31 de out de 2013

Trabalho Missionário em Catu Tem Reconhecimento da Conframadeb



O trabalho missionário que começou em Pau Lavrado, na região de Catu/Bahia, hoje se estende até o centro da cidade levando a Palavra de Deus à região catuense.  Além de ter um forte caráter missionário, é também um dos mais expressivos da Convenção Fraternal de Ministros das Assembleias de Deus no Estado da Bahia, devido à seriedade e compromisso ministerial do Pastor Genilson Reis que, no mês de setembro, realizou o batismo de cinco novos fiéis e a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do que será o templo sede da Assembleia de Deus Conframadeb em Catu.
Durante as solenidades estiveram presentes o Presidente da Conframadeb, Pastor Israel Alves Ferreira e comitiva. O batismo foi realizado no Sítio Caminho das Árvores, região de Catu, onde aconteceu também a celebração da Santa Ceia do Senhor, oportunidade em que os novos membros participaram de sua primeira ceia.
Hoje, o trabalho liderado pelo Pastor Genilson já conta com quatro congregações: em Catu tem a sede, a congregação no bairro do Estádio, a congregação no bairro Barão de Camaçari e outra no Sub Distrito de Pau Lavrado.
O Pastor Genilson espera construir a sede própria o mais breve possível e conta com a contribuição daqueles que já conhecem seu trabalho desde que chegou à Bahia e foi trabalhar na região de Caturama, no sudoeste baiano.
A 78 Km de Salvador, Catu é considerada um polo petrolífero próspero da região de Alagoinhas. Mas, como qualquer cidade em desenvolvimento, Catu tem também suas mazelas e necessidades espirituais que só podem ser atendidas com a pregação do Evangelho. É para atender a este clamor que o Pastor Genilson  e sua esposa, Missionária Nara, estão nesta região e já conseguiram expandir o trabalho, fazendo conhecido o nome do Senhor Jesus.
Veja abaixo, fotos do batismo e lançamento da pedra fundamental, ocorrido em 22 de setembro de 2013:











26 de out de 2013

A Mulher do Presidente da Adesal


Desde 2010 que o homem que preside a Adesal (Assembléia de Deus em Salvador) e agora a CONFRAMADEB (Convenção Fraternal de Ministros das Assembléias de Deus no Estado da Bahia), se vê envolto em circunstâncias que geraram insatisfação por parte de alguns, enquanto que outros o ovacionaram como Salvador da Pátria, especialmente no caso Adesal X Ceadeb!
Desde então, o Pastor Israel Alves Ferreira se tornou alvo de críticas e de insultos por parte de gente que preferiu a guerra, o litígio, ao invés do diálogo. Para manter o equilíbrio e a paz entre fiéis, obreiros e ministros da Igreja em Salvador, o Presidente da Adesal escolheu a defensiva ao invés da ofensiva, preferiu abençoar ao invés de retrucar boatos que sempre considerou infundados. Em seu discurso, sempre esteve presente um espírito pacífico e disposto ao debate aberto.
Mas esta postura não é a única coisa curiosa em sua trajetória. Sua esposa, irmã Joilda Ferreira, Líder da UCOADSAL (União do Círculo de Oração da Assembléia de Deus em Salvador) e do DEPAD, Departamento de Adolescentes da mesma instituição, tem sido, sem dúvidas, um marco em seu ministério, mui especialmente neste tempo nebuloso em que vive a Adesal.
Com uma facilidade de argumentação e carisma suficiente entre as mulheres da igreja, a irmã Joilda consegue, com maestria, mobilizar quem esteja interessado em empreendimentos como a Construção do Grande Templo da Paralela, numa época de dúvidas e insatisfações!
Sua habilidade vai além da vontade, chega à coragem! Ignorando os contradizentes e os que fazem questão de se manifestar contra um projeto tão audacioso como o da citada construção, a mulher do Presidente da Adesal vai além do que os atuais diretores da ASSUMO (Associação Subi ao Monte), associação responsável por gerir os recursos arrecadados em favor do grande templo, seriam capazes de fazer!
Para tanto, a esposa do Presidente da Adesal posou em uma foto na internet ao lado de um automóvel doado para sorteio em favor do templo, algo que já foi feito em tempos passados!
Sua presença em frente à Gincana das Mulheres da Igreja, ocorrido no local da construção do templo, nos dias 25 e 26 de outubro, revelou uma liderança que faz falta neste tempo tão delicado da Adesal. 
Enquanto que o grito de seu marido, no que diz respeito à construção que se tornou a marca do descrédito na Adesal, parece se ouvir ao longe, o de sua esposa, soa como um comando aos ouvidos das mulheres da igreja. A organização somada ao entusiasmo e às idéias de Joilda Ferreira, transforma os eventos em que toma a frente, num verdadeiro canal de possibilidades. 
Sua maneira de ver este estado de coisas vividos pela Adesal, é diferente. Irmã Joilda Ferreira articula e mobiliza, contagia e consegue convencer a outros a terem seu olhar.
Em sua página do Facebook, posta diariamente imagens de uma Adesal que muitos teimam esquecer. Uma Adesal forte e que continua realizando coisas no Reino de Deus. Ao lado de Valterney, Joilda Ferreira vem realizando um trabalho que vem levantando a auto estima dos adolescentes da Adesal. A última cartada é a realização do Congresso do DEPAD no Estádio do Pituaçu. Demonstrando entusiasmo e jeito de quem está "tomando posse", Joilda postou a foto ao lado com a seguinte frase: " A Glória de Deus vai encher este lugar! Será dias 15 e 16 de novembro congresso do Adolescentes Depad da Adesal Orem e Participem!"
Mas não fica por aí, Joilda Ferreira é uma empreendedora, investe em novas formas de arrecadar fundos, já investiu e arrecadou ofertas com vendas de lençóis a preço de fábrica e agora vê na Akmos, empresa que comercializa uma certa linha de cosméticos, mais uma oportunidade mercadológica que pode dar certo!
Não precisa entrevistar Joilda Ferreira para perceber e entender que ela acredita no que faz e que faz questão de levantar a bandeira do ministério de seu esposo, o Presidente da Adesal, Israel Alves Ferreira. Aliás, é graças a essa força que encontra sabemos onde, que Joilda Ferreira pode ser considerada uma mulher de fé e garra, que acredita, investe e luta.
Parabéns Joilda Ferreira!

