12 de jan de 2015

12 de Janeiro, a Data que Ficou na Memória dos Haitianos


O olhar perdido da jovem que escapou da morte com graves ferimentos é o retrato do desespero e da incerteza que assaltou de forma cruel e fatal a nação haitiana em 12 de janeiro de 2010. A mídia internacional noticiou que o terremoto que atingiu 7 graus na escala Richter, se constituiu na maior tragédia vivida pela nação que passou de colônia mais rica do mundo no século XVII a país mais pobre do Hemisfério Ocidental. Os últimos 200 anos dos haitianos foi marcado por martírios devido a golpes militares, violência, corrupção, fome e catástrofes naturais.
Estive no país um mês antes do terremoto e a miséria já era uma amiga do povo que não tem políticas de educação, aposentadoria e a mendicância é o estilo de grande parte da população que não tem acesso às necessidades básicas de um cidadão. Haiti é a nação economicamente mais pobre da América, 60% da população é subnutrida e mais da metade vive abaixo da linha de pobreza.
Quase 300 mil foram mortos no abalo sísmico que destruiu quase toda nação e mais de 1 milhão ficou desabrigado. Desesperados, vários haitiano buscaram refúgio em República Dominicana onde já vivia um bom número deles, no Panamá e até no Brasil, que precisou criar políticas de socorro ao país de última hora. 
A Missionária Iraildes da Adesal - Assembleia de Deus em Salvador, que estava no país a 4 anos, viveu momentos de terror e imaginou que não escaparia para contar o livramento que lhe fora dado por Deus. Ela conta que estava na sala de sua casa quando tudo começou a tremer. Sua primeira reação foi tentar sair da casa, mas sentia o chão dançar sob seus pés. Ao tentar descer as escada, percebeu que casas ao redor da sua estavam vindo ao chão. Os gritos e o desespero tomou conta das ruas onde Iraildes morava e aquelas imagens e gritos estão em sua memória até hoje. Ela mesmo fotografou cenas terríveis de pessoas que ela conhecia mortas debaixo de escombros de prédios perto de sua residência. 
Tive a oportunidade de receber a Missionária Iraildes no Aeroporto Luis Eduardo Magalhães em Salvador com outros irmãos da Igreja em Salvador e fiz o vídeo abaixo:



Iraildes demorou para acreditar no que estava acontecendo, mas encontrou forças para ajudar quem tinha escapado da morte a superar a dor de ter perdido familiares e parentes e encontrar esperança. A Missionária Iraildes, por um milagre divino, saiu do país em um avião americano, foi para República Dominicana onde ficou hospedada na casa do Missionário José Luis, também da Adesal, veio ao Brasil e retornou meses depois com a Missionária Maria Helena para dormir em tenda, ou debaixo de postes para ajudar os sobreviventes do terremoto!
Cinco anos depois, o Haiti ainda se encontra longe de uma restauração completa. O acesso a serviços básicos ainda é precário. Muitas regiões sofrem com falta de água encanada. Devido às condições insalubres, um surto de cólera já matou mais 8,5 mil pessoas em todo o país desde 2010. Milhares de pessoas ainda vivem em tendas erguidas pelas Nações Unidas logo após o terremoto. Outras reconstruíram suas casas de maneira improvisada usando lonas e placas de metal no lugar de cimento e tijolo.
Quem vai ao Haiti hoje verá nas vias principais da Capital escombros que inevitavelmente levam-nos a 12 de janeiro de 2010. Vário prédio oficiais ainda não foram reconstruídos, inclusive o prédio do Governo.
Haiti continua sendo miserável política, econômica, social, mas acima de tudo, espiritualmente. No dia 12 de fevereiro de 2010, o Presidente do Haiti, René Prevál, convocou a nação para três dias de jejum e oração. Mais de 1 milhão de pessoas compareceu na Capital Porto Príncipe, perto do Palácio Presidencial para orar e pedir socorro a Deus. As orações esperam respostas de Deus a resposta pode ser eu, pode ser você. Pode ser tua igreja!

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