15 de jun de 2014

A Geração da Futilidade Gospel

A geração facebookiana é também a geração dos shows, das novas tecnologias, das novas tendências musicais, teológicas, litúrgicas e até missiológicas. Hoje, surgem novos modelos a cada ano, a cada Congresso, a cada Simpósio ou a cada encontro das chamadas "conscientizações".
Ouve-se falar de novas unções, novas revelações, de um novo tempo, de uma nova forma de adorar, de uma maneira inovadora de comunhão, de métodos espetaculares de formação de líderes e de igrejas, de novos conceitos da vida cristã, da adoração, etc.
Os eventos que propagam estas novas tendências superlotam com inscrições de valores astronômicos com hospedagens em hotéis cinco estrelas que se transformam no sonho de consumo de obreiros desavisados. Cruzeiros, viagens à terra prometida com super pastores de conhecimento bíblico "único" e batismos em rios sagrados e subsídios arqueológicos de fazer Fávio Josefo ficar de queixo caído.
Os sonhos de Deus, se é que existem, (não consigo acreditar em um Deus com anseios humanos, mas num Deus com planos muito bem elaborados com o fim de glorificar o seu nome e expandir seu reino), passam a ser o de todos. Todos tem sonhos de Deus!? A balbúrdia teológica tem significado na mente e coração de incautos e indoutos!
Os jargões são repetidos em canções vazias e, às vezes, meramente mercadológicas. Os altos cachês anunciam o valor do artista gospel, mas também do mercenário disfarçado em "ministro do louvor", que vai falar em línguas estranhas em histéricos "Clamas" ou "Abalas", mas que fornicará no confortável apartamento pago com santos dízimos e ofertas.
As tolices saem dos lábios deles, dos tele-evangelistas tupiniquins em sua roupa de grife e em suas performances modernas, em suas canções que comporão a trilha sonora da comunidade da zona que vai de norte a sul deste país gospealizado e ao mesmo tempo afastado dos princípios das Santas Escrituras.
É a geração da futilidade gospel, do engodo americano, da cultura da Teologia da Prosperidade, do discurso de Hagin, Kenyon e Macedo.  É a geração que está fazendo um feijão com arroz de verdades bíblicas e misticismo, fadando a alma de pobres desavisados ao inferno!
Essa mediocridade é a tônica, é a máxima. É o tom desta vida cristã hodierna, é a realidade que esconde a outra realidade, a de Deus. É a futilidade em sua forma mais infame, mais diabólica. Mas é ela que ovacionamos, e a entronizamos nas diversas relações do nosso dia a dia. Ela é tão real, que o real mesmo, aquele que grita nas páginas do livro sagrado que mantemos fechado e obscuro, parece um conto contado na geração passada e que se transformou em historinha de escola dominical, nada mais.
Esta é a geração que compartilha toda sorte de absurdos em suas redes sociais, que compartilha a heresia em forma de canção, de poema, de verso e ofende a Deus com o que curte e com o que comenta, porque o conhecimento do Altíssimo lhes falta e, sem perceber, perecem no vazio de seu cristianismo.
Esta é a geração da futilidade gospel, cuja cegueira é tão profunda que seria capaz de dizer que meu texto é catastrófico, é como se fosse a lamentação de Zedequias em Ribla, o anúncio do fim daquela que era a escolhida do Eterno na terra de Hamate. Mas os tais se colocam como o quebrador de jugos, Hananias.

Joaquim Barbosa é Real?


