11 de jan de 2014

Missões, Missões, Missões...

Missões. Essa palavra é uma das mais usadas em nosso meio, principalmente depois do bum missiológico do final da década de 1980 para cá. Nosso vocabulário teológico e missiológico ganhou novas palavras e criou novos termos. Palavras e termos como "onda de missões", "missão integral", "janela 10/40", "povos não alcançados", entre outras, povoam as Conferências e toda sorte de Encontros de Missões. 
Surgiram então especialistas na área; os que investiram tempo e esforço, dando a vida por povos, nações, ilhas e civilizações distantes deixaram de ser loucos e fracassados  para serem heróis, referências impossível de deixar de citar, cujos tratados, legado e exemplo constam nos livros missiológicos contemporâneos.
Mas Missões não se transformou apenas na matéria que não pode deixar de ser divulgada e discutida, mas no discurso filosófico, na palestra interessante e no assunto sobre qual debruçam-se quem nada tem haver com a causa. Passou a ser instrumento de marketing e motivo de arrecadações monetárias. A profanação da causa pelos espertos é um mal na igreja brasileira. Falo de pastores e líderes que promovem Congressos, Conferências e todo tipo de conclave em nome de missões apenas para engordarem suas contas bancárias. Falo dos chamados Conferencistas Internacionais que se vendem pela oportunidade de subirem nos ambicionados púlpitos de eventos grandiosos nesta nação, de pastores e pregadores que recebem altos cachês e regalam-se em hotéis de luxo e caros cardápios com o dinheiro supostamente arrecadado para missões.
Mas temos ainda outros males. Enquanto esses iníquos fazem como os filhos de Eli, alguns pastores ignoram totalmente a causa e transformam a igreja num ambiente confortável, vendendo ao povo um evangelho contaminado com a loucura gospel e toda desgraça da teologia da prosperidade e do positivismo oriental. Um Evangelho humanista, hedonista, pautado nos prazeres terrenos e na satisfação do eu. E a igreja? Vai cada vez mais se afastando de sua missão, da razão pela qual ela existe: Glorificar a Cristo e fazê-lo conhecido!
Me incomoda ver um líder de missões em algumas congregações se acabando, fazendo cantinas, levantando fundos extras para fazer um evento missionário, enquanto seu pastor, sentado em seu púlpito, contempla tudo com ar de "tô nem aí", com a tola ideia de que sua parte é deixar acontecer e dar apoio; pensam que tem trabalhos e assuntos mais importantes. Enquanto uns faturam com missões, outros desprezam e são desprovidos de conhecimento sobre missões.
Temos então a exploração e o descaso e, neste meio, temos as ovelhas ludibriadas pelos que exploram e as ovelhas indiferentes por que lhes falta conhecimento, falta-lhes pastores.
Missões não deve ser o meio de "tirar" dinheiro do povo, como não pode continuar sendo ignorada pelas lideranças e pela igreja. Não fomos chamados para contribuir emotivamente com missões, mas racionalmente, além de termos sido chamados para fazer missões com nossa vida, nosso testemunho, nosso serviço, nosso dinheiro e tudo que há em nós. A razão pela qual somos igreja é para glorificar a Cristo, fazendo-o conhecido!
Acontece também que estamos numa época em que os crentes estão desprovidos de paixão. Não somos idealistas e não temos uma causa. Somos crentes por causa das experiências que nos salvaram dos terrores da vida. Éramos endividados e agora temos estabilidade financeira, éramos infelizes e agora somos felizes, estávamos falidos e agora somos empreendedores de sucesso! Não estamos aprendendo sobre o motivo pelo qual Cristo nos salvou. Esquecemos que Ele morreu por nossos pecados, os mesmo que nos levariam ao inferno e que uma vez salvos, precisamos anunciar isso a quem está na mesma situação em que estávamos antes! Sim, mas isto não nos importa, este é o nosso problema.
Precisamos acordar, precisamos urgente voltar ao Evangelho como ele é. Precisamos abandonar esse evangelho mesquinho da "restituição", da "virada", da "vitória com sabor de mel", da "chuva" e "das novas unções". Esse evangelho que só funciona nos países emergentes, mas que nunca falará à igreja perseguida, nunca falará aos vitimados pelo terremoto no Haiti ou ainda à igreja subterrânea da China!
Quando nos convertermos dessa prostituição espiritual e entendermos que o Evangelho é o Cristo crucificado, ressurreto e que nos escolheu antes da fundação do mundo, nos chamando das trevas para sua maravilhosa luz, a fim de que anunciássemos suas maravilhas até os confins da terra, aí então poderemos dizer que entendemos o sentido de missões. Então, missões não será mais instrumento de barganha, de lucro, nem de indiferença, mas o meio pelo qual Cristo é conhecido através da Igreja. Façamos missões enquanto é dia, a noite vem quando ninguém pode trabalhar!

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