24 de out de 2013

Precisamos de Hermenêutica Urgente Parte 3 - A Necessidade da Interpretação da Bíblia


Por Raimundo Campos



Apesar de Pedro ter dito que "nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação", 2 Pe. 1:20, ele não se referia à interpretação necessária para a compreensão do texto, que é aquela usada de acordo com o princípio interpretativo hermenêutico, usado por Orígenes, de que a Bíblia interpreta a própria Bíblia. Não. Ele referia-se a uma interpretação vulgar, leviana e descompromissada com o que o texto realmente quis dizer.

A Bíblia precisa sim ser interpretada com seriedade, levando em conta alguns princípios que quero destacar nesta matéria. Você pode me perguntar: Se a Bíblia é a Palavra de Deus e Ele é o primeiro interessado a querer que o homem a entenda, porque ela precisa ser interpretada? Porque precisarei fazer uso de métodos interpretativos e de me gastar em pesquisa? Por razões bem óbvias e simples defendidas por qualquer hermeneuta. Antes é bom lembrar que a Bíblia deve ser vista sob o aspecto de sua natureza humana, isto é, apesar de ser um livro de inspiração divina, ela foi escrita por homens falíveis, com recursos limitados e seus escritos estiveram sujeitos às circunstâncias terrenas; e, sob o aspecto divino: foi inspirada por um Ser Supremo, de mente infinitamente superior à dos homens e que vive num estado de pureza e santidade inimaginavelmente acima. 
Hoje, quero destacar as razões pelas quais devemos nos esmerar em interpretá-las, sob o aspecto de sua natureza humana:

Primeiro: estamos distantes temporalmente dos seus escritos originais e de suas cópias originais. Te explico: Os textos foram escritos a centenas ou a milênios de ano. É claro que se perderam os originais e muitas cópias já não existem mais. Acredita-se que o livro mais antigo da Bíblia tenha sido escrito a cerca de 4 mil anos e o menos antigo a cerca de 2 mil anos! Então, a Bíblia é um livro antigo e que precisa ser compreendido, interpretado e estudado, levando em conta de que é um livro de mais de dois mil anos!

