18 de set de 2014

Avivamento Gerado Pela Palavra de Deus


"E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o SENHOR tinha ordenado a Israel." Neemias 8:1

Está claro que Neemias foi um baluarte na reconstrução política, social e econômica do Israel pós exílio. Mas Esdras o foi na reconstrução espiritual do mesmo povo. Neemias foi um grande estrategista. Seus dons e talentos foram úteis para organizar a cidade e levantar o moral de um povo massacrado em tantos anos de exílio. Todavia, somente alguém com conhecimento da Escritura e com a habilidade de ensiná-la sob a direção do Espírito Santo (Esdras 7: 6,10), poderia protagonizar uma restauração espiritual sem precedentes na história do povo.
O capítulo 8 de Neemias é a restauração espiritual que começa pela leitura exaustiva da Palavra de Deus. É bom lembrarmos que os maiores avivamentos no Antigo Testamento começaram com um olhar e retorno para a Escritura que se seguia com arrependimento, confissão de pecados e mudança de comportamento!
Neste capítulo 8 de Neemias, quero destacar algumas atitudes e comportamentos que caracterizam o início de um verdadeiro avivamento:

1. Um unânime desejo pela Palavra de Deus (versículo 1). Percebe-se que a Igreja está prestes a experimentar um poderoso avivamento quando seus membros demonstram desejo por ouvir a Palavra de Deus. O texto do versículo um diz que "todo o povo se ajuntou como um só homem", isto é, todos com um mesmo propósito, todos desejando uma mesma coisa: pediram "que trouxesse o livro da Lei de Moisés". 
Nossa maior tristeza hoje é que as massas se juntam não mais para ouvir a Palavra de Deus, mas o cantor ou Conferencista. Elas só se aglomerarão se tiver um "nome" importante ou famoso! Por isso, o avivamento tarda. Se quisermos formar o ambiente propício para um verdadeiro avivamento, será necessário urgentemente levarmos o povo à Palavra de Deus e isto, somos nós pastores que fazemos. Somos nós que devemos tomar a iniciativa de priorizar em nossa liturgia, a Palavra de Deus.

2. Dedicar tempo à Palavra de Deus (versículo 3). O texto deste versículo três diz que a leitura da Escritura foi feita "desde a alva até ao meio dia". Imaginemos a cena: o povo em pé (versículo 5), possivelmente havia sol, não havia uma banda especialmente convidada, não havia microfone. Imagine uma leitura de cerca de 6 horas e o povo lá, ouvindo atentamente (versículo 3, última parte). Precisamos dedicar tempo ao estudo e leitura da Escritura no meio de nossas congregações e comunidades. Os pastores e líderes devem criar o hábito de dedicar tempo à exposição da Escritura em nossos cultos!
Mateus capítulo 5, versículos 1 e 2 dizem que "Jesus vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos, e, abrindo a sua boca, os ensinava..." Veja, Jesus assentou-se. Quando leio observando esta palavra: assentou-se, entendo que o Mestre iria gastar tempo. Ele iria dedicar horas ensinando aos discípulos e à multidão que o ouvia! Como poderemos experimentar um mover de Deus em nosso meio se estamos muito ocupados com nossas apresentações de louvor, nossas peças teatrais e coreografias? Como, se temos tempo para tudo no culto e reservamos alguns minutos do final do culto para, supostamente, falarmos a Palavra de Deus? Precisamos investir tempo na exposição das Sagradas Escrituras. Só ela é capaz de nos revelar os desígnios e a vontade de Deus para nossa vida (Salmos 119: 18)!

3. Reverência incomum pela Palavra (versículos 3 e 5): Uma atitude de reverência é notada por duas coisas: atenção e posicionamento. No versículo 3, os ouvidos de todos estavam atentos e no versículo 5, eles expressam esta reverência assumindo a posição "de pé"! Estas duas atitudes demonstravam também, além de um profundo interesse por saber a vontade do Senhor, um verdadeiro respeito pelo sagrado, é o reconhecimento que a Escritura é divina, dada pelo Eterno. É uma pena que em nossos dias, uma boa parte dos fiéis em nossos templos não sabem o que é isso, numa prova cabal de que a Escritura não vem tendo a devida influência em nossa cultura e comportamento. Uma igreja que experimenta um avivamento ou que está a caminho dele, é uma igreja cujo coração está tão cheio de temor pela Palavra que reverência é a demonstração basilar de suas antitudes diante dela. 

4. Um púlpito para a Palavra (versículo 4): Talvez possa parecer uma bobagem citar aqui o púlpito. Eu aprendo uma lição com este detalhe. O texto diz que um púlpito de madeira fora feito para aquele fim, o de ensinar a Escritura! Oxalá, nossos púlpitos sejam ocupados somente com a exposição da Escritura Sagrada. Uma comunidade que experimenta o limiar de um avivamento bíblico é aquela onde seu púlpito não é um palco, tampouco um palanque de discursos vazios, mas um lugar para homens de Deus que tenham uma revelação das Santas Escrituras para uma platéia faminta de Deus! Calvino disse que se algum Ministro do Evangelho tão tem a Palavra de Deus para dar ao povo, se seu ministério não inclui a pregação da Bíblia, que seja tirado do púlpito! O púlpito é o lugar da Palavra de Deus!

5. Envolvimento de lideranças no ensino da Escritura (versículo 4): Percebe-se aqui treze homens que auxiliavam Esdras no ensino da Palavra. Dá para imaginar uma Escola Bíblica com um mestre e treze monitores, todos versados nas Escrituras. Esdras não estava só neste desafio. Como é maravilhoso quando o líder zeloso pelo ensino da Palavra de Deus, pode contar com outros companheiros que tem o mesmo zelo e dedicação em levar o povo a entender os desígnios de Deus em sua Palavra! Para um verdadeiro avivamento é preciso que tenhamos uma liderança comprometida com o ensino da Palavra. 

