27 de fev de 2014

Eleições na Conframadeb e a Mentalidade da Alternância


Eleição é um processo comum em qualquer democracia e permite que se viva em sua plenitude o que há de salutar nas alternâncias de poder. Possibilita a renovação e abre-se oportunidade para se viver novas eras, novas propostas, etc. Uma instituição como a CONFRAMADEB, uma associação de Pastores, de líderes espirituais, como qualquer outra do gênero, precisa sim das benesses deste processo periódico. É necessário! 
Porém, percebo o que chamo de sentimento do patriarcalismo, onde num contexto como o da nossa Convenção, aventurar-se em uma candidatura que concorra com a do Presidente é como se fosse desafiá-lo, parece que a posição do Presidente é intocável e tentar legitimamente, sob as bençãos dos direitos constitucionais, estatutários e democráticos, concorrer a Presidente, fosse como blasfemar contra Deus. Percebe-se também o pensamento medíocre que paira em nosso meio de que qualquer outro seria incapaz de tal proeza. Vejo o sorriso cínico e sarcástico dos que olham para aqueles que ousam conjecturar sobre este assunto. Agora mesmo, alguns que leem esta matéria, me abominam e farão comentários covardes pelas costas. 
Em qualquer democracia, os mais improváveis, podem se tornar os mais prováveis, que o diga Luis Inácio Lula da Silva! Mas em nosso meio não. Acredita-se que o respeito e a honra devem ser embasados com o puxa-saquismo. Esta mentalidade ultrapassada que não permite o novo, que perpetua um discurso sem obras e novidades, que tolhe o diferente e aquele que possa mostrar uma nova via, um novo caminho, tem feito de nossas convenções, começando da Geral, um regime totalitário, uma herança de pais e filhos, uma casa patriarcal.
Enquanto aqueles que consideramos justos se escondem por motivos que eu não sei (pois eu também penso estar longe, então, eu me critico!), alguns medíocres se aventuram. Alguns que não querem nada, só aparecer e se beneficiar (de quê, eu não sei).
É preciso mudar nossa mentalidade. A alternância de poder não pode ser um processo eletivo apenas, precisa ser um processo onde se conceba novas lideranças, lideranças que apresentem novos caminhos, que possibilite o novo, que ouse, que quebre as cadeias da mesmice!
Enquanto isto não acontecer, passaremos os anos elegendo as mesmas pessoas e vivendo as mesmas mazelas, o mesmo estado de letargia, de desconfianças, debatendo o antigo e desconhecendo o atual, presos em nosso mundo, alienados.
O General Euclydes Figueredo,  pai do último Presidente da República do Regime Militar, João Figueredo, chegou a dizer que "a alternância no poder é essencial para a perenização da democracia...". Percebe? Só há democracia com a alternância no poder.
Vamos orar para que Deus conduza essas eleições, mas também vamos fazer parte de um processo democrático onde o que pensa diferente, tenha o seu lugar e faça, sem temores, seus discursos. Vamos permitir que o novo se manifeste, concorra, discuta, discorde, tenha o seu tempo, a sua hora.
Se o atual Presidente for reeleito democraticamente, que seja, mas que tenha coragem para fazer mudanças significativas e não permitir ser conduzido pela política das vantagens e se fazer cercar dos malandros dos bastidores convencionais. Capacidade para fazer diferente, sei que tem!
Todavia, não façamos dele a última esperança, pois não é. Não façamos dele a única saída; não, não façamos dele nosso patriarca, não precisamos disso, isso é retroceder, é cegar-se. Deixemos que o processo seja conduzido por Deus e pelo espírito democrático dos que são livres.

2 comentários:

Paulinha Bitty disse...

Pr. Raimundo,
O admiro muito por sua coragem e destemor em falar de um problema que se encontra tão enraizado na estrutura das nossas instituições religiosas. Sua postura lembra-me muito a do profeta Jeremias que muito sofreu por confrontar o seu povo com os seus pecados e revelar o juízo de Deus sobre os mesmos. Sobre isto um certo escritor disse:"Nunca foi imposto sobre um homem mortal fardo mais esmagador.Em toda a história da raça judaica, nunca houve semelhante exemplo de intensa sinceridade, sofrimento sem alívio, proclamação destemida da mensagem de Deus e intercessão incansável de um profeta em favor do seu povo como se observa no ministério de Jeremias. Mas a tragédia de sua vida foi esta: pregava a ouvidos surdos e só recebia ódio em troca do seu amor aos compatriotas."
É pastor o senhor não é o primeiro a sofrer, a questionar e até a confrontar algumas coisas que acontecem em nosso meio, mas com certeza é um dos poucos que se propõe a "pregar a ouvidos surdos e receber ódio em troca do seu amor". Saiba que esta é uma postura que poucos assumem pois necessita de muita coragem para tal e convicção de que mudanças são necessárias, e isto o senhor tem mostrado que tem de sobra.
Deus te abençoe, te sustente e lhe dÊ a estrutura que deu a Jeremias: EIS QUE TE PONHO HOJE POR CIDADE FORTE, E POR COLUNA DE FERRO, E POR MUROS DE BRONZE...E PELEJARÃO CONTRA TI, MAS NÃO PREVALECERÃO CONTRA TI; PORQUE EU SOU CONTIGO, DIZ O SENHOR , PARA TE LIVRAR.Jeremias 1. 18 e 19

paulo disse...

Meu caro pastor Raimundo campos, concordo plenamente contigo, mas até quando, vamos suportar essa carga tão pesada?
Pesada pela hipocrisia e cinismo, de pessoas que mesmo não concordando com esse sistema tão " absoluto " não expressam jamais sua opinião, com medo de perder certas "vantagens".
E voce, tome muito cuidado, pois sua vida corre alto risco.
Abraços.