23 de out de 2014

As Conferências de Missões e Suas Implicações


Nosso país se tornou um celeiro de Conferências em todos os segmentos. Nunca se debateu tanto e nunca se ouviu tanto especialistas como nos últimos anos. Os segmentos organizados encontram-se periodicamente com informações atualizadas e propostas de novos caminhos e ofertas de novos mecanismos que buscam e apontam soluções, além, claro, de discutir os problemas existentes.
No meio evangélico, isto cresce ano após ano. Autoridades eclesiásticas em toda sorte de assunto, se reúnem em pequenos, médios e grandes eventos para discutir, planejar e apresentar propostas nas diversas áreas. Tenho participado de inúmeras Conferências de Missões em Salvador, aliás, a minha agenda de convites gira em torno de missões por causa de minha experiência como missionário e de meu envolvimento com a Semadesal (Secretaria de Missões da Assembleia de Deus em Salvador), e tenho observado que precisamos urgente fazer com que a igreja e as lideranças de missões entendam o que é uma Conferência. 
Começo dizendo que os eventos que denominamos de Conferência Missionária em nossas congregações, na verdade não o é. Na verdade participamos de um ajuntamento que fala de missões mas que não produz o que uma verdadeira Conferência produziria.
Nesta minha contribuição, pretendo falar sobre o que é uma Conferência e como fazer com que ela produza os resultados esperados.

O que é uma Conferência?

Conferência é um espaço de debates, um mecanismo que permite a participação de todos na discussão de determinado tema. Portanto, é um espaço democrático onde todas as idéias, conceitos e soluções são ouvidas e apreciadas. Na Conferência, os diversos segmentos debatem por meio de metodologia específica os diversos temas.

O que é uma Conferência de Missões?

A Conferência de Missões deve ser um espaço de debate da Obra Missionária, onde não somente especialistas em Missões, mas também os próprios missionários e segmentos da membresia devem ter oportunidade para o debate apontando problemas e soluções.

Objetivos de uma Conferência de Missões:

  1. Debater e propor ações da Igreja no acompanhamento e controlo da gestão da obra missionária e o fortalecimento da interação entre Igreja e Missões;
  2. Promover, incentivar e divulgar o debate e o desenvolvimento de novas idéias e conceitos sobre a participação da Igreja no acompanhamento e controle das ações em missões;
  3. Propor mecanismos de transparência e acesso a informações e dados da obra missionária a ser implementados pela Secretaria de Missões e fomentar o uso dessas informações e dados pela Igreja;
  4. Debater e propor mecanismos de sensibilização e mobilização da Igreja em prol da participação no acompanhamento e controle da gestão de Missões;
  5. Discutir e propor ações de capacitação e qualificação da Igreja para o acompanhamento e controle da gestão em missões, que utilizem, inclusive, ferramentas e tecnologia de informação;
  6. Discutir e propor ações de capacitação e qualificação de missionários e obreiros para as áreas que tenham sido alvo de debate e discussão na Conferência;
  7. Desenvolver e fortalecer redes de interação dos diversos segmentos e departamentos da Igreja para o acompanhamento da gestão de missões e dos missionários;
  8. Debater e propor medidas de prevenção e combate às barreiras que se levantam contra a obra missionária, na Igreja e no campo missionário;
  9.  Criar diretrizes que subsidiem a elaboração de um Plano de Transparência e Controle Social sobre a gestão de Missões, que oriente as atividades missionária na Igreja e a envolva nas mesmas;
  10. Criar diretrizes que subsidiem a elaboração de um Plano de Missões em cidades, estados e nações que tenham sido alvo de debate na Conferência.
Esses objetivos são basilares, além de outros específicos e que atendam às demandas de cada Igreja, cada circunstância. Nada disso também terá valor se o Espírito Santo não for o guia.
É bom lembrarmos que uma Conferência deve seguir determinadas etapas. Se existe o objetivo de que toda uma denominação em uma cidade, por exemplo, faça parte da discussão proposta pela Conferência, esta discussão deve começar a partir de congregações, depois de regiões e por fim, em um debate para toda cidade.
Se a idéia é formar uma consciência em determinado assunto ou tema, é preciso também que a Secretaria de Missões da  instituição elabore a Conferência para ser discutida nas etapas citadas. Conferências isoladas, com temas diferentes, não podem ser capazes de formar conceitos, tão pouco causar consciência.

Antes da Conferência

É claro que a Conferência pode ser um veículo de conscientização poderoso. Todavia, a consciência missionária da Igreja deve começar desde o discipulado, passando pela doutrinação diária, sendo discutida e vivida pelas lideranças e por cada crente. Deve ser o respirar da Igreja. Isto posto, a igreja educada em missões, terá maturidade para discutir temas específicos através de representações dos diversos departamentos ou segmentos dela em uma Conferência de Missões.
Para isto, a igreja precisará de lideranças comprometidas com Missões e abertas ao debate e que busque novos olhares sobre as múltiplas necessidades de missões de forma global. 

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