5 de set de 2014

O Engraçado, O Emocionalista e a Pregação


Há dois tipos de pregadores que são ovacionados em nosso meio hoje: o emocionalista e o engraçado. Parece que as novas tendências do mundo gospel pós moderno, exige uma dessas posturas de nosso mensageiros das boas novas. É assim, radicalmente, se você não for emocionalista, terá que ser engraçado! Se escolher ser emocionalista, outras exigências serão somadas:
1. Voz empostada (um tipo de voz já conhecida do público e do pregador);
2. Exercícios dos membros superiores do corpo (levanta a mão e glorifica! Entendeu?);
3. Posições exclusivas do corpo (tipo: estar sempre de perfil e curvado);
4. Deixar de falar ao microfone e fazer gestos apontando para os que estão na retaguarda ou até mesmo na platéia;
5. Largar o microfone e fazer gestos inúmeros com os braços, como se estivesse incentivando o avolumar do estado emocional de quem já está em completo estado de histeria;
6. Começar agradecendo a "Deus" e o mundo, citando inúmeras pessoas, falando dos diversos lugares em que já esteve e que está ali, mesmo depois de ter pregado quase ininterruptamente durante toda semana;
7. Usar jargões manjados (são aqueles como: "você não entendeu, vou repetir..." e aí solta e o povo vai às nuvens !?);
8. Usar uma roupa estilo cantor Falcão, uma que chame a atenção mesmo: ternos brilhantes, sapatos com um bico que mais parece com o do Palhaço Bozo; ah, um anel é fundamental! Ele pode dar a entender que você tem formação, quanto maior melhor!
9. Não esquecer de tirar o paletó no meio da pregação e, se possível, usar um suspensório, sabe como é: dá a idéia de exclusividade, de estilo próprio;
10. Depois de ter "acendido o 'fogo'", fazer gesto de quem está abanando e passar para o dirigente do culto, enquanto o povo se estrebucha em suas emoções.
Bem, depois? Depois o pastorzão que teve a "feliz" idéia de convidar o pregador emocionalista, fica pagando o preço de consertar a besteirada que fez!

Mas aí, se o pregador emocionalista não estiver, a platéia terá que ser mimada pelo pregador engraçado, porque afinal, a platéia é sagrada, ela tem que se satisfazer em sua gana por algo que lhe agrade e jamais por algo de que precise! Então, resta-nos o engraçado, aquele que já pega o microfone contando uma piadinha baseada no que viveu ao chegar àquele auditório.
Com o engraçado, às vezes, não sabemos se estamos num culto ou num show de standup. Geralmente, o sermão dele baseia-se num tema e os tópicos são até interessantes, curiosos. Pausa: se tem uma coisa que tanto o emocionalista como o engraçado sabem como ninguém, é criar temas e tópicos curiosos em seus sermões, como diz meu amigo Pastor Ezequias Vieira: meu Deus!
Voltando: o engraçado faz dos tópicos de suas pregações, na maioria das vezes, um momento mais engraçado que o outro. O conteúdo bíblico é raso, embora a argumentação pareça inteligente e bem montada, mas termina que se torna tão engraçado que até o raso conteúdo passa despercebido!
Mas o engraçado segura a platéia, evita que alguém cochile, mantém o estado de alegria e de humor das pessoas em alta, torna o ambiente agradável e, ele mesmo, se torna o centro das atenções.

Bem, é claro que rir e chorar são reações emocionais comuns do ser humano. Na verdade eu não preciso ser um pregador emocionalista para fazer as pessoas chorarem! O choro, por exemplo, dependerá de fatores como: estado emocional de quem ouve e a sua tendência ao ouvir determinadas coisas. Tal situação ao ser confrontada com palavras que, ou refletem o estado do ouvinte, ou foi intencionalmente proferida com a intenção de gerar aquela reação, pode até gerar histeria!

É preciso entender que quando a pura e simples Palavra de Deus penetra o coração humano, ela é capaz de:
  • Gerar fé (Rm. 10:17; At. 14:9)
  • Confrontar o pecado (Ne. 8:8-12)
  • Operar mudança de vida (Jo. 4: 25-28)
Isso acontece porque há poder na Palavra de Deus e o Espírito Santo a aplica em nossos corações convencendo-nos dos nossos pecados (Jo. 16:8)!
Portanto, o Pregador comprometido com Deus e sua Palavra, nunca precisará lançar mão de artifícios quaisquer! Ele só depende do Espírito Santo e, se à primeira vista, não houver os resultados esperados, o pregador precisa entender que sua tarefa é pregar. Convencer, transformar, curar, etc., é obra do Espírito Santo! 
Uma das pregações mais lindas da Bíblia está em Atos 7: 2-53. Uma pregação toda embasada na Escritura do Antigo Testamento, recheada de elementos que comprovavam a rebeldia de Israel e que foi frontalmente rejeitada. Observemos o seguinte:

1. O estado de vida de Estêvão: cheio de fé e de poder (At. 6:8);
2. O que ele fazia: prodígios e grandes sinais (At. 6:8);
3. Tinha argumentos irrefutáveis (At. 6:10);
4. Seu estado de santidade estava às vistas (At. 6:15).

Mesmo assim sua mensagem foi rejeitada! Percebe-se que existe entre os pregadores, os emocionalistas principalmente, o ardente desejo de aceitação. Então, todos as artifícios são usados para se alcançar este objetivo, de maneiras que alguns não se preocupam mais se a mensagem pregada gerará aquilo para que Deus a enviou, mas se ele será novamente convidado!

Veja, Estêvão foi assim rejeitado:

1. Os intelectuais o combateram (At. 6:9);
2. Foi caluniado por testemunhas subornadas (At. 6:11);
3. A multidão foi incitada a rejeitá-lo (At. 6:12)

Além, disso foi levado a julgamento e martirizado publicamente, mesmo depois de ter demonstrado autoridade espiritual e de ter operados prodígios e sinais!
A preocupação do pregador não deve girar em torno da reação das pessoas (apesar de ser também importante), mas em torno da vontade do Espírito Santo. Se o povo aceitar ou não, não é o problema do pregador! Perceba que enquanto Estêvão estava cheio de fé e de poder, operando sinais e prodígios, com uma argumentação irrefutável e foi apedrejado, Pedro, que tinha acabado de receber o Espírito Santo em Atos 2, arrebatou quase três mil almas (At. 2: 41)!

O que precisamos não é sermos engraçados ou emocionalistas, mas estarmos na direção do Espírito Santo. Ele fará a obra. Ele conduzirá o povo a chorar, a se arrepender! É claro que uma dose de bom humor faz parte, todavia, não confundamos doses de bom humor com apresentações de humor. Não somos comediantes, somos pregadores!

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