Custa acreditar que num país como o Brasil, onde campeia a corrupção, a injustiça, onde figurões da política roubam e pousam de vítimas do sistema, possa surgir uma personalidade como a do Presidente do Supremo Tribunal Federal, o filho de um pedreiro e uma dona de casa que, segundo a Veja, galgou posições elevadas "sem a ajuda de padrinhos influentes e sem pedir favores".
Em 2003, pensando em nomear um negro para a mais alta corte do Judiciário, o Presidente Lula, indicou Barbosa para o cargo de Ministro do STF. Começava a ser mais conhecido o homem de origem humilde que já era Professor de universidades renomadas no Brasil e no exterior. Apesar da intenção do Presidente Lula de querer "tirar do papel a agenda de políticas afirmativas do Governo", terminou foi escolhendo o homem que daria "o mais duro golpe contra a corrupção na história recente do país".
Joaquim Barbosa passou a protagonizar o episódio do Processo do Mensalão no STF. De relator, passou a Presidente da mais alta corte do Judiciário, e foi rígido, direto e extremamente radical em suas posições em embates com seus pares que ficarão nos anais da história de um Brasil que queria passar a limpo anos de corrupção e banditismo de sua política.
O jurista que parecia um Cavaleiro Solitário em sua busca por justiça, ficou conhecido como o Vingador da Capa Preta, depois de decretar a prisão da antiga cúpula do partido de Lula. A Revista Veja, em matéria especial, chegou a publicar que o próprio Lula e o PT "jogaram pesado para adiar o início do julgamento" que teria a intenção de condenar os réus por formação de quadrilha, "numa tentativa de facilitar a prescrição por certos crimes."
Devido a este lamentável entrave, a mídia passou a divulgar que o Presidente Barbosa, anteciparia em onze anos a sua aposentadoria compulsória sob a alegação de que sua missão estaria cumprida. Um jogo muito bem montado pelos poderosos fez com que novos juristas assumissem cadeiras no STF, o que levou Joaquim Barbosa concluir que, doravante, "devido a nova composição do tribunal, tenderia a ser sempre derrotado nos embates criminais mais polêmicos".
O anúncio de sua precoce aposentadoria fez com que políticos e personalidades em geral se manifestassem publicamente tecendo elogios ao seu caráter e seu senso de justiça. O Líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), por exemplo, chegou a afirmar que "Barbosa não se curvou aos poderosos e entrou para a história do país".
O homem indicado pelo próprio Presidente da República para ocupar uma cadeira na mais alta Corte do Judiciário não teve receios em reprovar posturas do mesmo e o criticou ferrenhamente quando fez críticas no exterior às decisões do STF brasileiro: "Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta corte do país".
O senso de justiça e retidão, a coragem de enfrentar aqueles que, ao que parece, queriam continuar coniventes com as barbáries cometidas por burocratas e políticos, a maneira firme com que sempre defendeu suas conclusões acerca do processo mais famoso da história do judiciário brasileiro, faz de Joaquim Barbosa um homem quase que irreal, uma personagem de filmes de vingadores e justiceiros ou daquelas histórias em quadrinhos com as quais nossa imaginação sedenta de mudança e justiça se identifica.
A repercussão de sua aposentadoria ganhou notoriedade na mídia virtual, mas a mídia televisiva, aquela que mais forma opiniões no povo brasileiro, faz questão de fazer com que tal notícia seja apenas um fato corriqueiro, a fim de fazer do homem com o qual nós brasileiros nos identificamos e em quem vimos nosso grito por liberdade e justiça ecoar, seja esquecido e nós tenhamos que continuar achando normal político roubar e cometer toda sorte de ilícito com o dinheiro e o poder que lhes foi outorgado pelo povo.
Sim, Joaquim Barbosa é Real, foi, durante onze anos, Ministro da Justiça, ele é brasileiro e é a resposta para quem achava que nos diversos seguimentos desta sociedade combalida não haja um homem justo!

