25 de set de 2015

Débora: Coragem e Fé

"Ora, Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. 5. Ela se assentava debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ter com ela para julgamento." Jz. 4: 4, 5

Ao invés de destacar detalhes importantes sobre Débora e o livro de Juízes, quero deter-me apenas nas lições preciosas encontradas num dos textos mais conhecidos do sétimo livro da Bíblia!
Por causa da desobediência de Israel, o Senhor permitiu que seu povo ficasse vinte anos sob a opressão de Jabim, um rei cananeu. Três interessantes observações quanto a Jabim:

1. O rei de Canaã conseguiu escravizar Israel durante vinte anos;

2. Ele tinha um exército com novecentos carros de ferro (v. 3). Isso tinha relevância em termo de poder bélico, já que o versículo treze destaca isso novamente;

3. Jabim usava métodos cruéis para oprimir Israel (v. 3).

Logo, percebe-se que as circunstâncias deste momento histórico de Israel, era de medo, opressão, injustiça e desespero! Mas havia uma mulher que se levantou como mãe de Israel (5: 7) e nos deixou as seguintes lições:

1. Trabalho em tempo de crise!

Mesmo com o poder bélico de Jabim ameaçando diariamente a vida de Israel, mesmo com o medo como sentimento mais comum no dia a dia do povo, mesmo com as ameaças de extermínio, em meio ao desespero, respirando morte a todo instante, Débora não deixava de receber o povo debaixo de sua palmeira! A crise, as ameaças, o medo, a incerteza, não foram suficientes para fazer Débora parar. Aquela esposa de Lapidote entendeu que as circunstâncias, por mais difíceis que sejam, não podem parar aqueles que confiam no Senhor e que têm um trabalho a fazer! Posso imaginar aquela mulher indo para debaixo de sua palmeira, recebendo o povo, aconselhando, fazendo a vida seguir o seu curso, independentemente das adversidades! Ela não cruzou os braços, não ficou a lamentar e não deixou se levar pelo momento de desespero que abatia a sua nação. Quero te animar a trabalhar em meio à crise. É na crise que surgem verdadeiras lideranças, é em meio ao caos que nossos dons são aprimorados, que nossas experiências contribuem para o amadurecimento. É na crise que extraímos as lições que nos ensinarão pelo resto da vida.

2. Trabalho em condições precárias!

Qual era o gabinete de Débora. Qual era seu consultório? Débora tinha apenas a sombra de uma palmeira! Para Débora, os recursos ao alcance deveriam ser utilizados. Ela não precisava esperar por condições melhores para fazer o que ela tinha que fazer. Se ela poderia ser útil debaixo de uma palmeira, então, a palmeira seria sua plataforma de trabalho! Débora utilizou o que estava ao seu alcance, ganhou tempo e não o deixou passar. Influenciou em tempos de crise c recursos precários e limitados! Não fique aí parado esperando as coisas melhorarem, faça acontecer, utilize o que está ao teu alcance, faça do que você tem, o melhor instrumento de teu trabalho!

3. Iniciativa baseada na promessa!

Perceba as as palavras de Débora a Baraque: "Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes-Naftali, e disse-lhe: Porventura o Senhor Deus de Israel não te ordena, dizendo: Vai, e atrai gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom; e atrairei a ti, para o ribeiro de Quisom, Sísera, chefe do exército de Jabim; juntamente com os seus carros e com as suas tropas, e to entregarei na mão?"
Entende-se que Baraque já havia recebido uma ordem de Deus para liderar uma batalha contra Jabim, mas não teve iniciativa! Talvez Débora tenha tentado dizer para aquele Capitão do fragilizado exército de Israel que a bênção de Deus já lhe estava garantida, mas era necessário uma atitude. Débora tomou a atitude, teve iniciativa e, por causa disso, uma das maiores batalhas do povo judeu no Antigo Testamento foi travada por causa da iniciativa de uma mulher! Débora chama a atenção de Baraque para o fato de que havia uma ordem de Deus. O Senhor não apenas deu a ordem, mas também prometeu a vitória! Portanto, Baraque poderia descer confiante à guerra. Ao invés disso, precisou ser sacudido por Débora. Ela, portanto, tomou a iniciativa, se levantou como "por mãe em Israel" e sua atitude deu início a uma batalha que livrou Israel de uma opressão de vinte anos! Mas é preciso notar que Débora não tomou uma iniciativa aleatoriamente, levada apenas por um sentimento de confiança e coragem, ela o fez baseada na promessa do próprio Deus de que entregaria Jabim nas mãos de Baraque (4: 6, 7)!