Segundo: estamos distantes da Bíblia contextualmente, isto é, ela foi escrita no contexto do antigo oriente, numa cultura tão distante de nós, que algumas já até desapareceram ou foram substituídas por outras. Está claro que quem a escreveu, o fez sob circunstâncias de tais culturas!

Terceiro: estamos distantes da Bíblia liguísticamente. A Bíblia foi escrita no hebraico, aramaico e grego e em tipos desses idiomas que não se falam mais hoje em dia! Tanto o hebraico quanto o grego modernos, não é o mesmo bíblico. Quem entende melhor de grego do que eu diz que, o grego bíblico, do Novo Testamento, era o "Coinê", e o moderno é o "Demotikê". Já o aramaico é uma língua morta e que acredita-se que algumas tribos distantes da civilização, no oriente, ainda fale esse idioma! Logo, os textos sagrados precisam ser traduzidos para a língua de quem os estuda, respeitando princípios gramaticais da língua original e idéias dominantes nos textos, sob a ótica cultural e gramatical.

Quarto: temos um distanciamento autorial dos escritos sagrados. Todos os autores já morreram, não podem ser consultados. Os escritos da Bíblia não é como a matéria de um jornalista de O Globo, cujo autor possa ser entrevistado ou consultado para dirimir dúvidas de seu texto, ou como o autor de um livro lançado recentemente no mercado e que possa ser inquirido por seus leitores acerca de suas idéias e pensamentos quando o escreveu! Não. os autores da Bíblia não podem nos esclarecer nada. Portanto, uma pesquisa responsável e séria precisa ser feita, uma exegese, um dissecar do texto, para entendê-lo!

Diante do exposto acima, devido às distâncias temporal, contextual, linguística e autorial, precisamos criar uma ponte que nos ligue à Bíblia sob o aspecto de sua natureza humana, e isso só é possível a través de uma interpretação que leve em conta esses distanciamentos, entre outras regras necessárias.
Aí entra a tarefa do intérprete, aproximarmo-nos do texto sagrado, romper esses distanciamentos e nos dizer o que Deus, em determinados textos nos quis dizer!

