28 de mar de 2016

Wahtsap e Indiferença: Combinação Perfeita!



Os grupos no wahtasap se constituem no ambiente da indiferença e onde ninguém ouve ninguém! Alguém posta um pedido de oração e logo em seguida outro alguém posta cuecas e calcinhas em promoção, alguém diz "bom dia" e raramente outro alguém vai dizer "bom dia pra você também", esse outro alguém vai querer dizer um bom dia de forma diferente e mais interessante que o seu bom dia! Aliás, wahtsap não é lugar para se dizer bom dia! Imagine você ligando para alguém só para dizer "bom dia"? Wahtsap é uma ferramenta poderosa de comunicação, mas a gente quer transformá-lo em nossa casa, nossa igreja, nossa família! Gente, não é! Mas voltando, a indiferença verificada nos grupos de wahtsap é apenas um reflexo da indiferença em nós! Projetamos ali, naquele ambiente virtual, o que estamos nos transformando. Basta juntar todos que fazem parte de um mesmo grupo em um mesmo lugar físico, cada um com seu smartphone e uma internet à disposição, e pronto: todos estarão de cabeça curvada com os dedos em movimentos frenéticos! São os doentes "facebookianos" que agora são os doente "wahtsapianos"! É claro que isso não se aplica a todos, mas é uma realidade constatada no comportamento da maioria! Esta geração wahtsapiana veria com estranheza Atos 2: 44-46 - "E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..."
Essa coisa de estar juntos, de compartilhar, compartilhar amor, ajuda, socorro, felicidade...Isso se tornou para os crentes da geração da "modernidade líquida" (adjetivo dado pelo sociólogo Zygmunt Bauman à pós modernidade, para designar a efemeridade dos relacionamentos e a liquidez dos valores no século presente!), um modus vivendi apenas da igreja primitiva.
Leandro Karnal diz, baseado em Bauman, que ninguém ouve ninguém. Se você diz: "estou cansado", você irá ouvir: "eu também". Ninguém vai te dizer: "É mesmo? Porque? Você está com algum problema? Como posso ajudar?"
Como salvos em Cristo, no meio desta geração de valores invertidos, onde amor é cafonice, afeto é gesto ultrapassado, atenção é para os fracos, precisamos dizer não a este comportamento robotizado, ditado por esse sistema de valores "líquidos" e voltarmos a pensar no outro não como mais um na minha "time line" ou mais um no grupo do wahtsap, mas como o próximo a quem devo amar, ouvir, suportar, ajudar, socorrer, se importar...

2 de mar de 2016

Oscar, Spotlight e a Igreja Católica


Pelo tom dos críticos em algumas redes sociais, a 88ª Premiação do Oscar não deixou de ser uma cerimônia digna das mesmas críticas de todos os anos como bem dizia durante sua exibição o Apresentador Chris Rock. A noite foi blindada pelo discurso protestante de Rock contra o racismo e a imbecilidade dos repórteres ao abordarem os atores de Hollywood no tapete vermelho com as mesmas perguntas de todos os anos sempre fazendo referência a quem desenhou suas roupas!
A grande surpresa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em sua 88ª edição, não ficou nas três estatuetas recebidas pelo filme O Regresso, já que este tinha sido indicado a doze, nem no fato de Sylvester Stallone  não ter recebido o prêmio de melhor ator coadjuvante, a grande surpresa estava com a estatueta mais desejada da Academia para os produtores de filmes: a de melhor filme! Depois de se ouvir várias vezes o nome Mad Max e O Regresso, Spotlihth que até então só tinha recebido o Oscar de melhor roteiro original, recebe também o Oscar de Melhor Filme!
Em casa, muitos expectadores não sabiam nem a que se referia o filme. Logo, todos passaram a pesquisar na internet para saber o que havia na história contada pelo filme. Para muitos críticos como Renato Rermsdorff em matéria no site Adoro Cinema, o Diretor Tom McCarthy, "consegue prender a atenção do público com maestria numa curva narrativa ascendente sem precisar recorrer a tiro, porrada e bomba". O filme denuncia casos de abusos sexuais sofridos por crianças praticados por Padres Católicos! Na verdade, este não é o primeiro filme que trata do assunto, Spotlight é o primeiro a ganhar grande visibilidade por causa de sua estatueta.
A Igreja Católica começa a se manifestar. Agora, tanto o Papa como a cúpula do Vaticano quer demonstrar para a opinião pública que querem justiça, que se importam. Todavia, as histórias contadas no filme e como um grupo de jornalistas em Boston consegue juntar uma série de documentos que comprovam os abusos, sempre foi de conhecimento da Igreja que fazia vistas grossas aos casos, permitindo que milhares de crianças ao redor do mundo fossem vítimas de padres que apenas eram transferidos de suas paróquias e outros iam morar em mansões de refúgio!
Este lado obscuro da Igreja Católica não é o único. É preciso elencar os inúmeros casos de abortos praticados às escondidas por Freiras que engravidavam de Padres, Bispos e até Papas e escondiam os fetos nos fundos dos conventos, sem falar da natureza criminosa da Igreja que subjugou índios e negros, que apoiou o nazismo em sua insana incursão contra judeus evem ao longo dos anos induzindo fiéis e seguidores à idolatria e a práticas visivelmente condenadas pela Bíblia que tanto mencionam em sua liturgia!
Acredito que A Academia este ano quis deixar um recado, quis fazer uma denúncia, de forma inteligente chamou a atenção do mundo, concedeu às famílias de crianças abusadas sexualmente a oportunidade de serem ouvidas pelo mundo e de até entrarem na presença do Papa que, como os anteriores, sempre ignorou esta face nefasta da Igreja!
Infelizmente, em nossa sociedade se convencionou que todos devem fingir que se importam enquanto que outros não conseguem fingir que sofrem! Infelizmente é preciso fingir que se está fazendo arte para se denunciar crimes desta natureza, porque bater de frente com os poderosos é como entrar numa contramão perigosa que se chocará com a hipocrisia e o poder! Parabéns ao Oscar 2016!