11 de mai de 2015

A Poderosa Nação Evangélica é o Povo Mais Fraco!

Para entendermos a aparente insanidade do título deste post, quero te convidar a criar em sua mente o seguinte ambiente:
Imagine um templo de tamanho sem proporções, capaz de abrigar cada membro e congregado de todas as igrejas evangélicas do Brasil! Pensou? Então você deve ter pensado também que confusão seria. Apóstolos, donos de igrejas e TVs, de haras, de fazendas e dólares que se derramam até pelas páginas de suas bíblias em viagens internacionais, pentecostais donos de convenções, pastores políticos ou políticos pastores, sei lá, membros e congregados perdidos nos guetos das teologias criadas por eles mesmos em suas mentes, já que a Teologia que a maioria de seus pastores aprenderam nunca é ensinada nos púlpitos, irmãos do reteté, evangélicos de igrejas com nomes estranhos e até estúpidos, donos de bandas gospel de sucesso acostumados com os flashes, holofotes e autógrafos, estrelas da música gospel que perdem para Fábio Junior em vezes que já se casou por pouco, pastores que traíram suas esposas com a secretária e que agora é estrela entre os Conferencistas mais afamados, outros que eram conservadores e agora são extremamente liberais a ponto de usarem todo tipo de palavra torpe em seus canaizinhos do Youtube, pastores com seus templos virtuais e televisivos que vivem cada vez mais distante do rebanho e tão perto dos seus stúdios de gravação, ufa! 
Em minha mente cronista ainda poderia citar outros e outros tipos cada vez mais novos e podem esperar, pois a cada minuto surge mais movimentos evangélicos, mais novidades teológicas, mais inimagináveis versões do pentecostalismo moderno, resultado dos engôdos das teologias da pós modernidade, do humanismo cada vez mais presente em canções, palestras, pregações e no modo de viver gospel. 
Cada movimento deste, cada chamado "ministério", cada tendência, em sua grande maioria, está preocupada apenas com o que é seu! Vamos pensar aqui, por exemplo, na Igreja dona de uma das três maiores redes de TV deste país e que também ocupa lugar no ranking internacional. O que eles tem feito pela unidade da Igreja? Nada, aliás são extremamente exclusivistas! São os donos da verdade, basta assistir qualquer pronunciamento do dono da Igreja. Notícias correm entre conversas de tele-pastores que chegam até a oferecer altas somas para ganharem o lugar de outros pastores e igrejas em determinados canais de TV. Eles não estão nem aí para as outras igrejas, se acham poderosos demais, são soberanos e não devem satisfação a ninguém.
Tem aquela do pastor que gosta de chorar em seus programas, abraçar seus supostos agraciados e usar chapelão de fazendeiro. A teologia é a mesma da anteriormente citada, as artimanhas e o individualismo chegam a ser cínicos! 
A maioria dessas igrejas quando crescem, olham de cima para baixo para membros e congregados de igrejas que elas julgam ser de menor importância. Você deve estar pensando: e sua igreja? Te respondo sem pestanejar: é a mesma coisa! Por muito tempo nossas lideranças achavam que éramos melhores que qualquer outro movimento evangélico, principalmente os Batistas, por que nos vestíamos diferente e porque recebíamos o batismo no ou do Espírito Santo. 
Estamos envolvidos em tramas políticos que vão desde a consagração de obreiros até às instâncias de nossas convenções regionais e nacionais. Nossos interesses, não só assembleianos, mas de evangélicos em modo geral, já não tem tanto haver com o Reino de Deus, mas com o nosso reino, nosso império, nosso gueto, nosso movimento, nossa denominação!
Por isso que a nação evangélica brasileira, que movimenta milhões ou bilhões de reais em arrecadações de dízimos e ofertas, na indústria fonográfica, em literatura e em produções de shows, programas de TV e rádio, entre outros, é, ao mesmo tempo, o povo mais fraco deste país! Estamos divididos, divididos e perdidos na vasta escuridão do exclusivismo, nas trevas da ignorância teológica e bíblica, na soberba e distanciado da máxima do Evangelho: o amor.
Enquanto nos perdemos e divagamos em nossas tendências, em nossas teses doutrinais, em nossos projetos ministeriais, o papel de fazer Cristo conhecido passa a ser desconhecido por nós. Perdemos o olhar biblicamente cristão para a vida, para a tarefa da igreja e para a eternidade! Achamos tanto que Cristo nos recompensará por nossas obras que esquecemos que Ele nos cobrará por aquelas que são verdadeiramente as essenciais!
Poderíamos usar aqui aquela expressão largamente conhecida e aplicada a instituições que não usam o poder que tem: somos um "gigante adormecido". Dormimos o sono da apostasia (1 Tm. 4:1-3).
Para tornarmo-nos fortes teríamos que estar prontos a perder, sair da zona de conforto, trocar as atitudes individualistas pelas altruístas, cumprir nosso papel fora das quatro paredes, irmanarmo-nos e não separarmo-nos, importamo-nos e não vivermos na indiferença. Precisaríamos pensar mais nas possibilidades e não fazer do absolutismo nosso estilo irrevogável de vida!