6. Ensino genuinamente bíblico (versículo 7): Este versículo diz: "...e os levitas ensinavam o povo na lei..." Veja, eles ensinavam na lei! A Escritura era a fonte da pregação, do ensino. Havia um compromisso com o que era genuinamente bíblico. A Escritura era a base do ensinamento, era dela que partia o embasamento do argumento usado por Esdras e sua equipe. Toda igreja sadia e que experimenta um verdadeiro avivamento parte da máxima da Reforma Protestante que dizia "sola scriptura", somente a Escritura. Este era o grito dos reformadores que não se conformavam com o lema da Igreja Católica que defendia que o povo precisava da Escritura e da Igreja para conhecer a verdade. Os reformadores defendiam a suficiência da Escritura como única regra de fé e prática da vida cristã.
Infelizmente são muitos os obreiros despreparados que embasam suas pregações em todo tipo de informação que não são  genuinamente bíblica. Nosso ensino tem que ter como base a Escritura!

7. Uma hermenêutica fiel ( versículo 8): Os muitos anos no cativeiro e a união matrimonial com estrangeiros, fez com que aquela geração pós cativeiro aprendesse o idioma da terra exílica. A língua materna agora era mais falada e entendida pelos levitas escribas. O aramaico era, possivelmente, o idioma daquela gente reunida em frente ao púlpito do Escriba e Sacerdote Esdras. Foi preciso uma tradução do hebraico para o aramaico para que aquele remanescente compreendesse o que o seu Senhor lhes queria comunicar. Houve, portanto, uma busca do que se queria dizer no original da Escritura. Uma verdadeira hermenêutica, uma busca pelo sentido correto do que os Escritos Sagrados falavam. 
Negligenciar este princípio no preparo de nossos sermões é comprometer o que o nosso Deus originalmente que nos falar em sua gloriosa Palavra. Este é um dos sinais do avivamento, uma preocupação por uma interpretação fiel das Escrituras, um compromisso com a verdade exarada nas páginas da Palavra de Deus!

8. Uma comoção provocada pela Palavra de Deus (versículo 9): Esta parte do texto é fantástica. Uma comoção em massa provocada pela Palavra de Deus! Não foram usados artifícios nem foram dadas sugestões psicológicas, a Palavra foi ensinada. Buscaram nos originais, refletiram seus significados, meditaram em seus imperativos e por fim, confrontaram-na com suas atitudes e estilo de vida. Quando somente a Palavra fala, a palavra como ela é, sem adulteração e engôdos, sem a mistura de teologias descomprometidas com a verdade bíblica, o resultado é quebrantamento e arrependimento, é confissão de pecados e atitudes de mudança. Não havia emocionalismo ali, havia a compreensão do que Deus queria deles, uma compreensão gerada pelo ensino da Escritura. 
Estamos cheios das pregações emocionalistas que só provocam lágrimas e nada mais. Não há mudança na vida das pessoas, não há transformação e tudo, às vezes, não passa de espetáculo! A Bíblia é suficiente, ela basta para convencer, para expor nossa fragilidades e pecados e nos conduzir a um profundo relacionamento com o Pai. O texto é enfático: "...todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei..."

9. Entender a Palavra, o segredo da vitória! (versículo 12): Antes da Palavra fazer efeito no emocional, provocando comoção, lágrimas, ela é processada em nossa mente, onde o processo de discernimento acontece, onde conseguimos relacionar as informações. Entender é decodificar a informação, é receber luz sobre determinada mensagem. 
Em Mateus 13: 19 e 23, aparecem as palavras entender e compreender conjugadas de acordo com o contexto. Perceba que quem não entende, quem não consegue decodificar, que não consegue lançar luz sobre a informação, não consegue manter em si a Palavra, ela é facilmente "roubada". Mas quem compreende a Palavra, consegue não somente retê-la como também produzir frutos. A palavra compreensão vai alem de entender. Compreender segundo o Professor Mário Sérgio Cortella, é "prender comigo", é "aquilo que eu me aproprio", que consigo tornar próprio, "é aquilo que consigo ter autonomia na aplicabilidade". Portanto, quem compreende consegue, não somente reter a informação, mas aplicá-la em sua vida, consegue pôr em prática o que entendeu.
É preciso então entender, compreender e não somente chorar e manifestar todo tipo de emoção como vemos na maioria de nossos cultos, onde muitos choram, se emocionam, mas não mudam de vida!

Conclusão

Percebe-se nos versículos 12 em diante que o povo não somente fez festa depois daquelas quase seis horas ouvindo a Palavra, mas também foram praticar o que estava na Escritura. Eles celebraram a festa das cabanas, observaram preceitos e rituais a muito esquecidos. A Palavra gerou um voltar aos mandamentos, preceitos e rituais.
Um avivamento é isto, é viver o que diz a Palavra. No capítulo 9 orações, confissões e arrependimentos se manifestam. O versículo 18 do capítulo 8 diz que "de dia em dia, Esdras leu no livro da Lei de Deus..." Ouvir a Palavra de Deus gerou no coração daquele povo o desejo de "dia em dia" ler a Lei do Senhor! Num ambiente onde se experimenta um genuíno avivamento, o povo passa a desejar todo dia a Palavra de Deus!
Que um avivamento verdadeiro, gerado pela Palavra de Deus seja experimentado nesses últimos dias!


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