6 de jun de 2014

Copa do Brasil, Injustiças e Expectativas de Vitória


Este não é apenas o ano da Copa, é antes de tudo, o ano das Eleições. Este é o ano que todos já conhecemos, ele se repete em todo processo eleitoral. Todas as armas já são conhecidas. É o ano em que fatos nunca antes publicados na mídia, deverão vir à tona. Toda sorte de irregularidades que ficaram guardadas, protegidas pela complacência de jornalistas, intelectuais, políticos de oposição, agora se transformarão em prova documental, digna de nota internacional.
Portanto, toda publicação na mídia de um modo geral, deve ter um olhar crítico do povo brasileiro. É bem verdade que por trás da bilionária copa de 2014 está toda sorte de injustiça. O prioritário foi negligenciado: saúde, educação, segurança, moradia, transporte, etc., e dizem que esta Copa já está mais cara que as duas últimas juntas. Segundo o site Época Negócios, a Copa de 2006 na Alemanha custou 10,7 bilhões, a de 2010, na África do Sul, 7,3 bilhões; já a do Brasil chega ao astronômico valor de 25,5 bilhões, embora o Governo Federal defenda que o valor está abaixo do teto estabelecido em 2010 de 33 bilhões. Isto nos deixa revoltados já que todos os dias vemos na TV a problemática dos serviços públicos, principalmente saúde e segurança. Vidas morrem todos os dias por falta de atendimento nos corredores dos hospitais públicos! Gente morre todo dia por falta de segurança e o transporte público brasileiro ainda é um dos piores do mundo!
Mas é preciso lembrarmos que essa história de gastos em Copa, aconteceu em todos os países onde ela aconteceu. A mídia brasileira nunca deu ênfase às especulações internacionais dos gastos absurdos da Copa da África do Sul. O Uol chegou a publicar que a África do Sul teria uma das maiores desigualdades sociais do mundo, com milhares de pobres e uma pandemia de HIV. Ainda assim, segundo o site, o valor estimado com os estádios naquela Copa seria de 396 milhões de dólares, mas teria chegado a 18 bilhões de dólares! Na época, a maioria dos estádios na África do Sul, ficaram conhecidos, como "elefantes brancos", já que não teriam utilidade após o campeonato mundial da FIFA.
A Alemanha em 2006, teria gasto com a Copa mais de 50% do valor previsto. Além disso, a Alemanha não cumpriu o prazo de entrega dos estádios e teve um que foi entregue no final da Copa.
O que acontece no Brasil, acontece em todo pais anfitrião da Copa. A Copa não é um evento só futebolístico, é também político e empresarial. Envolve toda sorte de lobby, licitações e um marketing ostensivo e ofensivo. Onde quer que a Copa aconteça,  injustiças e negligências serão cometidas e todos os erros cometidos pelos governos e pelos comitês de organização serão usados politicamente. Quando falo politicamente, estou dizendo que as denúncias serão feitas não por causa de senso de justiça e retidão, mas por causa de interesses políticos.
O povo será sempre massa de manipulação tanto de governos, como de organizadores de campeonatos e políticos de situação ou oposição.
É bom lembrarmos que os problemas políticos de ocasião de Copa, já existiam e continuarão a existir e que evento como a Copa do Mundo, em qualquer país, será sempre a prova cabal de que os governantes tem muito dinheiro e que ele não é do povo e nunca será. É a prova cabal de que a saúde, educação, segurança, transporte e todo tipo de serviço público poderia ser melhor. Mas infelizmente nosso dinheiro é deles e eles gastam como bem quiser. Nossos impostos não é para voltar para nós em serviço, é para gastar com aquilo que renderão para eles mais dinheiro ainda!
A nação então se divide. Há aqueles que até enfeitam suas ruas, compram ingressos, vestem a camisa e vive toda emoção que um evento como este costuma proporcionar. Outros, levantam bandeiras de protestos, lideram movimentos, expõem os problemas por trás da euforia e ainda escrevem e publicam matérias!
Com esta balbúrdia, as expectativas de vitória, do hexa, os gestos e sentimentos patrióticos, transformam-se numa mistura de orgulho e revolta. O país, a cidade, cada canto de uma rua brasileira se torna numa via de protesto e num canto do torcedor que quer só comemorar e viver todas as emoções que uma Copa do Mundo pode oferecer, principalmente quando é feita em sua casa.