24 de jan de 2015

Porque os Jovens Assembleianos em Salvador Vem Perdendo a Paixão Pela Vida Cristã?


Lembro-me em minha juventude quando nos reuníamos em momentos de oração, íamos a vigílias e desejávamos ardentemente o ministério da Palavra. Vestíamos-nos como os pastores e ficávamos encantados com a maneira de pregar e de viver deles. Na década de 1980 aqui em Salvador, figuras emblemáticas como Daniel Alencar, Martinho Damião e outros, e destacavam por uma forma nova de pensar o Evangelho e discutir com os jovens a Palavra de Deus na linguagem deles, num discurso inovador que destonava um pouco daqueles mais inflamados dos pregadores que fizeram sucesso em nossos Congressos de jovens que lotavam o Balbininho, o Iceia e outros espaços públicos de nossa cidade!
O Grande Coral da Mocidade era uma marca desses Congressos e representava muito bem aquele fogo aceso no coração daqueles jovens sonhadores, possuidores de profundas convicções que, para muitos deles, foram se transformando num cristianismo raso e frustrante! 
É preciso entender o que aconteceu! Voltemos então à década de 1980. Foi neste tempo que nossos jovens passaram a frequentar a faculdade, cursos teológicos e um espírito criticista passou a se instalar na seara assembleiana de Salvador. De apenas espirituais e fervorosos praticantes da fé, nossos jovens passaram também a questionar o que sempre esteve às vistas, mas nossa paixão a encobria de nossos olhos!
Esse espírito questionador, aliado a fatores que aqui não quero mencionar, trouxe à tona sérios problemas da instituição pentecostal mais respeitada em nossa terrinha. Uma liderança com sérios problemas e a falta de investimento e reconhecimento da liderança jovem, começou a gerar uma insatisfação que passou a fazer com que muitos jovens com ministérios tremendos, saíssem da instituição e se refugiassem em outras que considerassem melhores.
Mesmo percebendo uma evasão fatídica e lenta dos nossos jovens, a liderança da Igreja em Salvador nada fez para mudar o quadro! Acho que essa nossa soberba de acharmos que somos a maior denominação, nos faz pensarmos que tais evasões não significam muito quando a questão é número. Pois bem, se você observar, o número de jovens comprometidos com santidade, valores cristãos, etc., diminui assustadoramente! A liderança da UMADSAL (União de Mocidade da Assembleia de Deus em Salvador), luta a todo custo para congregar esses jovens em torno de projetos, ideais, etc., e nem sempre conseguem êxito. Parece que congressos neste modelo desgastado que temos em nossa igreja, não funciona mais! O que falta então? Seria a ausência de referenciais? O que fazer para resgatar a fé, a chama de nossos jovens? Porque não há jovens no ministério? Porque não há nenhum programa voltado para o discipulado e treinamento de jovens para o ministério?
Por outro lado, o numero de adolescentes envolvidos e apaixonados pela vida cristã, cresce em proporção alarmante. Pesquisas apontam que nesta fase da vida eles estão abertos a todo tipo de experiência. No meio evangélico, mais de 50% das conversões é de adolescentes. Eles lotam eventos, engajam-se com paixão em atividades da Igreja e são capazes de formarem exércitos em torno de determinado objetivo. Mas a igreja está cometendo dois erros graves! O primeiro, é o mesmo que cometeu com os jovens: não estamos aproveitando essa paixão e estamos achando que enchê-los de encontros e entretenimentos, é o bastante. Esquecemos que é preciso investir agora neles, treiná-los, educá-los para a vida e o serviço cristãos, inserindo-os em programas inovadores de discipulado e treinamento. O segundo erro é alegrarmo-nos com o crescimento do número de adolescentes e ficarmos indiferentes aos jovens! Como se quiséssemos dizer: "os jovens não querem, mas os adolescentes querem".
Precisamos fazer muitas coisas para resgatar a fé, a paixão, o ânimo de nossos jovens:
A primeira é orar especificamente com amor e paixão por eles. Lançar por terra nossa agenda pronta de todo ano. Pensarmos mais como espirituais e não apenas como executivos de departamentos. Consagrarmos nossas vidas em favor deles. Termos um sacerdócio voltado para eles. Nos Estados Unidos, a liderança de jovens é feita por Pastores. Eles são sustentados pela igreja para cuidar deste rebanho no meio do rebanho.
Deixarmos de pensar que Congressos, Pré-Congressos ou encontros de qualquer natureza, são a solução. É preciso entendermos que a mente do jovem assembleiano mudou. O pentecostalismo enraizado na mente e no coração dele na década de 1980, não é o mesmo de hoje. Portanto, o modelo dos nossos Congressos precisa tomar um caráter mais pedagógico, que leve nossos jovens refletirem sobre sua salvação, sua experiência com o Evangelho, sua maturidade, seus dons e o serviço cristão. Ao invés de elaborarmos uma programação voltada para alguns momentos de supostos avivamentos, com músicas estridentes, sermões barulhentos mas com pouco conteúdo, elaboremos uma que os leve a anotar em suas bíblias ensinos valiosos, a sentirem em seu coração o desejo de entregarem-se à obra de Deus e que os valorize enquanto servos do Senhor e membros desta denominação.
Criarmos um programa cujas fases tenham início na igreja local, envolvendo o Pastor local e o Líder de jovens local, depois tome proporções maiores em encontros setoriais e nos gerais. Um programa inteligente, dinâmico e apaixonante, que faça com que o jovem sinta prazer pela vida cristã e por sua igreja, se sentindo útil no Reino de Deus e em  sua comunidade. Um programa que o faça se sentir envolvido em um projeto que valha a pena.
É preciso que tais ações sejam "encabeçadas" pelos pastores da igreja. Logo, dar cargo como Diretor, Coordenador ou Líder de Jovens, não é suficiente. É preciso dar condições de trabalho. É preciso que cada pastor entenda que esta é uma tarefa de todos nós e que, portanto, o líder de jovens é nosso companheiro de ministério neste contexto!

Enfim, acredito que em nossa igreja há muitos homens e mulheres que poderão ser instrumentos poderosos nas mãos de Deus para fazer isso!

Um comentário:

grupo resgatando vidas disse...

A paz do Senhor. Esse tema tem sido tb minha preocupação e refletirá diretamente em nossas igreja no futuro. Eu me questiono, pq não há uma preocupação na formação de lideres? Acredito que essa inovação para atrair jovens é importante, mas não suficiente para formar um caracter cristão. Eu vejo os cultos de jovens se tornando uma balada gospel. Jovens sendo atraido com eventos gospel, mas fraco e desmotivados com a obra de Deus. Escrevo isso pq sou jovem assembleano e me preocupo com minha instituição! Lucas Simões