16 de out de 2013

Uma Mulher, Um Conflito e Uma Atitude Sábia

Por Raimundo Campos



"Então, Ana se levantou, depois que comeram e beberam em Siló; e Eli, Sacerdote, estava assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor. Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente" 1 Samuel 1:9, 10
Não era normal uma mulher no templo cumprindo suas devoções. Geralmente, elas nem participavam de atividades litúrgicas, muito menos dedicavam-se a momentos a sós no templo a não ser que estivessem com o marido. Esse é provavelmente um dos motivos pelo qual Eli achava difícil Ana estar em juízo perfeito. Um outro, é que o tipo de celebração feito por Elcana diante do Sacerdote do Senhor uma noites antes,  envolvia bebida e, talvez, aquela mulher solitária tivesse passado um pouco da conta!
O fato é que Ana não estava ali por nenhum dos motivos especulados aqui. Ana convivia com um conflito que lhe havia reservado certas tribulações em sua vida.
O versículo 6 do primeiro capítulo de 1 Samuel diz que o Senhor lhe cerrara a madre! Isto era, sem dúvida, uma maldição para qualquer mulher judia. A mulher no contexto judaico era criada para os afazeres domésticos, a obediência ao marido e para lhe garantir a posteridade. Não dar filhos ao marido, era deixar-lhe sem herdeiro, quem desse continuidade ao seu nome!
Além disso, Ana tinha que conviver com a ideia de presenciar seu marido alegrando-se com cada filho que nascia de sua outra esposa. O versículo 4 deste texto diz que Penina, a outra esposa, tinha filhos e filhas! O dia do sacrifício para Ana deveria ser um tormento! Imagine ela observando seu esposo compartilhando da refeição do sacrifício com aqueles garotos, filhos de sua rival.
Mas não era só isso: Ana era provocada pela outra esposa de Elcana. A Bíblia não entra em detalhes, mas podemos imaginar as discussões, as disputas, os olhares provocativos, as palavras ofensivas.
Tudo isto se constituía em pressões para Ana. Esterilidade, provocações, anseios, sentimento de inferioridade em relação à outra esposa, mágoa, angústia, por certo eram sentimentos que ocupavam o coração daquela que foi, mais tarde, mãe do fundador da monarquia em Israel.
Mas é necessário dizer que Ana ainda convivia com a incompreensão do marido. Ele a amava e achava que seu amor era suficiente para que ela se sentisse realizada (1 Sm. 1:8). Mas Ana queria algo mais. Ela também queria se sentir realizada como mãe e não apenas mulher de um marido bondoso. 
É com este coração que Ana comparece diante do Senhor no templo. Gosto quando o texto diz que "Ana se levantou". Neste caso, não é só sair de uma posição física para outra, mas também indica decisão. É como se Ana quisesse dizer: "Chega, de hoje não passa. Vou fugir ao modelo, vou quebrar o protocolo, vou fazer eu mesmo minha petição, vou deixar de lado os rituais, vou extravasar, vou gritar e tirar do peito esta angústia e pedir aquilo que tanto almejo!".
Poderíamos fazer um extenso discurso sobre a oração de Ana, todavia, quero destacar duas coisas: um choro amargo e uma petição ou uma alma amarga, atribulada e um pedido. Ana se derramou diante do Senhor, foi ela mesma, sem rituais, sem sacrifícios, só uma alma anelante por ajuda do Eterno.
Mas aquele não era um pedido para outros ouvirem. Era o grito sufocado em um coração que só balbuciava. O texto sagrado diz que "só se moviam os seus lábios". O pedido de Ana foi:
"Senhor dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao Senhor o darei todos os dias dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passara  navalha". 1 Sm 1:11
Depois de ser consolada pelas palavras do Sacerdote que compreendeu seu estado de amargura, o texto destaca três coisas que aconteceram com Ana.
Primeiro: "a mulher foi o seu caminho..." É como se ela se reencontrasse. Ela seguiu sua vida. Aqueles instantes falando com Deus, chorando suas desilusões e mágoas lhe deu forças para retomar "seu caminho". Era uma mulher levantando sua cabeça, pronta para voltar para a mesma casa onde era provocada e desprezada.
Segundo: "comeu". No versículo 7 Ana está tão depressiva que não consegue comer. Agora não. Ela havia sido renovada pelo mesmo que havia ouvido suas orações. Ela resolveu cuidar de si, sobreviver, deixar para trás seu estado depressivo, voltar á rotina saudavelmente.
Terceiro: "o seu semblante já não era triste". Não senhor! A tristeza agora fazia parte da história de uma mulher que ainda não havia se prostrado diante do Senhor. Ela não era mais aquela mulher. Um fardo havia sido deixado naquele templo enquanto orava.
Por fim, Ana recomeça sua vida, se dá ao esposo em relação sexual e o Eterno se lembra dela!
O que se segue é uma história de cumprimento das promessas feitas em tempo de angústia. Ana por certo não sabia, mas Samuel, fruto de suas orações, se tornou mais tarde num dos maiores líderes espirituais da história de Israel. Ele se tornou juiz, profeta e sacerdote. Foi responsável pela separação do primeiro rei de seu povo, Saul,  e do rei mais amado de Israel, Davi. 
Esta é a história de uma mulher que deixou uma lição extraordinária, que em meio a um conflito desesperador, assumiu uma posição diante de Deus, resolveu orar com todas as forças de sua alma numa atitude sábia e confiante e que se deu a si mesma a oportunidade de viver um novo tempo em sua história de vida!

15 de out de 2013

Precisamos de Hermenêutica Urgente Parte 2

Por Raimundo Campos



Depois de conhecermos alguns princípios da hermenêutica de Calvino e pensarmos no tipo de hermenêutica que foi usado pelos pais da reforma, cheguei à duas conclusões óbvias:
Primeiro: Existe uma Hermenêutica Reformada construída a partir de um pensamento lógico pertencente à ciência que cuida da interpretação de textos. Essa hermenêutica quebrou o jugo sob o qual estava a mente dos leitores da era medieval. Ela abriu novos horizontes para a compreensão humana sobre o que Deus quis dizer através dos homens que seu Espírito inspirou e, ajudou a formar uma teologia que rompeu com aquela que mantinha na ignorância homens e mulheres sedentos por comunhão com Deus.
Essa hermenêutica difere daquela usada pelos romanistas. Esta, busca a interpretação do texto a partir do que ele literalmente quis dizer; aquela, considerava alegoria aquilo que se entendia como texto de difícil interpretação e ignorava as verdadeiras razões pelas quais o texto foi escrito.
Todavia, o que se percebe, principalmente no contexto pentecostal, é uma tendência à romanização no método interpretativo dos textos sagrados. A ênfase na alegoria ao interpretar a Bíblia se tornou num hábito que lembra a hermenêutica do clero do século XV.
É bom lembrar que a teologia da era medieval, sustentadora da hermenêutica de "alegorese", é conhecida como teologia de sustentação do poder, isto é, para garantir a perpetuação de seu poder, através de uma política tirânica e dominante, o clero, detentor do direito de interpretação da Bíblia, fazia questão de sustentar o princípio da alegoria, em detrimento do princípio da interpretação do sentido literal, para manter sob o manto da ignorância a mente de seus fiéis!
A Hermenêutica Reformada é, portanto, o estribo, a base, o alicerce, da reforma filosófica e religiosa liderada por Lutero. Esta hermenêutica é a base da compreensão protestante da Escritura. 