4. Uma autoridade incomum!

A liderança de Débora é algo a se destacar! Numa época remota em que a mulher estava mais fadada aos deveres domesticos, numa sociedade em que o homem tinha a primazia, esta mulher tinha uma posição civil e uma religiosa. Ela era juíza e profetiza (4: 4). Sua autoridade era reconhecida pelo povo (4: 5) e ela demonstrou essa autoridade diante de Baraque (4: 6 - 9). O texto do versículo seis diz que ela "mandou" chamar Baraque. O capitão do exército, além de não questionar as palavras de Débora, demonstra também que se sentirá seguro com a presença dela! Débora dá a entender que achava um absurdo um chefe de exército temer ir à guerra depois de ter a garantia dada pelo próprio Deus de que sairia vitorioso! Por causa disso é que ela diz: "...Certamente irei contigo; porém não será tua a honra desta expedição, pois à mão de uma mulher o Senhor venderá a Sísera. Levantou-se, pois, Débora, e foi com Baraque a Quedes. (4: 9).

5. Profetizando no meio da batalha!

Débora não apenas incentivou Baraque a comandar uma batalha sob as ordens do Senhor, ela foi com ele (4: 10). Além de ir, a presença daquela mulher da região montanhosa de Efraim, serviu de encorajamento para o capitão Baraque. Quando os novecentos carros de ferro do poderoso exército cananeu estava em posição contra Israel, quando a tensão tomava conta do amedrontado exército israelita, quando Baraque parecia demorar em avançar, Débora se manifesta mais uma vez e anima Baraque a se decidir por atacar. Sua palavra é: "...Levanta-te, porque este é o dia em que o Senhor entregou Sísera na tua mão; porventura o Senhor não saiu adiante de ti?..." (4: 14). Até dentro da batalha Débora não deixa de profetizar e se constitui num instrumento de encorajamento e incentivo para um capitão cheio de incertezas e um exército desencorajado!  Grandes líderes são aqueles que mesmo no meio das batalhas, debaixo de fortes pressões, não perdem a esperança e ainda acha forças para animar a outros. Grandes líderes são aqueles que independentemente das circunstâncias, exercem seu papel de influenciar, levando outros a acreditarem que a batalha pode ser vencida e que é preciso se levantar mesmo que os oponentes sejam ais poderosos!

Conclusão

Do versículo 15 ao 24, trava-se uma batalha em que Israel mostra superioridade graças à intervenção divina: "E o Senhor desbaratou a Sísera, com todos os seus carros e todo o seu exército, ao fio da espada, diante de Baraque; e Sísera, descendo do seu carro, fugiu a pé." (4: 15). O versículo 23 diz que Deus humilhou Jabim diante dos filhos de Israel e o 24 que "a mão dos filhos de Israel prevalecia cada vez mais contra Jabim, rei de Canaã, até que o destruíram." Foi uma vitória inesperada para Israel. Depois de vinte anos de opressão, o povo consegue se livrar de seu algoz graças a altitude de uma mulher que se deixou ser usada por Deus. Uma mulher de coragem e fé. Débora nos ensina que nenhuma adversidade é suficientemente forte para deter aqueles que confiam no Senhor e em sua promessa!

14 de set de 2015

Congresso de EBD na Adesal: As Mesmas Discussões!

