo, só faz isso porque tem quem gosta de mimar seus caprichos. Os líderes que alimentam este absurdo, não fazem os mesmos investimentos, às vezes, em áreas relevantes da igreja. As mesmas igrejas que investem altas somas nesses congressos e gastam milhares de reais com essas estrelas do púlpito, não fazem o mesmo com Missões e Evangelismo e socorro aos carentes.
Interessante é que a igreja não sabe o preço que o Pastor Local paga, às vezes, para consertar o estrago que alguns desses pregadores fazem! Alguns lançam venenos mortais em suas ministrações, estragam a vida e a fé de muitos dos nossos novos na fé. E daí? Quem se importa? O pastor que se vire, afinal, ele está aí é para agradar o povo e, se não agradar, o povo escolhe outro pra o seu lugar.
Temos um outro problema hoje: as festinhas corriqueiras de nossa igreja tem que ter um pregador convidado e isso requer gastos. A mente pequena de cooperadores e líderes de departamento de nossa igreja acha que pra a coisa ser boa, tem que ter convidados; a presença do Senhor, as expressões de adoração e louvor local, não bastam! Tem que ter um cartaz chamativo, um tema empolgante. Até parece que Deus está muito preocupado com esta baboseira.
Tem mais. Algumas dessas nossas congregações, falo agora no contexto Adesal, estão em construção, outras são até pontos de pregação, imagine! Mas querem gastar dinheiro com pregadores e cantores para comemorar os anos de existência daquele trabalho. É um paradoxo sem tamanho! Um absurdo! A gente continua a alimentar esta loucura e ficamos a travar o crescimento da obra de Deus tomando esses atalhos, aliás, atalhos que levam a qualquer lugar, menos a onde se deveria chegar!
O Pastor desavisado, para não perder público, passa a atender essas demandas em detrimento da vontade e orientação do Espírito Santo. 
Por outro lado, infelizmente, muitos de nossos obreiros que estão em nossos púlpitos, não são, na verdade, chamados para o ministério da Palavra. Fico observando alguns ministros que quando assumem o púlpito, não dizem nada, apenas expressam frases e afirmativas que qualquer cristão que lê a Bíblia, pronunciaria. Há uma falta de hermenêutica nos sermões desses caras! Daí o povo encher a cabeça do pastor para trazer alguém de fora, algo diferente, pra movimentar e tal.
Disse outro dia para a igreja onde sou Pastor: Deus não está nem aí. Nossas festinhas e nossas fardas, com nossas coreografias, não impressionam Deus. O que Deus espera de nós é o mínimo de coerência  em nossas ações. Ele espera que coloquemos em primeiro lugar aquilo que Ele disse que deveria estar em primeiro lugar e não o que estamos fazendo!
Fico observando esses líderes se estressando, gastando tempo com reuniões e discussões por causa da cor de uma roupa, ou o tipo de música a ser cantada em determinado evento, ou ainda como vamos levantar fundos para investir em cantores e pregadores! Meu Deus, até quando a igreja gastará tanto tempo com coisas secundárias em detrimento das primordiais? Se toda esta discussão e tempo perdido resultasse em salvação de almas, ah, aí sim. Mas não, o que queremos é agradar, fazer os crentes se sentirem bem, ter seus desejos atendidos e suas expectativas superadas.
O Pastor que quiser seguir um programa baseado no jejum e oração, leitura da Bíblia e busca pela vontade de Deus para sua comunidade, encontrará muitas dificuldades. Os tempos são difíceis!
Mas, toda vez que nos colocamos na dependência do Espírito Santo e fazemos aquilo que Ele nos mandou fazer, Ele mesmo fará aquilo que jamais poderemos fazer!

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