Segundo: Há uma preguiça reinante na interpretação da Escritura por parte dos pregadores e ensinadores da atualidade. O método de interpretação usado pelo segmento reformado é ignorado por esta nova geração de ministros que teima em usar um método que atenda aos anseios de um rebanho bombardeado por influências teológicas como a da Prosperidade, entre outras.
A falta de cuidado com a interpretação da Escritura denuncia uma ignorância da hermenêutica reformada e sugere uma volta à prática da romanista!
Isto tem resultado em um púlpito cheio de discursos emocionalistas e que delira com contos, distanciando-se cada vez mais do que Deus está querendo dizer à sua igreja. As verdades do Evangelho passaram a ser apenas debates acadêmicos ou leves discussões em classes de Escola Dominical, enquanto que teimam ser uma mera fantasia na mentalidade da igreja de nossos dias!
Precisamos urgente de uma hermenêutica que promova um encontro do rebanho do Senhor com as verdades mais profundas de sua Palavra. Uma hermenêutica honesta, que tenha como chave interpretativa o que Orígenes chamou de Analogia da Fé, isto é, "a Bíblia interpreta a própria Bíblia", que confronte-nos com os alertas de Deus e nos leve a uma compreensão de sua mensagem!
Precisamos de ministros que tenham como sua maior tarefa o púlpito. O ministro pode até ter outras atividades em seus labores pastorais, mas a ministração da Palavra de Deus é sua mais importante tarefa. 
Há um princípio de Calvino para se compreender a Escritura que ele chamava de "orar e labutar". Ele queria dizer que para se compreender um texto sagrado era preciso primeiro orar e depois trabalhar, pesquisar, estudar, a fim de compreender o texto. Fazer uma exegese minuciosa e honesta e apresentar uma hermenêutica que propicie aos ouvintes a doce oportunidade de ouvir o que Deus realmente quis dizer através de sua Palavra.

Precisamos de Hermenêutica Urgente!

