14 de fev de 2014

O Desdém com o Discipulado e Treinamento Está Formando Uma Geração Desprovida de Líderes

Direto ao assunto: a maioria dos líderes, inclusive em minha denominação, são preguiçosos e estão se acostumando a querer tudo pronto. Querem igrejas prontas, obreiros prontos, ofertas prontas, equipes prontas e não querem ter trabalho com nada. Vivem sonhando com uma igreja que tenha uma grande orquestra, um grande corpo de obreiros, gente à disposição, auxiliares inteligentes e com visão, que faça, faça e faça.
Esses líderes não tem interesse em gastar tempo em formar obreiros e pagam o preço amargo de viver a lamentar a falta de vocacionados. Não se encontra homens e mulheres com chamada, não se vê alguém disposto a aprender e colocar seus dons ao serviço do Mestre! Porque? Porque poucos, muito poucos estão disposto a ensinar. Uma liderança eficaz é uma liderança que se dedica a identificar talentos, a treinar vocacionados e a formar líderes. E este é um trabalho árduo. Implica em dedicar a vida pela vida dos outros, em visualizar o futuro e se preocupar com o destino da igreja, de nossos filhos, famílias e sociedade. De vez em quando me pergunto: "Que igreja e que pastores deixarei para meus filhos e netos?"
O discipulado não é apenas aquele departamento da igreja que se dedica a integrar os novos crentes no corpo de Cristo, não! O discipulado faz parte da natureza da igreja na formação do caráter dos fiéis, visando sua edificação, crescimento espiritual, a fim de que estejam prontos para o serviço do Mestre! É daí que surgem novos obreiros, é daí que se desperta os dons e vocações; é desta "educação" do Reino que provocamos o surgimento de líderes.
Enquanto formos negligentes com o discipulado, fadaremos o futuro da igreja a um futuro sem liderança eficaz, onde teremos chefes e gerentes, mandões e até déspotas, mas ninguém que desperte a paixão do povo como os verdadeiros líderes o fazem!
A igreja está crescendo, se é que cresce mesmo, sem referenciais, sem saber que é dela mesmo que se forma líderes, é do povo, dos crentes mais complicados, dos mais incapazes aos olhos humanos. Eles só precisam ser discipulado, precisam aprender, precisam que se lhes dê a chance, apenas isso, tal qual os rudes pescadores do Mar da Galiléia a mais de dois mil anos atrás. 
O primeiro princípio de Jesus era o discipulado. Você sabe que Jesus tinha muito mais que doze seguidores. Ele tinha os que o seguiam de longe e aqueles a quem Ele chamou para a escola do seu discipulado. Chamou-os e os treinou durante quase três anos. Ensinou-lhes sobre amor, justiça, humildade. Treinou-os para conviverem com toda sorte de gente e de situações. Preveniu-os contra toda sorte de adversidades e contra falsos irmãos e profetas, abriu-lhes os olhos acerca do fim dos tempos, conferiu-lhes autoridade, ferramentando-os para as batalhas espirituais. Falou-lhes sobre a necessidade de orar e jejuar e adivertiu-os sobre a hipocrisia e religiosidade!
Perceba que no capítulo 10 de Mateus, versículo primeiro, eles são chamados de discípulos, o que recebe instrução e segue os ensinos de alguém. Todavia, após receber autoridade, passam a ser chamados, no versículo dois, de apóstolos. O discípulo é o que está sendo treinado, forjado, discipulado. Já o apóstolo é o que está sendo enviado. A idéia fornecida pelo grego da septuaginta (tradução para o grego do Antigo Testamento), levando em consideração a forma verbal, é que o apóstolo é o enviado e a palavra aparece para Moisés, Elias, Eliseu e Ezequiel. Já a forma nominal indica agente credenciado.
Portanto, o apóstolo é aquele que foi credenciado na escola do discipulado! O apóstolo surge no discipulado. No discipulado, o vocacionado se torna ministro, se torna um enviado. É no discipulado que o caráter é trabalhado. Lamentável é que hoje muito poucos querem ser treinados, a maioria quer receber títulos. A arrogância é tanta, que não se submetem à autoridade espiritual constituída sobre suas vidas e ainda se rebelam contra ela. Desafiam e ofendem pastores e tornam-se donos de seus ministérios!
Para discipular um obreiro é preciso levar em consideração primeiro que a pedra mais bruta pode ser a mais valiosa! Por isso Jesus investiu em Pedro e nos boanerges (Marcos 3:17). Homens de temperamento e atitudes insuportáveis. Foi por isso que Paulo investiu em jovens que ninguém investiria. Ele identificou e treinou homens como Timóteo, Silas, João Marcos e tantos outros. Considerou-os úteis e os forjou nas lidas de suas viagens missionárias! Deu-lhes oportunidade, acreditou no potencial deles, adverti-os, os repreendeu e, desta forma, os ensinou.
Segundo, é preciso paciência! O discipulado é como a semeadura, tem suas etapas. É preciso encontrar um terreno apropriado, arar o terreno, lançar a semente, molhá-la, cuidar dela, protegê-la dos excessos ou faltas de calor, frio e chuva, esperar os botões, as flores e entender que quando o fruto surge não significa que também surge a oportunidade de colhê-lo! É preciso paciência e esperar a hora certa de colher.
Terceiro, o discipulado é um relacionamento entre mestre e aluno. O aluno levará para a vida toda, não apenas as palavras, mas o modelo de vida de seu mestre. Talvez esta seja uma das razões pelas quais é tão difícil termos discipuladores hoje e, portanto, lidarmos com a preguiça em fazer líderes! O discipulado exige uma vida de exemplo, aquele "faça como eu faço" de Jesus (João 13:15)!
Acontece que a maioria dos pastores e líderes de hoje vivem de seus apartamentos para seus carros, dos carros para os gabinetes e dos gabinetes para os púlpitos. A maioria tem quem leve esperança por ele, quem aperte a mão do aflito em seu lugar e quem dê um conselho substituindo-o, pois eles estão ocupados em gerenciar o grande negócio de seus ministérios. Gosto quando me encontro com o texto de João 1:35-39. Depois que dois dos discípulos de João ouviu seus conselhos e decidiram seguir a Jesus, foram até Ele, viram onde ele morava e ficaram com o Mestre todo aquele dia. Jesus começava assim seu relacionamento com aqueles mais novos discípulos!
O discipulado exige também perdão, disciplina e entender que o a tarefa de moldar alguém é árdua, até insuportável, às vezes, mas com paciência, amor e tempo, dá pra ver o surgimento de um líder!

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