7 de abr de 2014

Minha Fé em Minha Adolescencia

As imagens vivas em minha mente da minha igreja nos meus tempos de adolescente, é a imagem da euforia e do entusiasmo. Por várias vezes senti que não poderia suportar o fardo que meus líderes lançavam sobre mim, todavia, aquelas exigências se tornavam fáceis de seguir quando me via diante da presença de meu Senhor, tão invocada e temida em nossos cultos!
Sinceramente, quase que nem sentia que estava sendo exigido de mim o que a Bíblia nunca exigiu. Só comecei a perceber isto, de fato, quando mergulhei nas Escrituras. Mas enquanto novo convertido, dando os primeiros passos na fé, ansioso por viver as experiências do Batismo no Espírito Santo e por sentir aquela comunhão tão cantada em nossos hinos da Harpa Cristã e tão pregada em nossos cultos de doutrina, vivi com todas as forças de minha alma a fé, me entreguei ao serviço do Mestre e ansiei que fosse escolhido por meus líderes para alguma tarefa em especial na igreja local.
Vivi momentos de alegria e gozo, quando o coração ardia enquanto orava na antiga igreja Assembléia de Deus em Periperi, naquele prédio coberto de telha feita de barro e com uma velha palmeira na frente! Frequentei com paixão a Escola Bíblica Dominical quando aprendi com Êudice Montenero, Admilson Cerqueira, Aristides Sacramento e o Círculo de Oração foi meu altar, onde minhas lágrimas molharam meu rosto inúmeras vezes, clamando para que o Espírito Santo me ajudasse a vencer aqueles desejos carnais tão comuns do corpo adolescente que só queria agradar a Deus! Amava ouvir a amada senhora de cabelos brancos Zilda Genebra, mulher de fibra sofredora, mas que nunca reclamava. Com ela aprendi sobre persistência, humildade, fé.
Embora considerasse difícil não ceder ao chamado do mundo, cada vez mais me empolgava com a Bíblia e o chamado para algo que eu não sabia o que era. Por causa disto, juntamente com meus amigos da época, evangelizei em ônibus, no trem do subúrbio, nas ruas de Periperi, comprei com muita alegria as chamadas "fardas" do grupo de jovens, comprei os discos de vinil de Ozéias de Paula, Shirley Carvalhaes, Denise, Edson e Telma, Álvaro Tito, Nilson Lins, Danny Berros, Aba, Embaixadores de Sião e tantos outros. Sinto que vivi a fé mais que muitos jovens da geração de hoje.
Apesar das grandes lutas que passei em minha mocidade, servi com alegria, me envolvi nos congressos de Jovens de Salvador, cantei no Grande Coral da Mocidade, frequentei os estudos bíblicos de sábado à noite, ouvi gente boa como Jorão Bergstein, Martinho Damião, Rodrigo Silva Santana, Otávio Rendeiro Filho, Abrão de Almeida, Takayama, Gilvan Rodrigues, Napoleão Falcão, Juarez Machado e tantos outros homens de Deus no templo central da Liberdade.
Ah, bons tempos aqueles em que íamos a pé para as vigílias em Paripe, Plataforma, Lobato, ou então pegávamos dois transportes coletivos ou mais para ouvir Deus falar em Capelinha, Pau da Lima, Calabetão ou passávamos as manhãs de sábado no Círculo de Oração de Pernambués, quando víamos Deus usar poderosamente uma irmã por nome Rute Pestana!
Às vezes nos reuníamos para orar juntos. Lembro-me de amigos de oração como Gerson Silva, Orley, Américo Rosa, Raimunda, nossa Regente do Grupo de Jovens Harmonia Celestial e que também era uma mãezona para todos nós.
Foi o tempo em que li muito. Li: Uma Vida Cheia do Espírito Santo de Charles Finney, Torturados Por Amor a Cristo, de Richard Wurmbrand, O Diário do Pioneiro, A Síndrome de Lúcifer, A Quarta Dimensão (livro que hoje sei tem muita coisa do positivismo), O Fruto do Espírito Santo, li os livros escatológicos de Pedro Severino e Abraão de Almeida, entre tantos outros.
Apesar de ter cedido a muitas tentações, descobri o amor de Deus em meus momentos de crise de consciência quando minha fé frágil e débil tentava sobreviver ao legalismo reinante em minha denominação. Quanto mais eu lia a Bíblia e os livros recomendados por meus discipuladores, mais eu enxergava as teias legalistas em que estava envolvido naqueles anos de minha adolescência. Debati-me em minha consciência e questionei meus ensinadores sem deles ter obtido a resposta que minha alma desejava.
Só me encontrei como crente e salvo em Cristo, lendo a Bíblia e orando. Tive como meu mair discipulador mesmo, o Espírito Santo. Lembro-me que em alguns momentos em que passava em oração em minha casa durante as madrugadas, lendo a Bíblia, recebi fortes orientações de Deus para minha vida. Não devo esquecer, no entanto, que devo isto aos meus discipuladores. Apesar deles não saberem responder muitas das minhas inquietações, eles me ensinaram que eu deveria ter comunhão com Deus, que eu deveria orar e ler a Bíblia, que eu deveria frequentar o Círculo de Oração e a Escola Bíblica Dominical.
Sinto que poucos, muito poucos mesmo, dos adolescentes de hoje não vivem a fé como vivíamos na década de 70 e 80. As novas tecnologias, as novas tendências teológicas, o novo modelo da liturgia, os novos conceitos de música, adoração, comunhão, fé, que povoam a mente de nossos adolescentes hoje, difere em muito daqueles anos da minha adolescência.
CONTINUA...

Um comentário:

Eliel Coelho Santos disse...

APAZ PASTOR,O SENHOR FOI LONGE RSRS.A VONTADE DE DEIXAR TUDO E VOLTAR AQUELES TEMPOS E GRANDE NO MOMENTO DA SAUDADE ,PRINCIPALMENTE QUANDO O SENHOR FALOU SOBRE O ESTUDO DIA DE SABADO NA LIBERDADE E O CIRCULO DE ORAÇAO E A ORAÇAO DO AMOR COM A IRMA GENEBRA.NUNCA ENTENDEREMOS COMO TUDO FOI DESFEITO. QUE DEUS POSSA TORNAR OS NOSSOS DIAS COMO DANTES!