Por Raimundo Campos



A Reforma Protestante foi na verdade, uma reforma da maneira de ver a Bíblia, entendê-la. Na Reforma, o que passa a contar em relação àquilo que se entendia dos textos sagrados, não se passava mais pelo crivo da igreja, do clero. Agora, qualquer pessoa, pelo uso dos meios ordinários de interpretação poderia chegar ao conhecimento do conteúdo do que ensina a Bíblia.
A Hermenêutica era uma ciência usada apenas pelos pré reformadores como: André da Abadia de São Vítor, Nicolau de Lira, João Wicliff, entre outros. Lutero, fortemente influenciado por esses homens, principalmente por Nicolau de Lira, além de liderar o movimento que deu aos fiéis de sua época a oportunidade de lançar um olhar diferente sobre as Escrituras, liderou também a construção de uma hermenêutica que partia da forma alegorizada de ver a Bíblia para a forma histórico gramatical, que tinha como pressuposto analisá-la sob o ponto de vista da interpretação literal do texto.
Para os reformadores, a hermenêutica da era medieval era puramente alegórica, o que fazia com que os estudiosos da Bíblia ficassem distantes do que a Escritura queria realmente dizer. Para eles, era preciso uma hermenêutica que partisse do que chamavam de modo mais simples de ver a Bíblia, aquele pretendido pelos autores humanos, o sentido literal do texto.
Lutero ficou conhecido como o interprete da renascença européia e sua gana maior era viver de acordo com o modelo de Agostinho, pastor de Hipona e grande fomentador da harmonia dos conceitos bíblicos com alguns dos filosóficos. Por isso, Lutero dedicou-se a uma investigação da obra filosófica grega e ao estudo do Novo Testamento em sua língua original. Sua obra, abriu portas para a compreensão da Escritura de uma forma crítica o que levou aos que dedicavam suas vidas à compreensão da Palavra de Deus  a chegarem perto do que os autores humanos da Bíblia quiseram realmente dizer!
Lutero não ignorou o fato de que determinados textos eram alegóricos, mas partiu do pressuposto de que os textos sagrados deveriam ser interpretados primeiro a partir da mensagem literal dele. Em seu Segundo Comentário sobre a Carta aos Gálatas, por exemplo, ele faz uso da alegoria para explicar suas conclusões exegéticas.
Todavia, Lutero destacou-se mais pela sua coragem e piedade do que pelo seu brilhantismo intelectual, embora tivesse deixado um legado no que foi chamado pelos exegetas de resgate moderno do método histórico-gramatical. 
O grande exegeta da reforma mesmo foi Calvino, por fazer um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical de interpretação e por ser versado nos escritos dos pais latinos e na filosofia grega, conhecedor das línguas originais (grego e hebraico), além de ter uma facilidade de diálogo com os pensadores de sua época.
Abaixo, transcrevo artigo publicado no site Monergismo que aponta seis princípios da Hermenêutica de Calvino. Escolhi este texto porque, de forma sucinta, descreve o que gostaria de destacar na Hermenêutica de Calvino que penso fazer falta em nossos púlpitos, em nossa forma de ver a Bíblia:

Princípios da Hermenêutica de Calvino

1.      Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de deturpação do sentido da Escritura

Ao desenvolver sua teologia Calvino fazia menção à interpretações alegóricas desenvolvidas pela igreja papista durante os séculos difíceis da Idade Média, e mesmo por pais da igreja que desenvolveram teses insustentáveis exegético e teologicamente. Nestas referências ele denunciava de forma quase virulenta a alegorese, forma ilegítima de buscar o real sentido da Palavra revelada. Não raro, Calvino chamava tais interpretações de "ficções", e com isto ele pretendia expressar que a origem de tais interpretações era a imaginação do intérprete e não a revelação do Divino.
Desta prática apologética de Calvino, podemos apreender que para a adequada utilização do método histórico-gramatical, o intérprete deve deixar o texto falar por si só. Deve, na medida do possível, impedir que sua própria inventiva projete sobre o texto significados e afirmações que nele não subjazem.

2.      Ênfase no sentido literal do texto

Calvino defende que cada texto tem um, e somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Este sentido pode ser percebido pela leitura simples da Escritura. A forma mais comum de entendermos o que pretendia dizer o autor sacro, é buscar no sentido literal da passagem.
Vale, porém, lembrar que Calvino não era como ele mesmo designava, um "literalista", aqueles que desprovido de bom senso, criam que todo texto deva ser interpretado de forma literal. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor. Ele é categórico ao afirmar que a tipologia do texto pode ser percebida mesmo por indoutos em uma rápida leitura da passagem, e que aqueles ignoram isso o fazem devido à distorções de seus próprios espíritos perversos.

3.      Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da Bíblia

Na ótica calvinista, é tríplice a ação do Espírito em relação à Escritura. Em primeiro lugar, Ele inspirou os autores sacros, colocando em seus corações aquilo que pretendia fosse registrado para a posteridade e, principalmente, impedindo que ao registrar tais verdades, fossem inseridas máculas ou desvios provenientes da falibilidade do instrumento (o homem); em segundo lugar, ele preservou e preserva através dos séculos pura a sua Palavra para benefício e instrução da igreja, impedindo de forma miraculosa, que a verdade fosse distorcida ou omitida; e em terceiro lugar, Ele age hoje sobre os seus ministros, iluminando suas mentes para que compreendam corretamente o significado e as várias aplicabilidades dos textos, para a benção e edificação do povo de Deus.
Desta forma, é impossível, pensava Calvino, e nós cremos ainda hoje, fazer adequada interpretação e pregação da Palavra, sem a dependência absoluta do Espírito Santo de Deus.

