15 de out de 2013

Precisamos de Hermenêutica Urgente Parte 2

Por Raimundo Campos



Depois de conhecermos alguns princípios da hermenêutica de Calvino e pensarmos no tipo de hermenêutica que foi usado pelos pais da reforma, cheguei à duas conclusões óbvias:
Primeiro: Existe uma Hermenêutica Reformada construída a partir de um pensamento lógico pertencente à ciência que cuida da interpretação de textos. Essa hermenêutica quebrou o jugo sob o qual estava a mente dos leitores da era medieval. Ela abriu novos horizontes para a compreensão humana sobre o que Deus quis dizer através dos homens que seu Espírito inspirou e, ajudou a formar uma teologia que rompeu com aquela que mantinha na ignorância homens e mulheres sedentos por comunhão com Deus.
Essa hermenêutica difere daquela usada pelos romanistas. Esta, busca a interpretação do texto a partir do que ele literalmente quis dizer; aquela, considerava alegoria aquilo que se entendia como texto de difícil interpretação e ignorava as verdadeiras razões pelas quais o texto foi escrito.
Todavia, o que se percebe, principalmente no contexto pentecostal, é uma tendência à romanização no método interpretativo dos textos sagrados. A ênfase na alegoria ao interpretar a Bíblia se tornou num hábito que lembra a hermenêutica do clero do século XV.
É bom lembrar que a teologia da era medieval, sustentadora da hermenêutica de "alegorese", é conhecida como teologia de sustentação do poder, isto é, para garantir a perpetuação de seu poder, através de uma política tirânica e dominante, o clero, detentor do direito de interpretação da Bíblia, fazia questão de sustentar o princípio da alegoria, em detrimento do princípio da interpretação do sentido literal, para manter sob o manto da ignorância a mente de seus fiéis!
A Hermenêutica Reformada é, portanto, o estribo, a base, o alicerce, da reforma filosófica e religiosa liderada por Lutero. Esta hermenêutica é a base da compreensão protestante da Escritura. 

Segundo: Há uma preguiça reinante na interpretação da Escritura por parte dos pregadores e ensinadores da atualidade. O método de interpretação usado pelo segmento reformado é ignorado por esta nova geração de ministros que teima em usar um método que atenda aos anseios de um rebanho bombardeado por influências teológicas como a da Prosperidade, entre outras.
A falta de cuidado com a interpretação da Escritura denuncia uma ignorância da hermenêutica reformada e sugere uma volta à prática da romanista!
Isto tem resultado em um púlpito cheio de discursos emocionalistas e que delira com contos, distanciando-se cada vez mais do que Deus está querendo dizer à sua igreja. As verdades do Evangelho passaram a ser apenas debates acadêmicos ou leves discussões em classes de Escola Dominical, enquanto que teimam ser uma mera fantasia na mentalidade da igreja de nossos dias!
Precisamos urgente de uma hermenêutica que promova um encontro do rebanho do Senhor com as verdades mais profundas de sua Palavra. Uma hermenêutica honesta, que tenha como chave interpretativa o que Orígenes chamou de Analogia da Fé, isto é, "a Bíblia interpreta a própria Bíblia", que confronte-nos com os alertas de Deus e nos leve a uma compreensão de sua mensagem!
Precisamos de ministros que tenham como sua maior tarefa o púlpito. O ministro pode até ter outras atividades em seus labores pastorais, mas a ministração da Palavra de Deus é sua mais importante tarefa. 
Há um princípio de Calvino para se compreender a Escritura que ele chamava de "orar e labutar". Ele queria dizer que para se compreender um texto sagrado era preciso primeiro orar e depois trabalhar, pesquisar, estudar, a fim de compreender o texto. Fazer uma exegese minuciosa e honesta e apresentar uma hermenêutica que propicie aos ouvintes a doce oportunidade de ouvir o que Deus realmente quis dizer através de sua Palavra.

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