11 de ago de 2014

O Anseio da Nova Geração de Pregadores

Vendendo em uma rede social como
"sapato de pregador"
Não há dúvida de que a secularização da Igreja é um dos grandes desafios dos últimos tempos. Com muita facilidade e naturalidade, a igreja está se acostumando com os ditames do presente século e abrindo as portas para uma filosofia e estilo de vida abertamente condenados por Cristo nos Evangelhos e pelos pais da Igreja. Esse tipo de familiarização vai desde os costumes mais corriqueiros até aos teológicos, ideológicos, morais e espirituais. 
Hoje quero destacar a necessidade de pregadores e cantores se afirmarem. Essa ânsia para que todos os conheçam e os admirem, assim como anseiam as estrelas de cinema e do Rock, é uma afronta aos ensinos basilares sobre simplicidade, de nosso Senhor Jesus Cristo. 
Pra essa gente que veste ternos brilhantes e calçam sapatos espalhafatosos, (falo daqueles que usam para chamar a atenção) Jesus deveria representar a geração de pregadores medíocres e inexpressivos e, pior ainda, seria esse tal de João Batista, acostumado a uma roupa ultrapassada de pele de animal e um simples cinto de couro!
Com respeito ao artista que criou
o personagem Falcão, mas a
semelhança com alguns de
nossos pregadores é alarmante.
Quando vejo esses caras de olhar altivo, que me medem de cima abaixo com olhar de desprezo, fico tentando imaginar se a Bíblia que leem é a Sagrada ou o manual de manequim de Falcão! A palhaçada é tamanha que só pode ser superada pelo cara que só se veste assim para fazer show.
Minha dor aumenta quando percebo que a nova geração de pregadores vem copiando este estilo cruelmente imposto neste contexto da onda dos Conferencistas, em detrimento da simplicidade, a graça e a sabedoria do alto. Enquanto isto, nossos púlpitos ficam vazios de Bíblia e de humildade e a revelação do Espírito Santo para a pregação, vai sendo substituída pelo brilho da roupa, do sapato e ostentação do carrão do pregador.
O anseio pela ostentação é tamanho que a igreja pode ser humilde como for, eles sempre brilharão e balançarão seus punhos para que reluzam ainda mais seus relógios dourados e anéis de supostas graduações. O conteúdo deixa de ser essencial para deixar valer o estereótipo.
Outro dia, um pastor amigo falou-me de um certo Conferencista convidado para um Congresso de grande porte e de sua preocupação sobre com que carro iria ao evento, pois afinal de contas, precisava impressionar! O pior é que eles pensam deste jeito, porque a igreja moderna gosta disto, é ela quem alimenta essas expectativas. É o novo modelo de liderança e igreja que diz que quanto mais brilho, melhor, quanto mais anéis, mais deve ser a cultura bíblica, quanto mais ocupada a agenda, maior o valor do pregador! Ninguém quer saber se o que o pregador diz tem base na Escritura. O que querem saber é se ele conseguirá emocionar, se todos sairão dizendo que foi tremendo, que arrebentou. Ah, aí com certeza, valerá o alto cachê, o hotel de luxo e todas as paparicações.
Se Jesus entrasse hoje nestes congressos com sua barba agreste, sua aparência de cansado, pés empoeirados nas aldeias e povoados de seu ministério, seria imediatamente expulso e ainda pensariam estar fazendo uma honra a Deus! Se Jesus entrasse, por certo ficaria no meio da multidão sem se manifestar (João 7:10), por certo não procuraria os primeiros lugares nos púlpitos mais  lotados que ônibus coletivo em hora de pick (Marcos 12:38,39; Mateus 23:5,6; Lucas 11:43) e, com certeza, se conseguisse fazer alguma proeza, procuraria mantê-la em oculto (Marcos 7:36; Mateus 16:20).
Mas Jesus é um louco! A agenda precisa ser divulgada! Os feitos? Muito mais! O cartaz do evento tem que ter o nome do Pregador e propagado em outdoor, tvs e toda sorte de mídia, pois, afinal, é isto que atrai a multidão!
Não, estamos errados! Estamos desviados, longe do Evangelho simples de nossos Senhor e Salvador Jesus Cristo! Porque aceitamos este estado de coisas? Porque alimentamos, se sabemos que é pecado? Porque não mudamos e não fazemos exatamente como a Bíblia diz que deve ser? Porque não voltamo-nos para Cristo, arrependidos por querer a glória que só pertence a Cristo? Porque, às vezes, parece que a síndrome de Lúcifer, como disse certa vez Caio Fábio, está dentro de nós? Sim, porque parece que só nos falta o trono do Eterno! Queremos ser vistos e adorados. Queremos ser percebidos e, se passamos desapercebidos, entramos em depressão e passamos a fazer tudo para chamar a atenção como meninos mimados!


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