4.      Valorização do estudo das línguas originais para melhor 4. compreensão do ensino sagrado

Conquanto Calvino cresse na intervenção e auxílio do Espírito para a correta interpretação da Sacra Letra, ele jamais desprezou ou minimizou a importância do contínuo e cuidadoso estudo das línguas originais. Como já afirmei acima, o reformador de Genebra era versado em grego, hebraico e aramaico, além de possuir total domínio do latim e do francês, pelo menos.
Lendo as Institutas e seus comentários de livros de ambos os Testamentos, encontramos Calvino não apenas se referindo às palavras na língua original em que o texto foi escrito, mas também descendo a detalhes como o significado da conjugação de um verbo ou do modo de um dado substantivo. Tais conhecimentos são úteis e importantes para uma benfadada prática hermenêutica, chegando mesmo a Confissão de Fé de Westminster consagrá-los como "supremo tribunal" para que sejam dirimidas dúvidas.

5.      Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos que eles não suportam

Na teologia há que se fazer uso de tipologias, que consiste em perceber que determinadas realidades do Antigo ou do Novo Testamento podem, corretamente, ser apropriadas como representações de verdades sublimes. Lutero no afã de demonstrar que Cristo está presente em toda a Bíblia, de Gêneses à Apocalipse, por vezes fez temerárias apropriações. Quase que impondo significados cristológicos a textos onde, provavelmente, não era esta a intenção Espírito e do autor (que são sempre a mesma). Tal prática não pode ser encontrada na obra de Calvino, destarte o delicado momento histórico em que ele viveu.
É digno de nota o fato de que para Calvino toda a Escritura aponta para Cristo, mas ele não está tipologicamente figurado em toda passagem da Escritura, como pretenderam alguns medievais e, em menor medida, Lutero.

6.      A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia

Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada. Ele reza que os textos menos claros da Escritura sejam interpretados à luz dos textos mais claros. Esta é a prática generalizada de Calvino em todos os seus escritos. Sua primeira opção é sempre conferir textos paralelos que tratam do mesmo assunto.
Um exemplo disso, aparece quando comentando no quarto livro a dimensão herética que tomara a prática de ungir os enfermos, degenerando na unção in extremis (extrema unção), ele chama à memória o texto de Mc. 6:13, onde está registrado que os apóstolos na ministração de cura aos enfermos de diferentes aldeias e povoados por onde passaram em cumprimento de uma comissão dada pelo próprio Senhor Jesus, fizeram uso da unção com óleo, lembrando ainda que ao curar um cego Jesus fez lodo com saliva e areia, ungiu os olhos enfermos, curando-o. Findando por relembrar que no Antigo assim como no Novo Testamento o óleo simboliza o Espírito Santo.
Desta forma, o grande mestre de Genebra, mesmo entendendo que a prática da extrema unção era prejudicial e promovida, freqüentemente, pelo misticismo pernicioso, ele não desvirtua o sentido simples dos textos em questão, antes os analisa com transparência, porém alertando para o mau uso que vinha sendo dado à esta prática no meio da igreja romanista.

