14 de out de 2014

Somos Todos Selfie


Palavras como Facebook, Twitter, WathSap, e tantas outras do mundo virtual, se tornaram nossas amigas íntimas, porque não dizer, familiares! Selfie, é outra palavra que é dita pelo menos uma vez ao dia por cada ser humano que trafega neste universo do eu.
A palavra indica um auto retrato, onde em primeiro plano está o autor da foto. De repente, todo mundo se tornou estrela e protagonista dos fatos mais estranhos. A última que gerou revolta nas redes sociais, foi de uma senhora que fez um selfie em frente ao caixão do candidato a Presidência da República, Eduardo Campos, morto num acidente aéreo que comoveu o país.
Não tenho nada contra selfie, posso até fazer, embora não goste, mas o que irrita é que esta sociedade, guiada pelo narcisismo e assaltada pela falta de valores e sentimentos pelo outro, na ânsia de ser vista, ovacionada, vai também passando por cima até mesmo da dor alheia só para fazer o seu selfie.
Porque no selfie, o autor é  estrela  e o fato que se pretende registrar, ou a paisagem, lugar, perde importância. Nesta loucura "selfiana", a glória é de quem faz o selfie e a gana por ele nos torna indiferentes ao outro, às circunstâncias, ao sofrimento alheio.
Vamos assim, de certa forma, revelando o que era para ser só nosso, indicando nossas localizações, dando provas contra nós àqueles que podem transformar o inocente em culpado, se quiser. Nossa vida não é mais nossa, aliás nossa vida agora é um selfie, nós em glória, nós em destaque, nós estrela inapagável sob a luz do flash que nos revela ao mundo.
Acontece que nós selfianos,  somos também ridículos, damos ao mundo a oportunidade de não gostar de nós, nos colocamos desnecessariamente sob a crítica e execração de quem não gostou do que viu. Nos exibimos ao bom e ao péssimo gosto de quem não queríamos que nos julgasse, achamos isso necessário, porque simplesmente queremos levantar nossa torre até os céus e fazer um nome para nós. Logo, que importa se alguém fale bem ou mal? O que importa é que minha torre toque os céus, que me vejam, curtam e comente, que me tornem cada vez mais aquilo que quero ser, ainda que não seja. 

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