15 de jun de 2014

Joaquim Barbosa é Real?


Custa acreditar que num país como o Brasil, onde campeia a corrupção, a injustiça, onde figurões da política roubam e pousam de vítimas do sistema, possa surgir uma personalidade como a do Presidente do Supremo Tribunal Federal, o filho de um pedreiro e uma dona de casa que, segundo a Veja, galgou posições elevadas "sem a ajuda de padrinhos influentes e sem pedir favores".
Em 2003, pensando em nomear um negro para a mais alta corte do Judiciário, o Presidente Lula, indicou Barbosa para o cargo de Ministro do STF. Começava a ser mais conhecido o homem de origem humilde que já era Professor de universidades renomadas no Brasil e no exterior. Apesar da intenção do Presidente Lula de querer "tirar do papel a agenda de políticas afirmativas do Governo", terminou foi escolhendo o homem que daria "o mais duro golpe contra a corrupção na história recente do país".
Joaquim Barbosa passou a protagonizar o episódio do Processo do Mensalão no STF. De relator, passou a Presidente da mais alta corte do Judiciário, e foi rígido, direto e extremamente radical em suas posições em embates com seus pares que ficarão nos anais da história de um Brasil que queria passar a limpo anos de corrupção e banditismo de sua política.
O jurista que parecia um Cavaleiro Solitário em sua busca por justiça, ficou conhecido como o Vingador da Capa Preta, depois de decretar a prisão da antiga cúpula do partido de Lula. A Revista Veja, em matéria especial, chegou a publicar que o próprio Lula e o PT "jogaram pesado para adiar o início do julgamento" que teria a intenção de condenar os réus por formação de quadrilha, "numa tentativa de facilitar a prescrição por certos crimes."
Devido a este lamentável entrave, a mídia passou a divulgar que o Presidente Barbosa, anteciparia em onze anos a sua aposentadoria compulsória sob a alegação de que sua missão estaria cumprida. Um jogo muito bem montado pelos poderosos fez com que novos juristas assumissem cadeiras no STF, o que levou Joaquim Barbosa concluir que, doravante, "devido a nova composição do tribunal, tenderia a ser sempre derrotado nos embates criminais mais polêmicos".
O anúncio de sua precoce aposentadoria fez com que políticos e personalidades em geral se manifestassem publicamente tecendo elogios ao seu caráter e seu senso de justiça. O Líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), por exemplo, chegou a afirmar que "Barbosa não se curvou aos poderosos e entrou para a história do país".
O homem indicado pelo próprio Presidente da República para ocupar uma cadeira na mais alta Corte do Judiciário não teve receios em reprovar posturas do mesmo e o criticou ferrenhamente quando fez críticas no exterior às decisões do STF brasileiro: "Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta corte do país".
O senso de justiça e retidão, a coragem de enfrentar aqueles que, ao que parece, queriam continuar coniventes com as barbáries cometidas por burocratas e políticos, a maneira firme com que sempre defendeu suas conclusões acerca do processo mais famoso da história do judiciário brasileiro, faz de Joaquim Barbosa um homem quase que irreal, uma personagem de filmes de vingadores e justiceiros ou daquelas histórias em quadrinhos com as quais nossa imaginação sedenta de mudança e justiça se identifica.
A repercussão de sua aposentadoria ganhou notoriedade na mídia virtual, mas a mídia televisiva, aquela que mais forma opiniões no povo brasileiro, faz questão de fazer com que tal notícia seja apenas um fato corriqueiro, a fim de fazer do homem com o qual nós brasileiros nos identificamos e em quem vimos nosso grito por liberdade e justiça ecoar, seja esquecido e nós tenhamos que continuar achando normal político roubar e cometer toda sorte de ilícito com o dinheiro e o poder que lhes foi outorgado pelo povo.
Sim, Joaquim Barbosa é Real, foi, durante onze anos, Ministro da Justiça, ele é brasileiro e é a resposta para quem achava que nos diversos seguimentos desta sociedade combalida não haja um homem justo!

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