Foto: Ricardo Ferreira

Não há dúvidas de que a cada ano chegam novos professores de Escola Bíblica Dominical em nossas igrejas e que existem assuntos relacionados à educação que devem sempre ser tratados em nossos Congressos, Conferências, Seminários e Simpósios de EBD. Todavia, é preciso pensar também na necessidade de diversificação das discussões, observar a variedade de temas na educação e nunca esquecer que a sociedade evolui, assim como as ciências, inclusive aquelas ligadas à educação!
Existem hoje novos discursos em pedagogia, novos viés e abordagens sobre a educação que precisam ser tratados e discutidos em nossos Congressos de EBD, a fim de que se desafie o novo e o veterano professor de Escola Dominical a repensar sua prática pedagógica diante de sua classe.
O Congresso de Escola Dominical da Adesal, ocorrido nos dias 10 a 12 de setembro, no Templo da Liberdade, trouxe o já conhecido e renomado Professor Jamiel Lopes, Psicólogo e Comentarista de Lições de EBD da CPAD e a Professora Régia Carvalho, também Comentarista de lições de EBD. Ambos são extremamente competentes e profissionais e falaram de assuntos que, para quem nunca foi a um Congresso de EBD ou está se familiarizando agora com o ensino na Escola Dominical, redundou em novidade! Mas é preciso dizer que os temas, as discussões e a metodologia das palestras não se constituíram em novidades. Temas como o Perfil do Professor da EBD e Características Psicológicas de Faixas Etárias, vem sendo discutidos em Congressos no Rio de Janeiro e em palestras nos encontros pedagógicos do próprio DEPEN - Departamento de Ensino da Adesal.
Apesar do esforço feito pela Coordenação do DEPEN, faltou neste congresso uma atualização dos temas, novas abordagens e assuntos que reflitam realmente os problemas da educação cristã, principalmente no contexto da Escola Dominical, hoje. 
Aprofundamento nos temas foi outra coisa que faltou. Os palestrantes "pincelaram" slides, fazendo breves reflexões em velhos assuntos, sem apontar soluções práticas e caminhos novos para o professor de EBD que enfrenta domingo a domingo problemas como: limitação de conhecimento, espaço precário, pouco ou nenhum recurso e falta de investimento nas estruturas físicas e pedagógicas da Escola Dominical.
O Congresso da Escola Dominical precisa ser mais que palestras de velhos temas, precisa ser o espaço de discussão com professores, profissionais da educação, alunos e a igreja, a fim de que se encontre modelos que respondam aos anseios de professores e alunos na prática pedagógica nos domingos de manhã. É preciso traçar novos caminhos para o ensino da EBD e isso se faz com reflexões aprofundadas e discussão dos problemas que rondam a Escola Dominical, observando os novos conceitos de educação e os métodos que tem revolucionado a prática do ensino nos estudos da moderna pedagogia.
Parabéns ao DEPEN por proporcionar aos professores da EBD, momentos de reflexão sobre sua prática de ensino! Abaixo, um vídeo do saudoso Rubém Alves sobre o  "Professor de Espantos"!

Lições de Liderança em Romanos 16



"Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós." Romanos 16: 6

O texto do capítulo 16 de Romanos encerra lições preciosas de liderança deixadas por Paulo. Para mim, este é um dos textos mais extraordinários do Apóstolo. Ele nos dá aqui lições de liderança pouco praticadas pela maioria dos líderes modernos. No capítulo 16 de Romanos Paulo cita vinte e cinco indivíduos e duas famílias. A forma de tratamento de Paulo a esses irmãos a quem saúda, exprime uma amizade intensa e não superficial!
Alguns estudiosos consideram o capítulo 16 de Romanos como uma mini epístola, já que parece fragmentado dos demais capítulos da carta. Algumas perguntas são levantadas quanto ao décimo sexto capítulo de aos Romanos: Se Paulo nem os demais apóstolos foram responsáveis pela fundação da igreja romana, como Paulo poderia conhecer tanta gente em Roma? Para Champlin, este capítulo pode ter sido incorporado à carta por razões cômodas quanto ao seu transporte, mas talvez ela não seja endereçada aos Romanos mas à igreja em Éfeso, principal cidade da Ásia, já que a maioria dos nomes citados por Paulo neste capítulo não trabalharam em Roma, mas na Ásia. 
Ainda existe a possibilidade de que esses irmãos e famílias citados por Paulo tenham realmente ido morar em Roma talvez por causa de perseguições em algum período daquela época. As argumentações são muitas, mas o que importa mesmo é que o último capítulo do maior tratado teológico do Novo Testamento, revela um líder capaz de perceber o valor dos obreiros na seara do Mestre! Vejamos aqui, pelo menos, três preciosas lições:

Trabalho em equipe

Perceba essas expressões de Paulo: 
"...como também a mim mesmo..." (v. 2);
"...meus cooperadores..." (v. 3);
"Os quais pela minha vida expuseram suas cabeças..." (v. 4);
"...que trabalhou muito por nós..." (v. 6)

O Apóstolo Paulo está reconhecendo aqui que o sucesso de suas atividades ministeriais se deviam ao esforço de gente que trabalhava com ele, que lhe auxiliava, que facilitava em determinados momentos o seu trabalho. É o reconhecimento de Paulo de que ele não trabalhava sozinho, que outros eram responsáveis pelo avanço de seu trabalho, que "seguravam a corda" como se diz em missões!
O capítulo 16 de Romanos, portanto, nos dá, antes de qualquer coisa, a lição do trabalho em equipe, de que sozinhos, isolados, nunca teremos o mesmo desempenho na obra de Deus! Os grandes líderes da Bíblia tiveram sua equipe ou seu parceiro. O próprio Jesus teve sua equipe!

A importância das pessoas enquanto indivíduos

Paulo elenca um número de obreiros que fizeram parte de sua história ministerial. Alguns desses nomes não aparecerão de novo em seus escritos. Talvez muitos desses irmãos nunca esperasse que o Apóstolo dos gentios os citasse, ou nem esperasse que ele lembrasse deles! Mas Paulo os cita por nome! Essa atitude de Paulo demonstra o valor que dava aos seus parceiros de ministério. Eles não eram "aqueles" irmãos, "aqueles" que fizeram "aquela" obra. Eles tinham nome, o nome é a identidade de uma pessoa, chamar alguém pelo nome é atribuir valor ao indivíduo, é considerá-lo como ser único e incomparável. As pessoas tem uma identidade e não valorizar isso é desprezar sua importância enquanto indivíduo. Lembro-me que enquanto Mefibosete era lembrado por Ziba pelo seu defeito físico (2 Sm. 9:3), Davi apenas o chamou de Mefibosete (2 Sm. 9: 6)! Isso fez toda diferença! Para Ziba ele era "aleijado dos pés", para Davi ele era "Mefibosete"!
Um bom líder é aquele que valoriza não apenas a equipe, mas cada indivíduo na equipe, identificando seus valores e sua singularidade enquanto ser único no universo!

O valor do trabalho de cada um

Paulo não somente destaca os nomes de seus cooperadores e companheiros de ministério, ele destaca também o trabalho de cada um. Ele destacou que Febe havia "hospedado a muitos", Priscila e Aquila eram seus "cooperadores" e que, por sua vida, haviam "expostos a cabeça". Sobre Maria, ele disse: "...trabalhou muito por nós...", sobre Andrônico e Júnias, disse que tinham sido seus "companheiros na prisão". Paulo sabia exatamente o que cada um fazia e o que cada trabalho representava para seu ministério e isso demonstrava sua sensibilidade para com o trabalho de seus companheiros!
esta é uma lição que temos que aprender! valorizar o trabalho de nossos cooperadores, destacar a importância de cada um deles. Não há dúvidas de que quando um indivíduo é reconhecido em seu trabalho e valores são atribuídos ao que ele faz, ele não somente se sentirá valorizado, mas estimulado a fazer mais e com excelência!

12 de set de 2015

Thalles Roberto: Um Discípulo Que Precisava Ser Discipulado!