3 de out de 2013

Uma Palavra aos Pastores e Líderes da Adesal

Por Raimundo Campos

A Adesal (Assembléia de Deus em Salvador), através da Semadesal (Secretaria de Missões da Adesal), é mantenedora de 40 famílias em cidades do interior da Bahia, dois estados da Federação e em campos transculturais. O desafio de mantê-los vai desde as passagens para envio, até sua manutenção diária, retorno do campo e apoio enquanto estiverem na base.
A tarefa de enviar obreiros aos campos deve ser vista como a responsabilidade da igreja na obra da evangelização das nações. Uma igreja que envia missionários é uma igreja que compreende o propósito de Atos 1:8, de sua presença em sua cidade, como proclamadora das boas novas do Evangelho, em seu Estado e Nação e além das fronteiras de seu país.
A Igreja que compreende seu papel como agente de Cristo na terra, não se detém com o
Missionário Eduardo falando
à crianças sulafricanas.
temporal e secundário, em detrimento do atemporal e prioritário. Esta igreja não se deterá com questões políticas e sociais, embora as tais tenham a sua relevância, mas colocará acima destas a que realmente importa: a evangelização de sua comunidade e dos povos e a consolidação dos novos na fé com o intuito de amadurecê-los e treiná-los para que o ciclo recomece e a igreja continue sendo o arauto de Cristo entre as nações.
Nossos Congressos, Convenções, Festivais e Campanhas devem dar lugar a um movimento de evangelização e discipulado que resulte no maior número possível de pessoas que ouçam a Palavra de Deus e conheçam a Cristo.
Nossos planos e projetos devem ter como tema a glorificação a Cristo e a proclamação de sua Palavra. A igreja deve se achar no grande projeto de Deus para ela aqui na terra. Não fomos chamados para ampliar nossos ministérios e denominações, mas para semear a Cristo, levando sua mensagem onde Ele ainda não tenha sido proclamado.
Missionários Jair e Deny: trabalho
com famílias em Guiné Bissau.
Embora estar em um lugar de honra e estratégico na sociedade tenha sua relevância, nossa prioridade não é ocupar as posições de destaque,  mas impactar os que as ocupam. Nossa missão não é garantir uma posição na política, mas influenciar governantes, gabinetes e órgãos com a luz de Cristo em nós.
Precisamos de uma igreja viva, cujo comportamento embase sua pregação, uma igreja presente nos becos e valados, atenta para o choro dos jovens das muitas cracolândias desta nação, para as meninas prostitutas no estado com maior número de pontos vulneráveis no Brasil, a Bahia.
Precisamos de uma igreja que suba a Ladeira da Montanha em Salvador e seus inúmeros pontos de drogas com uma mensagem viva que alcance crianças e adultos, que responda às questões mais profundas dos corações de nossos adolescentes desamparados pela família e que se tornaram os bandidos mais perigosos de nossa cidade!
Precisamos de uma igreja que acolha o párea, o excluído e aqueles fadados à condição de rejeitados por esta sociedade.
A Igreja em Salvador, a Adesal, a Assembléia de Deus em Salvador, precisa se voltar para
Crianças e adolescentes alcançadas pelo trabalho dos
Missionários José Luiz e Yomary na República Dominicana.
missões, para os longe do aprisco. Chega de fazer festas para crentes, é preciso fazer festa para o perdido, promover ações de resgate das vidas cujas almas caminham a passos largos para o inferno.
Podemos começar agora, unirmo-nos em torno de um projeto que represente nosso papel neste contexto. Os Pastores de Setor, Os Superintendentes de Congregação, cada obreiro e ministro, cada congregado e membro precisa dar as mãos, ajudar a manter nossas famílias missionárias. Este é um desafio de todos nós, não é um desafio de nenhum pastor em particular, é um desafio de Deus para nós.
Nossa Igreja é forte, nossos líderes são capazes, nosso potencial é gigantesco, nossa fé
Missionária Iraildes com
crianças de sua escola no Haiti.
deve ser praticada agora, podemos fazer muito, podemos crescer, vencer, ganhar, se unirmo-nos, se dermos as mãos em favor daquilo que agrada a Deus, deixando de lado nossas prioridades para dar lugar às de Deus.
Enquanto ocupamos-nos com discursos e argumentos que inviabilizam o que deve ser feito, missionários sofrem no campo, vidas deixam de ouvir a Palavra, crianças deixam de ser alcançadas por projetos abençoadores de nossos missionários na Índia, pela Missionária Cláudia e pelo Missionário Moses, no Haiti, pelo projeto da Missionária Iraildes, no Equador, pelo programa de atendimento à crianças carentes, pelo Missionário Josemar. Não podemos frustrar o trabalho do Missionário Eduardo entre crianças vítimas de guerra, violência sexual e da AIDS. Não podemos ficar indiferentes às dezenas de adolescentes que recebem discipulado semanalmente pelos Missionários José Luiz e Yomary na República Dominicana, nem ao trabalho de restauração de famílias feito pelos Missionários Jair e Deny em Guiá Bissau, na África, muito menos ao de implantação de igrejas no interior da Bahia pelos Missionários Genilson em Catu, João da Cruz em Sete Brejos, Osvaldo Alves em Itatim, entre outros.
É hora de despertar igreja, de ouvir a voz dos que clamam, de se compadecer pelos nossos irmãos missionários, que fazem o que não podemos fazer, que estão onde não podemos estar, sofrendo a dor que não queremos sentir e chorando a lágrima que não estamos preparados para derramar!
Portanto, saiamos deste estado de letargia em relação à missões. A hora é agora. Conheça o plano e os projetos de missões de sua igreja, abrace a causa missionária!