Cair matando em cima de alguém quando este alguém comete um erro, é muito fácil! Agora, duas coisas parecem ser impossíveis para nós evangélicos cheios da graça e sem defeito fazermos: Primeiro, instruir o irmão para que ele seja preservado de momentos delicados como o que protagonizou o Thalles Roberto e, segundo: ajudá-lo, perdoá-lo e reorientá-lo depois de uma mancada como a que deu Thalles! Mas não, preferimos expor, execrar, criticar e pousarmos de corretinhos, donos da verdade!
O que acontece com Thalles vem acontecendo a muitos anos no Brasil. Se a pessoa que se converte em qualquer igreja tiver sido famosa ou cantado ou feito parte de alguma banda famosa, logo todas as portas no meio gospel se abrem para essa pessoa! A "Ex-estrela" assume púlpito, recebe convites, é assediada por todo tipo de liderança, por agências gospel, gravadoras e um mundo de oportunidades caem aos pés deste que deveria ser visto pela igreja como discípulo de Jesus e necessitado de instrução da Palavra de Deus a fim de que seja preservado nas tentações!
Thalles Roberto não é culpado, Thalles Roberto é um menino espiritual. Durante quanto tempo foi discipulado? Pergunte se aprendeu algum dia a servir a igreja local. Quantas santas ceias toma com o mesmo Pastor, na mesma comunidade, se tem relacionamentos profundos em uma rede de sua comunidade. 
Thalles foi de recém convertido a Pastor! Pastor?! Quem o separou para tão honrado ministério talvez nem saiba o que significa ser pastor. Talvez nem saiba que pastor tem rebanho. Ah, desculpem! Eles vão dizer que seus seguidores de shows, de redes sociais, são suas ovelhas! Que loucura, que insanidade! Como? Se eles se autodenominam "artistas"? Eles não tem ovelhas, eles tem fãs e diga-se de passagem, muitos tão fanáticos que não conseguem ver os erros e defeitos de seu "ídolo"!
Paulo em 1 Tm. 3:6 orienta Timóteo a não confiar o pastorado ao neófito (pessoa recém convertida, inexperiente) "para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo". O discípulo não instruído, que não passa na escola do discipulado, que não vive um tempo para ser instruído por um discipulador, com certeza terá problemas quando as "bandejas" lhe forem ofertadas na "feira da vaidade" da vida! Seu coração não estará protegido pela Palavra de Deus a fim de que possa resistir ao diabo e suas ofertas!
Na verdade, nós criamos Thalles e tantos outros, meninos espirituais como ele que pousam como detentores de uma mensagem, de uma missão. Sim, eles são nossa cria, é a cria do mercado fonográfico gospel, gente que não está nem aí pra mensagem alguma, gente que quer mesmo é faturar! Basta você conhecer os contratos destas gravadoras ou produtoras gospel. Muitos "artistas" gospel se sentem até explorados por uma indústria implacável cujos objetivos estão longe de anunciar Jesus pela música!
E nós? Nós pastores, fãs, admiradores dessas "estrelas", somos iguaizinhos! Alimentamos esta indústria podre, massageamos o ego desses "exaltados", pagamos valores "acima da média" para entradas em shows dessa gente, enfrentamos filas para pegar um autógrafo ou pousarmos numa selfie para postarmos imediatamente nas redes sociais, só pra dizer a todo mundo que estamos "por cima"! Nós pastores que pagamos altos cachês pra essa gente, na gana de termos um nome que possa atrair as multidões para o nosso "evento"!
Thalles Roberto é o que sempre quisemos que ele fosse! Então, ninguém se queixe, ele foi criado por nós, pelas lideranças espirituais desta nação, pela indústria fonográfica gospel, que de gospel só tem o nome.
Faltou para Thalles o que sempre faltou para a maioria dos "ex-artistas seculares". Faltou homens de Deus que estivessem mais preocupados com a alma do que com o nome que aquele discípulo representava. Faltou homens e mulheres de Deus que dissesse: "Não, ainda não é o tempo. Você precisa aprender mais, se humilhar mais, conhecer mais Deus!". Mas não, lançaram Thalles, ovacionaram Thalles, exploraram o máximo a imagem. E agora, Thalles só revelou o que ele sempre foi, alguém que não foi discipulado, um menino espiritual incapaz de lhe dar com as glórias que o mundo oferece!
A reação dos outros cantores e produtores gospel às declarações de Thalles, revelou que eles são iguais a Thalles! Por trás das declarações de cantores cujos nomes não cito por questões éticas, gente que está na estrada a mais tempo que Thalles, desponta-se uma certa inveja, um certo despeito, raiva por ter sido "humilhado" nas redes sociais pelas declarações do cantor que chegou agora, mas já se acha acima da média!
Então, Thalles não é este demônio que acabamos de construir. Thalles é alguém que precisa de orientação, de ajuda. Alguém que precisa ser discipulado a fim de que possa aprender sobre humildade e transferência de louvor e glória para quem realmente merece: Deus!